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Valorização das Terras Agrícolas no Brasil Registra Alta de 113% em Cinco Anos

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De acordo com um estudo realizado pela Scot Consultoria, o preço das terras agrícolas no Brasil teve um crescimento expressivo nos últimos cinco anos, mais que dobrando o seu valor. Entre 2019 e 2024, o valor médio das terras destinadas à agricultura passou de R$ 14.818,10 por hectare, em julho de 2019, para R$ 31.609,87 no mesmo mês de 2024, representando uma alta de 113%. No caso das terras para pastagem, a valorização foi ainda mais significativa, alcançando 116%, com o preço do hectare subindo de R$ 8.267,14 para R$ 17.886,94 no mesmo período.

Esse desempenho fez com que a compra de terras se tornasse um dos investimentos mais rentáveis do Brasil nos últimos anos. Levantamento do Valor Data comparou a valorização das terras com outros ativos financeiros e constatou que, no mesmo intervalo, o Ibovespa teve alta de 25,89%, a poupança, 28,66%, o dólar comercial, 47,27%, e o CDI, 48,79%. Já o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação, registrou 33,63%. A Nota do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), com vencimento em 2029, teve uma rentabilidade de 60,29%, abaixo, porém, do desempenho das terras agrícolas em estados como Santa Catarina e Pernambuco.

Fatores Impulsionadores da Valorização das Terras Agrícolas

Para Daniel Meireles, diretor da Acres, braço do Grupo Safras & Cifras, que trabalha com ativos rurais, a valorização das terras agrícolas no Brasil tem sido contínua, com um aumento de 15% a 20% ao ano entre 2017 e 2022. “A terra é um ativo finito, e com a crescente demanda por alimentos e a limitação da oferta de propriedades rurais, ela se torna uma reserva de valor e uma proteção contra a inflação”, afirma. De acordo com Meireles, os preços das terras dificilmente diminuem, embora o tempo de transação possa variar conforme a oferta e a procura.

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A pesquisa da Scot Consultoria também aponta que, entre 2019 e 2024, os preços médios das propriedades agrícolas mais que dobraram em 11 estados, especialmente nas regiões de fronteira agrícola, onde ainda existem áreas com preços abaixo dos de estados com produção mais consolidada. Rondônia, por exemplo, apresentou a maior valorização, com uma alta de quase 300% nas terras agrícolas e 286% nas áreas de pastagem. Outros estados como Maranhão e Piauí, que fazem parte da região do Matopiba, também registraram altas superiores a 200%. Mesmo no Paraná, onde as terras agrícolas são as mais caras do país, a valorização foi de 107%.

O Impacto da Pandemia e do Câmbio nas Negociações de Terras

A valorização das terras também foi impulsionada pelo aumento das commodities em 2022, em um cenário de escassez global e efeitos da pandemia de Covid-19. “O mercado de terras agrícolas se manteve firme durante esse período, com o aumento da demanda por terras atreladas ao preço das commodities”, explica José Eduardo Daronco, head de relações com investidores da Suno Asset. Ele acrescenta que o câmbio, com a desvalorização do real frente ao dólar, também ajudou a tornar o investimento em terras mais atraente, já que produtos agrícolas como soja, milho e café são cotados em dólares.

Investimentos em Terras Agrícolas e o Fiagro

Em resposta a esse mercado promissor, a Suno Asset lançou um Fiagro (Fundo de Investimento em Agropecuária), cujo objetivo é a valorização patrimonial de fazendas. O fundo, que iniciou com R$ 62 milhões em patrimônio, investe metade desse valor em terras no Mato Grosso, gerando receita por meio de arrendamentos atrelados ao preço da soja. A outra metade do capital está alocada em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), que serão utilizados para implementar sistemas de irrigação nas terras.

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Além disso, a AGBI, gestora especializada em investimentos em terras agrícolas, tem se destacado neste setor. A empresa obteve grandes retornos com o fundo AGBI Nobres, que comprou uma fazenda por R$ 39 milhões e vendeu por R$ 177 milhões, com um Múltiplo sobre Capital Investido (MOIC) de 3,19 vezes, entre 2013 e 2021.

