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USDA reduz superávit internacional de 6,77 para 5,03 mt

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Demanda deve avançar 2,12 mt ao sair de 176,30 para 178,43 mt entre a safra passada e a atual que começou agora em outubro; USDA destaca produção da Europa e evita comentar saldo global; Estoques internacional devem ter forte nível de queda ao longo da safra nova

Os dados mais recentes do segundo relatório semestral do USDA relativos a estimativa anual para a safra 2023/24 publicado no dia 21 de novembro mostram um cenário muito divergente entre as estimativas da Secretaria de Agricultura dos Estados Unidos e o restante do mercado internacional. Vários agentes externos estimam déficits no saldo de balanço entre a oferta e demanda mundial de açúcar, o qual é liderado pela Organização Internacional do Açúcar [ISO] que aponta atualmente um déficit de 2,1 milhões de toneladas. Já o USDA, com seus dados mais recentes do segundo reporte semestral de novembro, seguem apontando um saldo positivo de 5,03 milhões de toneladas o qual destoa gravemente do saldo da ISO que é negativo em 2,1 milhões de toneladas.

É interessante notar que o saldo do USDA era maior em seu reporte de maio deste ano [o primeiro semestral de 2023], oscilando em 7,83 milhões de toneladas. Porém o mercado segue claramente cético com as estimativas do USDA mesmo com o ajuste negativo de 35,81% no saldo de superávit de maio para novembro, com queda absoluta de 2,80 milhões de toneladas que reduziu a estimativa de superávit de 7,83 para 5,03 milhões de toneladas. Prova disto é que no dia seguinte a publicação do reporte do USDA [porque este fora publicado após o fechamento do mercado do dia 21 de novembro] os preços da commodity em Nova York, com base no atual driver Março/24, despencaram 1,90%, dando uma clara responda sobre a percepção dos agentes frente aos novos dados do USDA.

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A interpretação que ficou é que o recuo de 2,80 milhões de toneladas no saldo superavitário de açúcar passou longe de “assustar” o mercado, visto que os volumes ainda se mostram excessivamente superavitários em 5,03 milhões de toneladas, destoando exponencialmente em mais de 7 milhões de toneladas entre as realidades de mercado observadas pela ISO e pelo USDA [diferença entre os saldos de ambos]. Logo, o questionamento não foi apenas pela manutenção do saldo positivo, mas pela intensidade do mesmo, visto que se o USDA se mantivesse positivo ainda que marginalmente acima da zona de neutralidade, o mercado retomaria parte da credibilidade nos dados da secretaria.

Outro ponto importante foi a queda forte nos estoques internacionais. Segundo o USDA, entre as safras 2022/23 e 2023/24, os estoques iniciais deverão recuar 11,90 milhões de toneladas [-26,24%] ao sair de 45,35 para 33,45 milhões de toneladas. Quase a metade do ajuste de baixa destes estoques já havia sido realizada no reporte de maio quando até então o USDA estimava 38,86 milhões de toneladas, os tendo ajustado negativamente em 5,40 milhões de toneladas. Já os estoques finais da temporada nova 2023/24 deverão ter fortes ajustes de baixa na safra, recuando 5,18 milhões de toneladas [-13,33%] ao sair de 38,86 para 33,68 milhões de toneladas. Apesar disto a SAFRAS & Mercado alerta que, segundo os dados do USDA, o desenvolvimento da safra corrente 2023/24 deverá apresentar crescimento nos estoques, visto que estes devem iniciar a temporada em 33,45 e finalizar o período em 33,68 milhões de toneladas.

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Aqui a SAFRAS & Mercado alerta para outra divergência frente ao comportamento das três principais origens produtoras, sendo que a Índia e a Tailândia possuem quebra em suas safras e o Brasil possui alta de produção, mas excesso de chuvas que dificulta a colheita e atrapalha o escoamento dos embarques, destoando de um cenário de avanço dos estoques dentro da temporada na faixa ainda que marginal de 226 mil toneladas [+0,68%] dentro da temporada. Mesmo assim, os preços do açúcar em Nova York recuando em quase 2,0% no day after da publicação do USDA, reforçou a leitura de que o mercado não tem mantido em crédito as projeções mais recentes do USDA, tanto para o saldo do balanço de oferta e demanda quanto para os estoques.

