AGRONEGÓCIO

USDA: Atualizações dos balanços de O&D de milho e soja dos EUA

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A Hedgepoint Global Markets aborda, em relatório, as últimas semanas que foram extremamente importantes para as safras de soja e milho dos EUA. “O mercado climático ainda está desempenhando um papel fundamental no mercado e a China começando a desempenhar um papel fundamental no mercado físico, espera-se um mercado ativo para junho”, diz Ignacio Espinola, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

Soja

Segundo Ignacio, “por um lado, o Real mais baixo e um nível forte para os futuros de soja na CBOT reduziram a competitividade dos EUA em relação aos concorrentes no Brasil. Além disso, o fato de a China comprar mais produtos de origem brasileira e reduzir suas compras dos EUA deve pressionar Chicago a ajustar os preços”.

O ritmo das exportações de soja dos EUA está aquém das estimativas do USDA, bem como atrás da safra 22/23.

Cenários de milho e soja para 24/25

Para o milho, o USDA projetou um cenário semelhante ao da safra anterior, com uma oferta total de 429,5M ton, níveis de exportação semelhantes, consumo doméstico e ração quase inalterados e um nível semelhante de estoques finais.

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“A história do milho agora se concentra na América do Sul, com os diferentes problemas climáticos e o grande ponto de interrogação sobre as safras finais da Argentina e do Brasil”, observa o analista.

E segue: “Esse cenário estável contrasta com o cenário da soja, em que o USDA está esperando uma oferta total 8% maior, com um aumento de 5% na demanda total e um aumento nos estoques finais, o que indica que haverá bastante soja para o mercado usar e, portanto, não devemos nos surpreender se virmos muitas operações do lado baixista do mercado depois desses últimos números”.

O clima nos EUA continua normal, com alguns problemas potenciais

Com as chuvas recentes, praticamente não há área sob seca ou estiagem. Entretanto, espera-se que a maioria dos estados produtores receba chuvas abaixo da média, juntamente com um verão mais quente, o que pode ajudar no trabalho de plantio, mas também pode deixar o solo seco para a fase de desenvolvimento das culturas.

Em conclusão, o USDA parece ter números e expectativas estáveis para a soja, em linha com o mercado em termos de números. Para o milho, o USDA parece continuar superestimando os números, mantendo uma visão muito otimista.

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Com relação ao clima, para os EUA não deve haver nenhum grande problema, mas devemos ficar de olho no clima da América do Sul nas próximas semanas. Ainda há problemas com inundações que podem afetar as safras, desde a produtividade até problemas de qualidade.

“Há comentários no mercado de que alguns silos de grãos foram afetados, aumentando o teor de umidade para quase 30% (o teor máximo de umidade para exportação é de 14%), o que poderia assustar potenciais compradores ou aumentar o preço FOB devido ao uso de secadores”, conclui.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.

A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.

Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.

A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.

O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.

Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.

A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.

Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.

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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.

“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.

Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.

Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.

Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.

Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.

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As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.

Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.

Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.

A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.

A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.

Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.

Fonte: Pensar Agro

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