Expectativas para 2025 e o Cenário do Mercado de Terras

Apesar da desaceleração nas negociações de terras observada em 2024, devido à queda nas commodities agrícolas e à redução das safras de grãos, analistas prevêem que os preços das terras continuarão a se valorizar, embora a um ritmo mais moderado em comparação com os picos anteriores. Gustavo Fonseca, sócio da AGBI, acredita que a demanda interna e as exportações de soja, milho, café, carne bovina e açúcar continuarão a atrair investimentos em terras agrícolas de alto potencial produtivo.

Meireles, da Acres, complementa que, em 2025, o mercado de terras deve manter um cenário de cautela, mas com oportunidades, uma vez que o ritmo das transações será influenciado por fatores externos, como a política internacional e as condições climáticas. “Apesar da alta taxa de juros, que pode reduzir o apetite por aquisições voltadas exclusivamente à geração de renda, a atual conjuntura cria espaço para negócios imobiliários estratégicos, com foco em retorno interno”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Semi-hidroponia avança no Brasil e transforma produção agrícola em solos degradados

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Produzir no campo brasileiro tem se tornado cada vez mais desafiador diante das mudanças climáticas, da irregularidade das chuvas e da crescente degradação dos solos. Em culturas mais sensíveis, como as hortaliças, esses fatores elevam os riscos e podem comprometer totalmente a viabilidade econômica das lavouras.

Doenças de solo como murcha bacteriana, fusariose e a presença de nematoides estão entre os principais entraves à produtividade, especialmente em áreas já afetadas. Nesse cenário, soluções inovadoras têm ganhado espaço, com destaque para sistemas de cultivo sem solo, como a semi-hidroponia.

Alternativa sustentável para solos problemáticos

Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que uma parcela significativa dos solos agrícolas do país apresenta algum nível de degradação, o que reforça a necessidade de tecnologias mais adaptáveis e resilientes.

A semi-hidroponia surge como uma evolução dos sistemas hidropônicos tradicionais. Nesse modelo, o solo é substituído por substratos inertes que sustentam as plantas, enquanto a nutrição ocorre por meio da fertirrigação — técnica que permite o fornecimento controlado de água e nutrientes.

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Na prática, o produtor passa a ter maior controle sobre o ambiente de cultivo, reduzindo significativamente os riscos fitossanitários.

“Problemas como murcha bacteriana, fusariose e nematoides são comuns no solo e de difícil controle. Com a semi-hidroponia, é possível praticamente eliminar essas ameaças, mantendo a produtividade”, explica o especialista em agricultura Felipe Vicentini Santi.

Substratos acessíveis e eficientes

Entre as alternativas mais viáveis economicamente, destaca-se a combinação de casca de arroz carbonizada com areia lavada, geralmente na proporção 50/50.

Essa mistura oferece condições ideais para o desenvolvimento das plantas: a casca de arroz contribui para a retenção equilibrada de umidade e aeração das raízes, enquanto a areia favorece a drenagem, evitando o encharcamento — fator diretamente ligado ao surgimento de doenças.

Ganhos em produtividade e uso de recursos

Além de reduzir drasticamente problemas sanitários, o sistema semi-hidropônico apresenta outras vantagens relevantes. Entre elas, a possibilidade de cultivo contínuo ao longo do ano, inclusive em períodos de alta pluviosidade, e a eliminação da necessidade de rotação de culturas.

Outro ponto estratégico é a eficiência no uso de insumos. A fertirrigação permite economia de água e fertilizantes, reduz perdas e minimiza impactos ambientais, tornando o sistema mais sustentável no longo prazo.

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Desafios ainda limitam expansão

Apesar dos benefícios, a adoção da semi-hidroponia ainda enfrenta barreiras. O investimento inicial em infraestrutura e a necessidade de conhecimento técnico para o manejo adequado da irrigação e da nutrição das plantas são os principais desafios apontados.

Em operações de maior escala, questões como custo, logística e acesso à tecnologia também podem dificultar a implementação.

Inovação como caminho para o futuro

Mesmo diante desses entraves, o avanço de sistemas como a semi-hidroponia sinaliza uma transformação importante na agricultura brasileira. Em um cenário de maior instabilidade climática e pressão por produtividade, a adoção de tecnologias que aumentem o controle e a eficiência tende a ser decisiva.

A capacidade de adaptação, aliada à inovação e ao manejo técnico, desponta como o principal diferencial para garantir a sustentabilidade e a competitividade da produção agrícola no país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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