Maurício Muruci – Analista pela Safras & Mercado, atua há 12 anos em análise econômica e de mercados agrícolas. Graduando em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Fonte: Agência Safras

Fonte: Portal do Agronegócio

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Primavera começa com previsão de excesso de chuva no Sul e seca no Centro-Norte

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A primavera começa nesta terça-feira (22), às 21h05, dividindo o Brasil entre dois extremos climáticos. Enquanto o Sul deverá enfrentar chuva acima da média, temporais e dificuldades para colocar máquinas no campo, áreas do Norte, Nordeste e do norte do Centro-Oeste poderão conviver com calor mais intenso, precipitações irregulares e redução da umidade do solo.

O cenário consta do prognóstico elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A previsão abrange outubro, novembro e dezembro e indica 98% de probabilidade de um El Niño muito forte nesse período. A primavera termina em 21 de dezembro.

No Sul, a chuva deverá superar a média histórica nos três estados. Os maiores excessos são esperados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde os acumulados do trimestre podem ficar até 200 milímetros acima do normal. No Paraná, os volumes também tendem a ser elevados, especialmente durante a passagem de frentes frias e a formação de áreas de instabilidade.

O produtor deverá enfrentar intervalos menores para semear soja e milho, aplicar defensivos e realizar outros trabalhos mecanizados. O solo encharcado impede a entrada das máquinas, favorece a compactação e pode comprometer a emergência das plantas. Se a chuva ocorrer logo depois da semeadura, também existe risco de erosão, formação de crostas superficiais e perda de sementes e fertilizantes.

A umidade favorece o desenvolvimento inicial das culturas de verão e a recuperação das pastagens, mas o excesso pode atrasar o calendário. Isso preocupa especialmente os agricultores que precisam colher a soja cedo para preservar a janela do milho e do algodão de segunda safra.

As lavouras de trigo ainda não colhidas no Paraná e no Rio Grande do Sul também exigirão atenção. Chuva durante a maturação pode reduzir o peso hectolítrico, a força do glúten e a qualidade do cereal destinado à panificação. No arroz irrigado, áreas com drenagem deficiente poderão apresentar excesso de água durante a implantação.

Além do volume, o Sul terá risco mais elevado de tempestades severas. A combinação de calor, umidade e passagem de frentes frias favorece chuva intensa em curto período, descargas elétricas, rajadas de vento e granizo. Esses eventos podem causar acamamento de lavouras, danos a estruturas rurais e interrupções no fornecimento de energia e nas estradas de acesso às propriedades.

No Centro-Oeste, a previsão apresenta diferenças importantes. Mato Grosso do Sul, o sul de Goiás e o sul de Mato Grosso devem receber volumes mais elevados, condição que pode beneficiar o plantio e o estabelecimento inicial da soja. Nessas áreas, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo firme sem entrar em solos excessivamente úmidos.

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No centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás, a tendência é oposta. A chuva deverá ficar abaixo da média e as temperaturas permanecerão elevadas, com desvios que podem chegar a 2 graus no norte mato-grossense. O calor aumenta a perda de água do solo e exige cautela antes do plantio.

Nessas regiões, uma chuva isolada não deve ser interpretada como instalação definitiva do período úmido. Sem precipitações regulares nos dias seguintes, a semente pode germinar e encontrar solo seco durante a emergência, aumentando as falhas no estande e a necessidade de replantio. A recomendação é acompanhar a umidade em profundidade e as previsões de curto prazo, em vez de decidir apenas pelo primeiro volume registrado.

No Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais deverão receber chuva acima da média, com excessos de até 100 milímetros no trimestre. A condição tende a favorecer a implantação de soja e milho, a recuperação dos reservatórios e o desenvolvimento da cana-de-açúcar e da horticultura.

