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Volatilidade e preços, como proteger sua rentabilidade?

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Dado que a volatilidade é a amplitude e frequência da variação dos preços, cada um dos fatores implicantes tem influência nas mudanças dos preços locais. A volatilidade pode ser também caracterizada como medida da incerteza, ou seja, quanto maior a volatilidade maior a incerteza, ou quanto maior a certeza, menor a volatilidade.

Números esperados ou divulgados sobre a produção mundial, definindo o lado da oferta, e números de consumo dos grãos e oleaginosas, definindo demanda, podem trazer mudanças nos preços por afetarem a relação de produção e consumo, deixando o mundo com estoques sobre ofertados ou o produto mais escasso.

Indicadores econômicos das indústrias (como margem de moenda, margem de criação de suínos, frangos etc) que dependem das commodities agrícolas também influenciam no apetite por mais consumo ou por maior estoque afetando a intenção de pagar mais ou menos pelo produto produzido.

Além disso, variáveis políticas e macroeconômicas também podem afetar o preço dos grãos, como por exemplo taxas de juros, movimento das moedas internacionais, guerras, entre outras. Desta forma é muito difícil atribuir a volatilidade alta a um único fator, mas quanto mais variáveis estiverem na mesa e maior a incerteza em relação aos números, maior a volatilidade.

Sem o efeito especulativo de alguns jogadores, a bolsa deveria refletir o preço de equilíbrio entre oferta e demanda, ou seja, o preço é o termômetro que incentiva ou desincentiva o consumo. Se há falta de produto, os preços sobem para diminuir o consumo ou, quem necessita do produto precisará pagar mais para tê-lo pois não há volume excedente.

Já com o efeito especulativo em jogo, alguns jogadores simplesmente tentam se beneficiar dos movimentos ascendentes ou descendentes dos preços e com isso, a amplitude, frequência e força dos movimentos acabam sendo maiores, e com eles, os riscos na tomada de decisão.

Importante mencionar que a bolsa de CBOT reflete os preços internacionais dos produtos, mais precisamente, há uma grande influência do mercado americano no preço das commodities negociadas por lá. Dito isso, há um segundo componente importante para precificação local, e muitas vezes, mais volátil do que a própria bolsa, que são os basis.

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Este componente é o responsável por ajustar o preço do CBOT para a realidade local, colocando um bônus ou ônus nas cotações e ajustando o preço praticado localmente ao cenário de oferta e demanda brasileiro.

Na verdade não, pois a rentabilidade depende de ainda mais fatores que são os custos de produção e custos financeiros, mas é possível afirmar que quanto maior a volatilidade dos preços, mais risco intrínseco o produtor está assumindo para a saúde financeira do seu negócio, ou seja, quando produtor decide plantar, ele assume os riscos dos custos e todo operacional, depende de condições climáticas (riscos inerentes ao negócio) mas ainda tem de lidar com preços que mudam a todo momento, mudando também a rentabilidade do produtor.

O fator mais importante a ser seguido aqui é: em cenários de alta volatilidade os preços mudam a todo momento e com ele a rentabilidade do negócio. Então, mais importante do que tentar sempre vender no maior preço, é entender a rentabilidade e ir vendendo quando ela repaga o esforço e o risco que o produtor está assumindo.

Como é difícil prever o movimento dos preços, e em volatilidades altas é mais difícil ainda, o que hoje é um bom negócio amanhã pode não ser mais. Sendo assim, como gestão de risco, o produtor precisa estar atento à margem do negócio e não somente ao preço.

Travar vendas contra os custos protegendo o custo de produção, depois ir avançando nas vendas extras quando a rentabilidade é positiva e chegam em seu objetivo. Gestão de risco é essencial para surfar cenários de rentabilidades.

A rentabilidade do negócio é resultado de um bom manejo de custos com boas vendas. Trabalhar compra de insumos contra venda de grãos, protegendo esta margem inicial é fundamental. Se os preços afundam com os custos em aberto, a rentabilidade do negócio do produtor é super rápida e afeta a sustentabilidade econômica da atividade. Já que controlar os preços é impossível, manejá-los com estratégica e boa dose de gestão de risco é a receita básica para preservar a saúde econômica do negócio.

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Como a rentabilidade depende de custos e receitas, é bem complicado ter uma rentabilidade padrão. Mas é possível ter uma dimensão de que margens brutas de 3 anos atrás saíram de aproximadamente 50% para 25/30% este ano. Sendo assim é importante ressaltar que o cenário de margens mais apertadas traz um desafio extra para o produtor já que não é muito espaço para erros.

Aqui neste caso, vale ressaltar que conhecer os custos do negócio, ter uma leitura da posição comercial, avanço em vendas, acompanhar as margens aos preços atuais é fundamental para tomar decisões de venda conscientes.

Com todos estes fatores na mesa, sabemos que cuidar de todas as variáveis que afetam o negócio dos produtores e ainda seguir o ritmo dos mercados das commodities é quase impossível. É para isso que criamos a BIOND, para ser o seu parceiro estratégico na comercialização.

Informação atualizada, bom planejamento e controle rigoroso das vendas e execução são importantes para conseguir navegar com mais calma mares agitados (ou preço voláteis). Trabalhar com custos travados e especular somente com o excedente de produção também é uma boa estratégia quando o movimento de preços são difíceis de prever ou mais agressivos do que esperamos. Isso vai fazer com as margens sejam conhecidas e as decisões levem em consideração a saúde financeira do negócio.

