AGRONEGÓCIO

USDA: liderança do Brasil na exportação mundial de carne de frango se amplia no quinquênio pandêmico

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Comparativamente a 2020 (o ano mais desafiador do mundo moderno), as exportações mundiais de carne de frango devem – nas projeções do USDA – chegar aos 13,9 milhões de toneladas em 2024, aumentando pouco mais de 6%.

Nesse contexto, a previsão para o Brasil é a de um volume muito próximo dos 5 milhões de toneladas (resultado que – fique claro desde já – não inclui as exportações de pés/patas de frango), o que significa aumento de 27% – média de pouco mais de 6% ao ano. Ou seja: o incremento anual brasileiro é o mesmo acumulado mundialmente no quinquênio.

Acima do crescimento brasileiro apenas o da China: mais de 40% no período, perto de 10% ao ano. Mas o adicional chinês nesse quinquênio (cerca de 160 mil toneladas a mais) corresponde a apenas 15% do adicional brasileiro, cujas exportações devem passar de 3,875 milhões de toneladas (2020) para 4,925 milhões de toneladas neste ano (adicional de 1,050 milhão de toneladas).

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Situação semelhante deve ser experimentada pelas exportações tailandesas: crescem em nível não muito distante do brasileiro: perto de 5% ao ano. Mas continuam representando menos de um quarto do total exportado pelo Brasil.

Quem deve permanecer em relativa estabilidade por todo o quinquênio são os EUA: cerca de 3,3 milhões de toneladas entre 2020 e 2024. Mas o apontado pelo USDA para este ano representa queda de 2% em relação a 2020.

Mais significativa, porém, deve ser a redução enfrentada pela União Europeia, superior a 15%. Seria o caso de imaginar, aqui, que isso ocorreu por conta do Brexit. Mas a saída do Reino Unido do bloco ocorreu em janeiro de 2020. Além disso, as exportações britânicas recuaram, até o ano passado, mais de 50%. Se fossem inclusas nos números da UE, a queda das exportações do bloco seria superior a 20%.

Por fim, deve cair também o volume exportado pelos demais exportadores. O previsto em 2024 pelo USDA para eles é algo próximo dos 2,3 milhões de toneladas, 46% do que deve ser exportado pelo Brasil. Mas esse volume, embora em recuperação em relação a 2023, representa queda de quase 9% sobre as exportações de 2020.

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Fonte: AviSite

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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