O excesso de umidade, porém, poderá reduzir o ritmo da colheita da cana, dificultar aplicações e ampliar a pressão de doenças. Nas áreas de café, chuva bem distribuída favorece a abertura e o pegamento das floradas, mas temporais, granizo e longos períodos de umidade podem provocar danos e aumentar a necessidade de controle fitossanitário.

O norte e o noroeste de Minas Gerais, além de grande parte do Espírito Santo, deverão enfrentar chuva mais irregular. No território capixaba, o déficit pode chegar a 50 milímetros. A combinação com temperaturas acima da média tende a aumentar a necessidade de irrigação e os cuidados com café, frutas, pastagens e produção animal.

O Norte deverá concentrar uma das situações mais preocupantes da estação. A previsão indica chuva abaixo da média em praticamente toda a região. Roraima, o norte e o nordeste do Amazonas e áreas do oeste e centro-sul do Pará podem acumular até 200 milímetros menos que o normal.

Com temperaturas até 2 graus acima da média, o solo poderá perder umidade mais rapidamente. O cenário aumenta o risco para soja, milho, arroz de terras altas, feijão, mandioca, banana e cacau, além de reduzir a capacidade de recuperação das pastagens e elevar a necessidade de água para os rebanhos.

No Nordeste, também deverá predominar o déficit de chuva. A exceção pode ocorrer em trechos da faixa leste, entre Rio Grande do Norte e Alagoas, onde os volumes podem ficar ligeiramente acima da média.

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O maior cuidado estará no Matopiba, fronteira agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A irregularidade da chuva e o calor poderão atrasar a semeadura, dificultar a emergência da soja e aumentar o consumo de água nas áreas irrigadas. Pastagens também poderão apresentar menor rebrota e menor disponibilidade de forragem.

A previsão sazonal mostra uma tendência para o conjunto da primavera e não significa que choverá continuamente no Sul ou que todos os municípios do Centro-Norte enfrentarão seca. A distribuição pode variar dentro de um mesmo estado e até entre propriedades próximas.

Para o produtor, a principal orientação será ajustar o calendário às condições efetivamente observadas no solo. No Sul, isso significa aproveitar os intervalos secos e reforçar drenagem, conservação do solo e proteção das estruturas. No Centro-Norte, a cautela será confirmar a regularidade das chuvas antes de acelerar a semeadura.

Na avaliação de Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o clima se soma aos custos elevados, ao crédito restrito e às oscilações do mercado entre os principais riscos assumidos pelo produtor a cada safra.

“O agricultor planeja a lavoura, investe em sementes, fertilizantes, máquinas e mão de obra, mas continua dependendo de uma variável que não controla. Uma chuva que atrasa, um excesso de precipitação ou um temporal de poucos minutos pode comprometer o trabalho e o investimento de muitos meses”, afirma.

Segundo Rezende, a maior frequência de extremos exige mais planejamento e capacidade de adaptação. “As mudanças do clima deixaram de ser uma discussão distante. O produtor já percebe períodos mais longos de seca, chuvas concentradas, calor intenso e dificuldade para definir a melhor janela de plantio. Isso exige informação meteorológica confiável, manejo adequado do solo, seguro rural e assistência técnica”, diz.

Para ele, a adaptação não pode ser atribuída exclusivamente ao agricultor. “O campo precisa de sistemas de alerta, pesquisa, crédito para irrigação e armazenagem de água, conservação de estradas e um seguro rural que funcione. O produtor pode adotar tecnologia e melhorar o manejo, mas não conseguirá enfrentar sozinho uma realidade climática cada vez mais instável”, conclui.

A primavera deverá oferecer água suficiente e até excessiva em parte das principais regiões produtoras, mas manterá áreas importantes sob risco de déficit hídrico. Mais do que o total acumulado, a distribuição da chuva definirá o resultado da safra 2026/27.

Fonte: Pensar Agro

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