AGRONEGÓCIO
Vendas de etanol ultrapassam 3 bilhões de litros em janeiro
Publicado em
16 de fevereiro de 2024por
Da RedaçãoNesse mesmo período, no ano anterior, a quantidade processada foi de 307,30 mil toneladas. No acumulado da safra 2023/2024, a moagem atingiu 646,05 milhões de toneladas, ante 543,14 milhões de toneladas registradas no mesmo período no ciclo 2022/2023 – um avanço de 18,95%.
Operaram na segunda quinzena de janeiro 21 unidades produtoras na região Centro-Sul, sendo seis unidades com processamento de cana, sete empresas que fabricam etanol a partir do milho e oito usinas flex. No mesmo período, na safra 22/23, operaram 13 unidades produtoras. Ao final da quinzena, uma unidade encerrou a moagem, enquanto no acumulado já se contabilizam 249 unidades. No ciclo anterior, até 1º de fevereiro, 251 usinas haviam terminado com seu período de processamento.
A qualidade da matéria-prima colhida acumulada desde o início da safra até a segunda metade de janeiro, mensurada em kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar processada, apresentou redução de 1,13% na comparação com o mesmo período do último ciclo agrícola, atingindo 139,54 kg de ATR por tonelada nesta safra.
Produção de açúcar e etanol
A produção de açúcar na segunda metade de janeiro foi de 28,05 mil toneladas. No acumulado desde 1º de abril, a fabricação do adoçante totaliza 42,13 milhões de toneladas, contra 33,56 milhões de toneladas do ciclo anterior (+25,52%).
Na segunda quinzena de janeiro, 313,39 milhões de litros (+46,91%) de etanol foram fabricados pelas unidades do Centro-Sul. Do volume total produzido, o etanol hidratado alcançou 218,96 milhões de litros (+113,28%), enquanto a produção de etanol anidro totalizou 94,43 milhões de litros (+14,66%). No acumulado desde o início do atual ciclo agrícola até 1º de fevereiro, a fabricação do biocombustível totaliza 32,11 bilhões de litros (+15,05%), sendo 19,23 bilhões de etanol hidratado (+20,02%) e 12,88 bilhões de anidro (+8,33%).
Da produção total de etanol registrada na segunda metade de janeiro, 89% foram provenientes do milho, cuja produção atingiu 280,10 milhões de litros neste ano, contra 200,65 milhões de litros no mesmo período do ciclo 22/23 – aumento de 39,60%. No acumulado desde o início da safra, a produção de etanol de milho atingiu 5,17 bilhões de litros – expressivo avanço de 41,98% na comparação com igual período do ano passado.
Vendas de etanol
No mês de janeiro 2024, as vendas de etanol totalizaram 3 bilhões de litros, o que representa aumento de 38,22% em relação ao mesmo período da safra 22/23. Esse volume comercializado, puxado pelo forte aumento nas vendas de etanol anidro e hidratado na 2ª quinzena de janeiro, é o maior desde outubro de 2020. O volume comercializado de etanol anidro no período foi de 1,11 bilhão de litros – aumento de 1,34% – enquanto o etanol hidratado registrou venda de 1,89 bilhão de litros – crescimento de 75,54%.
No mercado doméstico, as vendas de etanol hidratado em janeiro totalizaram 1,77 bilhão de litros – variação de 75,59% em relação ao ano passado. A comercialização de etanol anidro, por sua vez, foi de 1,03 bilhão de litros – aumento de 6,48%. Com esse resultado, o volume comercializado no mercado interno ultrapassou a marca de 2,8 bilhões de litros, o maior desde outubro de 2019.
O resultado reverbera a competitividade do biocombustível nas bombas que já dura meses. Na última semana, dados da ANP apontam uma paridade média de 61,7% entre o preço do hidratado e da gasolina C.
No acumulado da safra 23/24, a comercialização de etanol soma 26,95 bilhões de litros, representando um aumento de 9,37%. O hidratado compreende uma venda no volume de 16,27 bilhões de litros (+15,68%), enquanto o anidro de 10,68 bilhões (+0,99%).
Mercado de CBios
Dados da B3, até o dia 9 de fevereiro, indicam a emissão de 4,07 milhões de Créditos de Descabonização (CBios) em 2024. Em posse da parte obrigada do programa RenovaBio há 37,84 milhões de créditos de descarbonização – esse montante já é superior à meta estabelecida para o ano de 2023, de 37,47 milhões de CBios, e cujo prazo de cumprimento se encerra em 31 de março.
Fonte: UNICA
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
49 minutos agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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