AGRONEGÓCIO

Unica Defende Adoção Imediata de 30% de Etanol na Gasolina Antes da Elevação para 35%

Publicado em

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) propõe um cronograma escalonado para a elevação do teor máximo de etanol anidro na gasolina tipo C, defendendo a adoção inicial de uma mistura de 30%, seguida pela autorização para 35%. Durante um workshop promovido pelo Ministério de Minas e Energia, Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da Unica, destacou a importância de realizar estudos de viabilidade técnica de forma cautelosa. “Não queremos que nosso produto cause danos ao consumidor, por isso, é fundamental que a implementação do E30 seja feita de forma rápida, já que testes anteriores validaram essa mistura. Propomos um cronograma reduzido para a adoção do E30 e um cronograma otimizado para o E35, que assegure uma avaliação precisa”, afirmou.

Segundo Rodrigues, os testes realizados em 2014 pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmaram a viabilidade da mistura de 30%, sendo necessários testes adicionais para incluir uma margem de tolerância e avaliar a dispersão da mistura. “Iniciando com 30%, poderemos gerar impactos ambientais positivos na descarbonização da matriz energética em um curto espaço de tempo, antes de avançar para 35% e garantir a segurança necessária aos consumidores,” observou.

A Lei do Combustível do Futuro, sancionada recentemente pelo governo, permite o aumento do teor máximo de etanol anidro na gasolina tipo C de 27% para 35% (E35) e do percentual mínimo de 22% para 27%. A implementação do aumento do teor de etanol na gasolina, conforme estipulado pela lei 14.993/2024, está condicionada à regulamentação técnica da mistura, à avaliação de viabilidade técnica e à definição do teor pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Leia Também:  Desempenho exportador das carnes na primeira quinzena do mês de junho

O setor produtivo acredita que a adoção do E30 pode ocorrer já na safra de cana-de-açúcar de 2025/26, que se inicia em abril de 2025, dependendo da realização de testes técnicos de desempenho complementares em colaboração com a indústria automotiva e outros consumidores. Rodrigues ressaltou que há capacidade imediata de atender tanto à demanda por E30 quanto por E35. Atualmente, o consumo nacional de gasolina tipo C é de aproximadamente 45 bilhões de litros, com 12 bilhões de litros de etanol anidro e 33 bilhões de litros de gasolina tipo A. A implementação do E30 aumentaria a demanda por etanol anidro em 1,4 bilhão de litros, com um adicional de 2,3 bilhões de litros para o E35. “A simples expansão da produção de etanol de milho entre os dois últimos anos já compensa esse aumento,” destacou.

A capacidade instalada das usinas de etanol é de 150 mil litros por dia, abrangendo a produção de etanol de cana-de-açúcar, etanol de milho e usinas flex. “Operando a 80% dessa capacidade, poderíamos atingir o volume necessário para o E35 em menos de seis meses de safra, o que é mais do que suficiente para atender o incremento na mistura. Atualmente, não há restrições para a produção de etanol anidro, que está em crescimento com 60 projetos em andamento. Apenas esses projetos em expansão resultam em um aumento anual de 20% na capacidade, além da expansão descentralizada,” acrescentou Rodrigues.

Leia Também:  John Deere registra avanços em conectividade, sustentabilidade e diversidade no Relatório de Impacto Empresarial de 2023

De acordo com dados da Unica, a adoção do E30 evitaria a emissão de 3,1 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano a partir da gasolina C, enquanto o E35 poderia evitar a emissão de 8,4 milhões de toneladas anuais. “O impacto é considerável, com um custo relativamente baixo, especialmente com a perspectiva de uma alíquota única de etanol resultante da reforma tributária. Historicamente, há potencial para redução de preços com um maior uso de etanol na gasolina,” concluiu Rodrigues. Com a implementação do E30, o Brasil deixaria de importar US$ 730 milhões em gasolina anualmente, e essa economia saltaria para US$ 1,95 bilhão com a adoção do E35, conforme as informações da Unica.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro

Published

on

A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.

Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.

A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.

Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.

O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.

O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.

Leia Também:  Etanol e gasolina fecham outubro com queda de 1% no Brasil, diz ValeCard

No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.

Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.

Combustível entra na mesma pressão

A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.

Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.

Leia Também:  'Difícil de entender', diz prefeita sobre eleições antes da Olimpíadas

A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.

O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.

Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.

O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.

Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA