AGRONEGÓCIO
Usuários de iGaming são mais sustentáveis do que jogadores de videogame?
Publicado em
30 de setembro de 2025por
Da Redação
O impacto ambiental dos videogames pode não ser algo que muitos jogadores levem em consideração. No entanto, trata-se de uma questão muito real, já que a tecnologia por trás tanto dos jogos tradicionais quanto do iGaming em cassinos online consome energia — o que significa que ambas as formas geram uma pegada de carbono.
Os videogames tradicionais e o iGaming são indústrias que cresceram substancialmente nas últimas duas décadas. Além do acesso facilitado, uma das principais características dos jogos atuais é a enorme variedade de opções disponíveis. Por exemplo, veja o site Legalbet, uma plataforma especializada em análises de cassinos online legais. Segundo o portal, os melhores sites de jogos de azar oferecem mais de 1.500 slots e 300 mesas com dealers ao vivo. Isso significa que todo tipo de jogador pode encontrar algo que se encaixe em suas preferências. No caso dos jogos para PC, plataformas como a Steam contam com catálogos com mais de 100 mil títulos.
Ainda assim, todas essas opções de jogos online têm um impacto ambiental. A dimensão desse impacto depende de diversos fatores — mas será que jogar em cassinos online é uma maneira significativamente mais ‘sustentável’ de se divertir?
Fontes de energia
O aspecto mais impactante do ponto de vista ambiental nos jogos está relacionado à quantidade de energia utilizada. Isso vai muito além do consumo de eletricidade durante uma sessão de jogo. O quão “sustentável” esse consumo é depende de onde vem essa energia — se de fontes renováveis, como energia eólica ou solar, ou de combustíveis fósseis, que poluem muito mais.
O tipo de equipamento utilizado também influencia: PCs gamer de alto desempenho consomem muito mais energia do que, por exemplo, um notebook básico. Além disso, jogadores de cassino costumam usar o celular para jogar por meio de aplicativos. Jogadores mobile tendem a deixar uma pegada ambiental menor do que jogadores de PC, tanto pelo menor consumo de energia dos dispositivos quanto pelo fato de a fabricação desses aparelhos exigir menos recursos intensivos.
A produção dos componentes também representa um processo que consome muita energia na indústria dos games. Quando alguém adquire um novo console ou computador, há um enorme gasto de matérias-primas e etapas de processamento envolvidos. A extração e o refinamento de metais, bem como a produção de plásticos, geram uma pegada de carbono significativa — e, ao longo da vida útil do produto, isso costuma estar entre os impactos ambientais mais relevantes.
Gamers tradicionais também precisam considerar os processos de fabricação das mídias físicas, embalagens e logística de entrega, que aumentam ainda mais o tamanho da pegada de carbono.
Hardware e eficiência
Quando um jogador acessa um cassino online, não há necessidade de um computador muito potente para rodar slots ou mesas ao vivo. Essa menor exigência de hardware local pode dar ao iGaming baseado em nuvem uma certa vantagem ambiental do ponto de vista do consumidor.
Naturalmente, PCs de alto desempenho exigem hardware mais avançado, mas como os jogos de cassino podem ser acessados diretamente por navegadores compatíveis com HTML5, a demanda de energia do dispositivo usado é baixa. Reduzir a necessidade de equipamentos potentes também contribui, a longo prazo, para a diminuição do lixo eletrônico.
No entanto, mesmo os jogos hospedados na nuvem consomem bastante energia devido ao alto volume de tráfego contínuo de dados — o que significa que os data centers responsáveis pelos servidores dos jogos usam grandes quantidades de eletricidade e água potável. Por isso, a parte mais complexa ao avaliar o que é mais ‘sustentável’ está em entender quão limpo e eficiente é determinado data center.
Padrões de jogo
Os padrões de jogo dos usuários também são um fator importante a ser considerado. Jogar em um cassino online geralmente envolve sessões mais curtas, enquanto jogadores de videogame costumam dedicar várias horas seguidas a jogos de mundo aberto ou com foco em narrativa — especialmente nos finais de semana, quando há mais tempo livre.
