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Vendas de etanol ultrapassam 3 bilhões de litros em janeiro

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Nesse mesmo período, no ano anterior, a quantidade processada foi de 307,30 mil toneladas. No acumulado da safra 2023/2024, a moagem atingiu 646,05 milhões de toneladas, ante 543,14 milhões de toneladas registradas no mesmo período no ciclo 2022/2023 – um avanço de 18,95%.

Operaram na segunda quinzena de janeiro 21 unidades produtoras na região Centro-Sul, sendo seis unidades com processamento de cana, sete empresas que fabricam etanol a partir do milho e oito usinas flex. No mesmo período, na safra 22/23, operaram 13 unidades produtoras. Ao final da quinzena, uma unidade encerrou a moagem, enquanto no acumulado já se contabilizam 249 unidades. No ciclo anterior, até 1º de fevereiro, 251 usinas haviam terminado com seu período de processamento.

A qualidade da matéria-prima colhida acumulada desde o início da safra até a segunda metade de janeiro, mensurada em kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar processada, apresentou redução de 1,13% na comparação com o mesmo período do último ciclo agrícola, atingindo 139,54 kg de ATR por tonelada nesta safra.

Produção de açúcar e etanol

A produção de açúcar na segunda metade de janeiro foi de 28,05 mil toneladas. No acumulado desde 1º de abril, a fabricação do adoçante totaliza 42,13 milhões de toneladas, contra 33,56 milhões de toneladas do ciclo anterior (+25,52%).

Na segunda quinzena de janeiro, 313,39 milhões de litros (+46,91%) de etanol foram fabricados pelas unidades do Centro-Sul. Do volume total produzido, o etanol hidratado alcançou 218,96 milhões de litros (+113,28%), enquanto a produção de etanol anidro totalizou 94,43 milhões de litros (+14,66%). No acumulado desde o início do atual ciclo agrícola até 1º de fevereiro, a fabricação do biocombustível totaliza 32,11 bilhões de litros (+15,05%), sendo 19,23 bilhões de etanol hidratado (+20,02%) e 12,88 bilhões de anidro (+8,33%).

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Da produção total de etanol registrada na segunda metade de janeiro, 89% foram provenientes do milho, cuja produção atingiu 280,10 milhões de litros neste ano, contra 200,65 milhões de litros no mesmo período do ciclo 22/23 – aumento de 39,60%. No acumulado desde o início da safra, a produção de etanol de milho atingiu 5,17 bilhões de litros – expressivo avanço de 41,98% na comparação com igual período do ano passado.

Vendas de etanol

No mês de janeiro 2024, as vendas de etanol totalizaram 3 bilhões de litros, o que representa aumento de 38,22% em relação ao mesmo período da safra 22/23. Esse volume comercializado, puxado pelo forte aumento nas vendas de etanol anidro e hidratado na 2ª quinzena de janeiro, é o maior desde outubro de 2020. O volume comercializado de etanol anidro no período foi de 1,11 bilhão de litros – aumento de 1,34% – enquanto o etanol hidratado registrou venda de 1,89 bilhão de litros – crescimento de 75,54%.

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No mercado doméstico, as vendas de etanol hidratado em janeiro totalizaram 1,77 bilhão de litros – variação de 75,59% em relação ao ano passado. A comercialização de etanol anidro, por sua vez, foi de 1,03 bilhão de litros – aumento de 6,48%. Com esse resultado, o volume comercializado no mercado interno ultrapassou a marca de 2,8 bilhões de litros, o maior desde outubro de 2019.

O resultado reverbera a competitividade do biocombustível nas bombas que já dura meses. Na última semana, dados da ANP apontam uma paridade média de 61,7% entre o preço do hidratado e da gasolina C.

No acumulado da safra 23/24, a comercialização de etanol soma 26,95 bilhões de litros, representando um aumento de 9,37%. O hidratado compreende uma venda no volume de 16,27 bilhões de litros (+15,68%), enquanto o anidro de 10,68 bilhões (+0,99%).

Mercado de CBios

Dados da B3, até o dia 9 de fevereiro, indicam a emissão de 4,07 milhões de Créditos de Descabonização (CBios) em 2024. Em posse da parte obrigada do programa RenovaBio há 37,84 milhões de créditos de descarbonização – esse montante já é superior à meta estabelecida para o ano de 2023, de 37,47 milhões de CBios, e cujo prazo de cumprimento se encerra em 31 de março.

Fonte: UNICA

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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