AGRONEGÓCIO
Vendas de Etanol Crescem no Centro-Sul e Garantem Economia ao Consumidor
Publicado em
13 de março de 2025por
Da Redação
As vendas de etanol pelas unidades produtoras do Centro-Sul atingiram 2,8 bilhões de litros em fevereiro de 2025, com 2,7 bilhões de litros comercializados no mercado interno, representando um crescimento de 1,15% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
No mercado doméstico, a comercialização de etanol hidratado somou 1,71 bilhão de litros, marcando um aumento de 0,64% em relação à safra passada. Já o etanol anidro, utilizado como aditivo na gasolina, alcançou 996,61 milhões de litros, um avanço de 2,04%.
Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), ressaltou os benefícios da alta nas vendas de etanol para os consumidores. “Desde o início da safra, a economia gerada pelo biocombustível no mercado interno já superou R$ 8 bilhões. Sem o etanol, os consumidores teriam gasto essa quantia a mais para percorrer a mesma distância”, afirmou.
No acumulado desde o início da safra até 1º de março, as unidades do Centro-Sul comercializaram 32,62 bilhões de litros de etanol, com crescimento de 9,54%. O volume de etanol hidratado foi de 20,97 bilhões de litros (+15,92%), enquanto o de etanol anidro totalizou 11,65 bilhões de litros (-0,32%).
Desafios na Moagem de Cana e Produção de Açúcar
Na segunda quinzena de fevereiro, o volume de cana processada nas unidades do Centro-Sul caiu para 282,5 mil toneladas, uma queda significativa em relação às 551,7 mil toneladas do ciclo anterior (2023/2024). No acumulado da safra 2024/2025 até 1º de março, a moagem totalizou 614,69 milhões de toneladas, uma redução de 5,01% em comparação com o mesmo período do ciclo passado, quando a moagem atingiu 647,12 milhões de toneladas.
Em relação à produção de açúcar, na segunda quinzena de fevereiro, as usinas fabricaram 9 mil toneladas do adoçante. No total, desde o início da safra até 1º de março, a produção de açúcar somou 39,82 milhões de toneladas, contra 42,18 milhões de toneladas no ciclo anterior, uma queda de 5,58%.
A produção de etanol nas unidades do Centro-Sul, por sua vez, alcançou 337,8 milhões de litros na segunda metade de fevereiro, sendo 277,5 milhões de litros de etanol hidratado (-8,25%) e 60,3 milhões de litros de etanol anidro (+125,03%). No acumulado do ciclo atual, a fabricação de etanol atingiu 33,91 bilhões de litros, um crescimento de 3,71%, com 21,66 bilhões de litros de etanol hidratado (+9,79%) e 12,26 bilhões de litros de etanol anidro (-5,54%).
“Como era esperado, no período de entressafra, a moagem de cana e a produção de açúcar e etanol ficam praticamente estagnadas”, explicou Rodrigues.
Crescimento na Produção de Etanol de Milho
Em fevereiro, 94,24% do etanol produzido foi originado do milho, com 318,30 milhões de litros fabricados, o que representa um aumento de 8,62% em relação ao mesmo período da safra 2023/2024, quando foram produzidos 293,03 milhões de litros. Desde o início da safra, a produção de etanol de milho chegou a 7,46 bilhões de litros, um crescimento de 30,77% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Mercado de CBios em Expansão
De acordo com dados da B3 até 11 de março, os produtores de biocombustíveis emitiram 7,98 milhões de créditos de descarbonização (CBios) em 2025. O total de créditos disponíveis para negociação, tanto para a parte obrigada quanto não obrigada e os emissores, soma 22,11 milhões de CBios.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Primavera chega terça com previsão de safra recorde mesmo sob ameaça de el niño histórico
Published
14 horas agoon
19 de setembro de 2026By
Da Redação
A primavera começa na noite de terça-feira (22.09) com o plantio da soja 2026/27 já em andamento em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A nova estação encontra o campo sob condições bastante diferentes: enquanto áreas do Sul enfrentam chuva frequente e risco de temporais, parte do Centro-Oeste ainda aguarda umidade suficiente no solo para ampliar a semeadura com segurança.
Nos próximos dias, uma frente fria deve manter o tempo instável no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, com possibilidade de chuva volumosa, rajadas de vento e granizo. A instabilidade também poderá alcançar Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso, Goiás e no interior do Nordeste, a tendência ainda é de calor, baixa umidade e precipitações mais irregulares.
Para o produtor, a principal preocupação não é apenas saber se vai chover, mas se haverá água suficiente no perfil do solo para sustentar a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas. Pancadas isoladas podem molhar apenas a superfície e estimular uma semeadura prematura, seguida por vários dias de calor e tempo seco.
O plantio da safra 2026/27 começa sob um dos cenários climáticos mais contrastantes dos últimos anos. Prognóstico divulgado nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica chuva abaixo da média no Centro-Norte do país e excesso de precipitação no Sul durante a primavera. O El Niño deverá exercer forte influência, mas não será o único fenômeno capaz de determinar onde, quando e com qual intensidade vai chover.
A primavera começa às 21h05 de terça-feira (22), quando a semeadura da soja já estará em andamento em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas de grãos em 2026/27, crescimento de 1,3% sobre o ciclo anterior. O resultado dependerá, em grande medida, da distribuição das chuvas durante a implantação das lavouras.
O prognóstico oficial para outubro, novembro e dezembro aponta déficit de precipitação no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás. No sentido oposto, Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sul de Mato Grosso apresentam condições favoráveis à ocorrência de chuva acima da média. As temperaturas devem permanecer elevadas em praticamente todo o Centro-Oeste, com desvios de até 2 graus Celsius no norte mato-grossense.