Os jogos tradicionais tendem a não prender o jogador a menos que ele invista pelo menos 30 minutos ou até uma hora para realmente se envolver na experiência. Já nos cassinos online, a gratificação costuma ser instantânea, já que cada rodada de caça-níqueis gera um resultado imediato — seja ele vitória ou derrota. Além disso, as sessões de apostas costumam ser mais curtas devido ao limite do saldo disponível, o que pode tornar essa forma de entretenimento mais sustentável, já que menos tempo jogando também significa menos consumo de energia.
Reciclagem e descarte
Nenhum PC ou console dura para sempre, e cada vez que há uma atualização de hardware, isso gera resíduos. Muitos equipamentos de informática e videogames exigem processos de reciclagem especializados para separar componentes como metais — e esses dispositivos não devem simplesmente ser descartados no lixo comum.
Consoles contêm materiais como prata, cobre, ouro e alumínio. Quanto mais esses elementos forem reciclados, menor será o impacto ambiental em comparação com a mineração e o refino de recursos naturais. Já os computadores, além desses metais, também contêm substâncias perigosas como chumbo e mercúrio, que não devem acabar em aterros sanitários.
O lixo eletrônico tornou-se um problema crescente, agravado pelo aumento no uso de computadores, dispositivos e consoles no dia a dia.
A linha verde
Muitos outros fatores influenciam o quão sustentável é o mundo dos jogos, por isso não existe uma resposta simples ou definitiva sobre qual opção é mais “verde”. No entanto, o iGaming hospedado em data centers sustentáveis pode fazer a diferença, já que tem o potencial de reduzir alguns dos impactos mais significativos relacionados aos processos de fabricação de hardware para jogos tradicionais.
Fonte: Link Building
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
China e UE colocam R$ 28 bilhões da carne bovina sob pressão
Published
3 horas agoon
17 de julho de 2026By
Da Redação
A indústria brasileira de carne bovina chega ao segundo semestre com cerca de R$ 28 bilhões em receitas externas sob pressão. A limitação das vendas para a China pode retirar até R$ 22,95 bilhões do faturamento dos frigoríficos, enquanto a falta de uma certificação exigida pela União Europeia ameaça um mercado que movimentou aproximadamente R$ 5,1 bilhões em 2025.
A soma representa a exposição máxima das duas frentes e não uma perda integral já confirmada para 2026. No caso europeu, uma eventual interrupção começaria em setembro e atingiria apenas os embarques realizados depois da entrada em vigor das novas regras. Para a China, o cálculo considera as 748 mil toneladas que podem deixar de ser comercializadas neste ano.
A previsão da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) é que o Brasil envie cerca de 900 mil toneladas de carne bovina aos chineses em 2026. O volume corresponde a pouco mais da metade do recorde de aproximadamente 1,68 milhão de toneladas registrado no ano passado.
A redução decorre da salvaguarda adotada pelo governo chinês para proteger seus pecuaristas. O Brasil recebeu uma cota de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas para 2026. A carne que ultrapassar esse limite estará sujeita a uma tarifa adicional de 55%, cobrança que praticamente inviabiliza a operação.
A cota não considera apenas o momento em que a carga deixa os portos brasileiros. Produtos embarcados no fim de 2025, mas desembarcados na China neste ano, também foram contabilizados no limite de 2026. Por isso, mesmo que as exportações brasileiras não atinjam fisicamente 1,1 milhão de toneladas neste ano, o espaço comercial já pode estar esgotado.
Entre janeiro e junho, o Brasil embarcou 794,6 mil toneladas aos chineses. A indústria acelerou as vendas no primeiro semestre para aproveitar a tarifa regular de 12% antes do preenchimento da cota. Esse movimento aumentou a procura pelo produto e contribuiu para elevar os preços recebidos pelos exportadores.
Com o limite praticamente consumido, frigoríficos suspenderam em julho a produção de alguns cortes destinados especificamente ao mercado chinês. As empresas aguardam o balanço oficial das autoridades de Pequim para confirmar quanto da cota ainda está disponível.
A expectativa é retomar parte dos embarques a partir da segunda quinzena de novembro. Como a viagem marítima leva aproximadamente 40 dias, a carne chegará à China em 2027 e será contabilizada na cota do próximo ano.
