AGRONEGÓCIO
Zoneamento climático do abacaxi é ampliado para todo o Brasil com nova versão do Zarc
Publicado em
15 de maio de 2025por
Da Redação
O cultivo do abacaxi no Brasil acaba de ganhar uma ferramenta estratégica e abrangente. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, em 13 de fevereiro, o primeiro Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da cultura com alcance nacional. Desenvolvido pela Embrapa, o novo Zarc fornece orientações para produtores de todo o País sobre as condições ideais para o plantio, com base em dados científicos e históricos. A atualização promete ganhos de produtividade e menor exposição a riscos, principalmente em áreas vulneráveis como o Semiárido.
Três níveis de risco para todas as fases do cultivo
Uma das principais novidades da nova versão do Zarc é a introdução de três níveis de risco climático — 20%, 30% e 40% — aplicáveis às fases do desenvolvimento do abacaxi, da floração à colheita. Essa classificação permite a elaboração de calendários de plantio mais precisos, ajudando o agricultor a identificar os períodos e locais com maiores chances de sucesso.
Segundo o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Maurício Coelho, responsável técnico pelo Zarc Abacaxi, o modelo considera quatro fases da planta: implantação e desenvolvimento inicial; crescimento vegetativo; indução floral e início da frutificação; e, por fim, o desenvolvimento do fruto até a colheita.
Solo e armazenamento de água: nova classificação com seis categorias
A categorização dos solos também passou por melhorias. Agora, a capacidade de armazenamento de água é dividida em seis classes, com variação de 34 a 184 milímetros por metro de profundidade. A mudança permite representar melhor os diferentes tipos de solo encontrados no Brasil, o que impacta diretamente na avaliação do risco climático.
Coelho explica que solos com baixa capacidade de retenção hídrica elevam o risco de cultivo, enquanto áreas sujeitas ao encharcamento também devem ser evitadas. Locais propensos a geadas frequentes ou acima de mil metros de altitude foram igualmente classificados como de alto risco climático.
Consideração de variedades e obrigatoriedade de mudas certificadas
Pela primeira vez, o Zarc leva em conta as características específicas das principais variedades cultivadas no país, agrupadas em dois conjuntos: o grupo 1, mais rústico, composto pelas variedades ‘Pérola’, ‘Turiaçu’ e ‘Smooth Cayenne’; e o grupo 2, que inclui a variedade ‘BRS Imperial’, mais sensível a estresses ambientais.
A nova portaria também estabelece que áreas recém-implantadas com novas variedades devem utilizar mudas certificadas, provenientes de viveiros credenciados conforme a legislação brasileira de sementes e mudas (Lei nº 10.711/2003 e Decreto nº 5.153/2004).
Ferramenta reduz riscos e dá acesso a políticas públicas
O coordenador-geral de risco agropecuário do Mapa, Hugo Borges Rodrigues, destaca que o novo Zarc é fundamental para a modernização da gestão de riscos no campo. “Além de indicar os períodos mais propícios ao plantio, seu uso é exigência para acesso a programas como o Proagro e o PSR, que garantem cobertura contra perdas”, afirma.
Base meteorológica atualizada até 2022
A base de dados do Zarc também foi aprimorada. Agora, são utilizados dados meteorológicos atualizados até 2022, provenientes de redes como o Inmet, o sistema HidroWeb da ANA, o Cptec/Inpe e instituições estaduais. Isso permite uma análise climática mais precisa e condizente com a realidade atual.
O pesquisador Eduardo Monteiro, da Embrapa Agricultura Digital, enfatiza que essa atualização é um diferencial técnico importante em relação ao zoneamento anterior.
Importância para regiões semiáridas e planejamento agrícola
Para o pesquisador Domingo Haroldo Reinhardt, que atua em Itaberaba (BA), maior produtor de abacaxi da Bahia, a nova metodologia é essencial, especialmente para regiões semiáridas. “A ferramenta agora considera melhor as diferenças dentro de um mesmo município”, afirma.
O mesmo ponto é defendido por Aristoteles Pires de Matos, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, que atua nos estados do Pará e Tocantins. Segundo ele, o Zarc deve ser usado tanto por novos produtores quanto por aqueles que desejam expandir áreas de cultivo. “O zoneamento não deve ser visto apenas como exigência de crédito, mas como um apoio técnico ao monitoramento de pragas e doenças”, observa.
Padronização nacional e continuidade espacial dos dados
O pesquisador Balbino Antonio Evangelista, da Embrapa Cerrados, destaca que a versão anterior do Zarc para abacaxi era fragmentada, com dados regionais variados. Agora, sob coordenação da Embrapa, os estudos foram padronizados e passaram a representar melhor as condições climáticas em todo o território nacional.
Durante a participação no evento “Rota da Fruticultura”, no Tocantins — quarto maior produtor de abacaxi do Brasil —, Evangelista pôde observar o sistema produtivo local e colaborar na calibração dos modelos utilizados no novo Zarc.
Validação com produtores e especialistas regionais
Pela primeira vez, o Zarc Abacaxi foi submetido à validação junto a produtores, técnicos e representantes da cadeia produtiva, com reuniões realizadas virtualmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Sul. O objetivo foi adequar a ferramenta às realidades regionais antes da publicação oficial.
Fernando Barreto de Melo, gerente-executivo do Banco do Nordeste, avalia que a ferramenta representa uma conquista para a agricultura do Semiárido. “O Zarc reduz riscos e aumenta a viabilidade dos empreendimentos. Para as instituições financeiras, é mais uma garantia na concessão de crédito”, afirma.
No Amazonas, oitavo estado em produção de abacaxi, a engenheira-agrônoma Silvia Abreu, do Idam, também participou da fase de validação. Ela reforça que o Zarc será incorporado às ações de planejamento agrícola, elaboração de projetos de crédito e capacitação de técnicos. “É uma ferramenta fundamental para garantir sustentabilidade e segurança alimentar”, conclui.
Acesso gratuito à ferramenta
O Zarc Abacaxi está disponível gratuitamente por meio do Painel de Indicação de Riscos no site do Mapa, ou pelo aplicativo Zarc Plantio Certo, compatível com os sistemas Android e iOS.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
Published
4 dias agoon
8 de outubro de 2026By
Da Redação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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