Essa diferença dentro de uma mesma região exige decisões localizadas. No norte de Mato Grosso e de Goiás, o risco é iniciar o plantio depois de uma chuva isolada e enfrentar calor intenso ou interrupção das precipitações durante a germinação. Em Mato Grosso do Sul e nas áreas mais ao sul de Goiás e Mato Grosso, a maior disponibilidade de água pode favorecer a soja, embora volumes elevados reduzam os períodos disponíveis para a entrada das máquinas.
O Inmet e o Inpe recomendam o acompanhamento das previsões de curto prazo e da umidade armazenada no solo antes da semeadura. A precaução procura evitar falhas de emergência, formação irregular do estande e necessidade de replantio. A decisão também interfere na janela do milho e do algodão cultivados após a soja.
A estimativa preliminar da Conab aponta 49,3 milhões de hectares de soja, aumento de 1,4%, o menor crescimento percentual da área em duas décadas. A produção pode alcançar 181,6 milhões de toneladas, avanço de 0,7%. Para o milho, considerando as três safras, a projeção chega a 148 milhões de toneladas, alta de 2,8%.
O potencial produtivo existe, mas a margem para erros no calendário é menor. Se o plantio da soja atrasar no Centro-Oeste, parte do milho segunda safra poderá ser semeada fora da janela de menor risco climático. Se a implantação for antecipada sem água suficiente no solo, aumentam as despesas com sementes, combustível, mão de obra e operações de replantio.
No Sul, o problema tende a ser o excesso. O prognóstico aponta chuva acima da média nos três Estados, com acumulados que podem superar o padrão histórico do trimestre em até 200 milímetros no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A condição favorece a disponibilidade de água para as culturas de verão e a recuperação das pastagens, mas pode limitar a entrada de máquinas e prejudicar a uniformidade da semeadura.
No arroz irrigado, o alerta é maior em áreas com drenagem deficiente. A combinação de solos saturados e precipitações frequentes pode comprometer a emergência e o estabelecimento inicial das plantas. Soja e milho também ficam expostos à compactação do solo, erosão, lixiviação de nutrientes e redução dos intervalos disponíveis para aplicações e outros manejos.
A Região Sudeste apresenta um quadro dividido. São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais podem registrar chuva acima da média, com desvios de até 100 milímetros no trimestre. As condições tendem a favorecer a implantação de soja e milho e a recomposição da umidade nos cafezais e pomares.
No norte e noroeste de Minas Gerais e no Espírito Santo, a irregularidade das chuvas, combinada às temperaturas mais altas, eleva o risco para lavouras de sequeiro. O prognóstico recomenda monitoramento diário nas áreas produtoras de soja dessas regiões. Para o café, chuvas bem distribuídas podem favorecer a florada e o pegamento; precipitações isoladas seguidas por novos períodos secos, porém, podem provocar florações desuniformes.
O cenário é mais restritivo no Norte e no Nordeste. A previsão oficial indica déficit de chuva em praticamente toda a Região Norte, com acumulados de até 200 milímetros abaixo da média em áreas de Roraima, Amazonas e Pará. No Nordeste, também predominam volumes inferiores ao padrão histórico, acompanhados por temperaturas que podem superar a média em cerca de 2 graus.
No Matopiba, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a irregularidade das chuvas pode atrasar a semeadura e elevar a demanda de água durante a emergência e o desenvolvimento inicial. Nas propriedades irrigadas, temperaturas maiores aumentam o consumo hídrico. Nas áreas de sequeiro, o risco está na grande diferença de volumes entre localidades próximas e até dentro de uma mesma fazenda.
A preocupação com o El Niño tem base concreta. Segundo a nota técnica conjunta do Inmet e do Inpe, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em 98% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. A projeção considera a possibilidade de a temperatura na região de referência do Pacífico ficar pelo menos 2 graus acima do normal.
A própria avaliação oficial, contudo, adverte que um El Niño mais intenso não produz automaticamente perdas mais graves. O efeito regional depende da interação entre oceano e atmosfera e da atuação de outros sistemas climáticos.
Entre esses fatores estão o Dipolo do Oceano Índico (IOD), o Modo Anular Sul (SAM), também chamado de Oscilação Antártica, e a Oscilação Decadal do Pacífico (PDO). Essas oscilações podem reforçar, deslocar ou reduzir os padrões normalmente associados ao El Niño. A condição do Atlântico também influencia a entrada de umidade no continente e a distribuição das precipitações no Brasil.
Na prática, isso significa que a classificação de “El Niño muito forte” não basta para orientar o plantio de uma propriedade. O produtor precisa acompanhar o comportamento regional das chuvas, o armazenamento de água no solo, a previsão para os dias seguintes e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
O escalonamento da semeadura, a utilização de cultivares com ciclos diferentes, a revisão da drenagem e a regulagem das máquinas ajudam a reduzir a exposição. No Centro-Norte, o cuidado é não confundir uma pancada isolada com o estabelecimento definitivo do período chuvoso. No Sul, a prioridade é aproveitar os intervalos de tempo firme sem entrar em áreas excessivamente úmidas.
A nova temporada começa com perspectiva de outra colheita recorde, mas o volume final não será definido apenas pela força do El Niño. A combinação entre Pacífico, Atlântico, Oceano Índico e circulação atmosférica deverá produzir riscos diferentes entre regiões e até dentro de um mesmo Estado. Mais do que seguir um único indicador, o produtor terá de ajustar o calendário ao que efetivamente ocorrer em sua área.
Fonte: Pensar Agro
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