A perda potencial de 748 mil toneladas foi calculada com base no preço médio de cerca de R$ 31,1 mil por tonelada registrado no primeiro semestre. Isso resulta em impacto de até R$ 22,95 bilhões. O valor é superior à projeção feita no início do ano, quando se estimava uma redução de R$ 15,3 bilhões.
O problema chinês coincide com o risco de interrupção das vendas para a União Europeia a partir de 3 de setembro. O bloco retirou temporariamente o Brasil da relação de países considerados aptos a comprovar o cumprimento das novas exigências sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
Antimicrobianos são medicamentos utilizados para combater microrganismos, como bactérias, fungos e parasitas. Na pecuária, parte dessas substâncias é empregada no tratamento e na prevenção de doenças. Outras podem ser utilizadas para melhorar o desempenho ou a eficiência produtiva dos animais.
A regra europeia não proíbe todo tratamento veterinário. A restrição alcança o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento ou para aumento de rendimento, além de determinadas substâncias reservadas ao tratamento de infecções em seres humanos. O objetivo declarado é reduzir o risco de resistência microbiana.
O impasse brasileiro está na comprovação. Para continuar exportando, o país precisa oferecer garantias oficiais de que os animais e os produtos enviados ao bloco atendem às regras durante todo o processo produtivo. A União Europeia informou que ainda não recebeu documentação suficiente para manter o Brasil na lista de fornecedores autorizados.
Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente 128 mil toneladas de carne bovina ao bloco europeu, com receita próxima de R$ 5,1 bilhões. O mercado representa cerca de 6% das vendas externas do setor, mas compra cortes de maior valor que não encontram a mesma demanda na Ásia.
Segundo especialistas da indústria, a União Europeia também funciona como uma referência sanitária e comercial. Uma suspensão pode afetar a imagem da carne brasileira e influenciar exigências adotadas por outros compradores, mesmo que o volume diretamente envolvido seja menor que o destinado à China.
O governo brasileiro tenta negociar um período de transição e apresentar um sistema de controle capaz de atender às autoridades europeias. Também está em discussão a possibilidade de restringir nacionalmente algumas substâncias, mas produtores se opõem a uma proibição ampla que alcance medicamentos autorizados e utilizados com orientação veterinária.
Uma interrupção prolongada pode levar até dois anos para ser completamente revertida. Esse período corresponde, aproximadamente, ao intervalo entre o nascimento e o abate de bovinos que precisariam ser acompanhados desde o início da vida para comprovar o atendimento integral ao novo protocolo.
A perda simultânea de espaço na China e na Europa reduz a capacidade de escoamento da produção brasileira. Outros destinos podem aumentar suas compras, mas especialistas avaliam que nenhum mercado reúne escala suficiente para absorver rapidamente o volume retirado pelos chineses.
A Abiec trabalha com uma queda de 10% nas exportações totais de carne bovina em 2026. O Brasil vendeu 3,5 milhões de toneladas no ano passado. Se a projeção se confirmar, os embarques deste ano ficarão próximos de 3,15 milhões de toneladas.
A indústria já ajusta a produção à menor demanda. Frigoríficos adotaram férias coletivas, redução de jornadas, diminuição do número de abates e, em alguns casos, cortes de trabalhadores. As dificuldades atingem empresas de diferentes tamanhos e podem acelerar aquisições de unidades menores por grupos mais capitalizados.
Para o pecuarista, o primeiro efeito tende a ser menor disputa pelos animais e pressão sobre a arroba. A carne que deixa de ser exportada pode aumentar temporariamente a oferta no mercado interno. Esse movimento, porém, não significa necessariamente preços baixos por um período prolongado.
Com margens menores e custos ainda elevados, os frigoríficos podem reduzir abates e produção. A diminuição posterior da oferta criaria um efeito inverso e poderia voltar a elevar os preços da carne ao consumidor. O tamanho dessa reação dependerá do resultado das negociações com a União Europeia e da capacidade brasileira de encontrar novos compradores para substituir parte das vendas à China.
Fonte: Pensar Agro
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