Dito isso, estamos em um ano onde o clima tem jogado um importante papel na definição das safras nos países produtores enquanto incertezas econômicas seguem pairando no ar e assombrando o tamanho dos consumos. Se isso não fosse o suficiente, guerras e conflitos geopolíticos trazem ainda mais incerteza aos mercados.

Sendo assim, aparentemente o cenário de alta volatilidade vem para ficar e para poder navegar a safra com maior tranquilidade, uma dose alta de planejamento e gerenciamento de riscos é cada vez mais necessária.

Por Felipe Jordy, coordenador de inteligência e consultoria da Biond Agro

Fonte: Agência Contatto

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações do agronegócio brasileiro disparam e abril registra segundo melhor resultado da história

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O agronegócio brasileiro voltou a mostrar força no mercado internacional em abril de 2026. As exportações do setor alcançaram US$ 16,6 bilhões no período, crescimento de 12% em relação ao mesmo mês do ano passado e o segundo melhor resultado mensal da série histórica, ficando atrás apenas de maio de 2023.

Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA mostram avanço consistente das vendas externas, puxado principalmente pelo complexo soja, proteínas animais e algodão.

Complexo soja lidera exportações e garante avanço da receita

A soja voltou a ser o principal motor das exportações brasileiras. Em abril, os embarques do grão atingiram 16,7 milhões de toneladas, maior volume mensal do ano, gerando receita de US$ 7 bilhões.

Além do aumento da disponibilidade da safra brasileira, o preço médio da commodity também subiu e alcançou US$ 416 por tonelada, alta anual de 8,4%.

O farelo de soja também apresentou desempenho positivo:

  • Volume exportado: 2,4 milhões de toneladas
  • Crescimento anual: 13%
  • Preço médio: US$ 363/t

Já o óleo de soja teve comportamento distinto. Apesar da queda de 7,8% no volume exportado, os preços avançaram pelo quinto mês consecutivo, alcançando US$ 1.191/t, alta de 15% frente a abril de 2025.

Carne bovina ganha força com demanda chinesa aquecida

O setor de proteínas animais manteve ritmo forte nas exportações, especialmente na carne bovina.

Os embarques de carne bovina in natura cresceram 4,3% em relação a abril do ano passado, somando 252 mil toneladas. A China permaneceu como principal destino, absorvendo 54% do total exportado.

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O principal destaque, no entanto, veio da valorização dos preços:

  • Preço médio da carne bovina: US$ 6.241/t
  • Alta anual: 24%
  • Alta frente a março: 7,3%

Segundo a análise, os chineses aumentaram os preços pagos pela proteína brasileira, influenciando diretamente o movimento de valorização internacional.

Carne suína e frango seguem em expansão

A carne suína também apresentou desempenho positivo:

  • Volume exportado: 121 mil toneladas
  • Crescimento anual: 9,7%
  • Preço médio estável em US$ 2.497/t

Já a carne de frango in natura somou 417 mil toneladas embarcadas, avanço de 2,5% sobre abril de 2025. Os preços médios chegaram a US$ 1.949/t, crescimento anual de 2,1%.

Açúcar perde valor e etanol recua nas exportações

No complexo sucroenergético, o cenário foi mais desafiador.

As exportações de etanol recuaram 50% em volume frente ao mesmo período do ano anterior, totalizando 87 mil toneladas. Apesar disso, os preços subiram 8%, chegando a US$ 624/m³.

O açúcar VHP registrou:

  • Volume exportado: 958 mil toneladas
  • Alta de 1,2% nos embarques
  • Queda de 23% no preço médio

O açúcar refinado também perdeu valor, com retração de 19% nos preços em relação a abril do ano passado.

Algodão dispara em volume, mas preços seguem pressionados

O algodão em pluma teve um dos maiores avanços do período em volume exportado.

Os embarques atingiram 348 mil toneladas, crescimento expressivo de 55% frente a abril de 2025. Entretanto, os preços continuam em trajetória de queda e recuaram 7,3% na comparação anual, chegando a US$ 1.513/t.

Fertilizantes enfrentam impacto da guerra no Oriente Médio

Enquanto as exportações avançaram, as importações de fertilizantes mostraram desaceleração em abril.

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O volume total importado caiu 11% na comparação anual, somando 3,2 milhões de toneladas. O mercado segue pressionado pelos impactos geopolíticos da guerra no Oriente Médio, que elevou preços internacionais e gerou dificuldades logísticas.

Entre os destaques:

  • Forte queda nas importações de fosfatados
  • Redução de cerca de 200 mil toneladas de ureia
  • Aumento equivalente nas compras de sulfato de amônio

O MAP foi importado a US$ 733/t FOB, alta de 16% sobre abril de 2025. Já a ureia alcançou US$ 574/t FOB, disparando 55% na comparação anual.

Segundo o relatório, parte relevante dos embarques ainda reflete contratos fechados anteriormente, o que reduz a capacidade dos dados atuais retratarem totalmente as condições mais recentes do mercado global.

Café perde receita mesmo com preços ainda elevados

Outro ponto de atenção foi o café verde.

Entre janeiro e abril de 2026, as exportações do produto somaram US$ 4,1 bilhões, mas o volume embarcado caiu 25% frente ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, os preços médios permaneceram elevados em US$ 6.773/t.

Agro mantém protagonismo nas contas externas brasileiras

Os números reforçam o protagonismo do agronegócio na balança comercial brasileira em 2026, especialmente em um cenário global marcado por volatilidade, tensões geopolíticas e juros elevados nas principais economias.

Com forte demanda internacional por alimentos e proteínas, o Brasil segue ampliando sua presença no comércio global, sustentado principalmente pela competitividade da soja, carnes e fibras naturais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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