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Uma nova abordagem no controle de doenças de plantas

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Não basta produzir, tem que ser sustentável. Esse será o princípio básico da agricultura do futuro em que, além do desafio de fornecer produtos agrícolas para atender as necessidades dos consumidores, deve caracterizar-se por utilizar sistemas de produção integrados por tecnologias sustentáveis.

Atender a demanda de 10 bilhões de pessoas, em 2050 já não seria fácil. À vista do esgotamento das áreas férteis e das restrições impostas pelas mudanças climáticas, o desafio se potencializa. Será necessário aumentar a produtividade dos cultivos em índices compatíveis com a demanda e as restrições.

Para tanto será necessário investimento intenso e continuado em Pesquisa e Desenvolvimento de novas tecnologias. Atenção especial deve ser dada à geração de genótipos mais produtivos, e em tecnologias que eliminem ou mitiguem estresses bióticos e abióticos, para permitir que o potencial produtivo das culturas se expresse.

Um dos estresses com maior potencial para reduzir a produtividade das culturas é o ataque de pragas. Desenvolver novas técnicas para controle de pragas, intrinsecamente sustentáveis, é um dos desafios da moderna Ciência Agronômica.

Alvos para controle

Os aspectos biológicos e ecológicos de fungos, oomicetos e bactérias fitopatogênicas, sua morfologia e suas estratégias de infecção e desenvolvimento no hospedeiro apresentam determinado grau de heterogeneidade. Assim, os pesticidas necessitam diversificar seus alvos, porém não pode haver grande dispersão, a ponto de se tornarem excessivamente específicos.

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Destarte, frequentemente os alvos são processos celulares básicos, posto que semelhantes entre os diferentes patógenos de plantas. Como tal, as substâncias utilizadas para seu controle miram enzimas que desempenham um papel no metabolismo dos patógenos como síntese de ácidos nucleicos, respiração, divisão celular e outros processos celulares essenciais.

No entanto, o conhecimento sobre os alvos moleculares ainda permanece parcialmente obscuro, levando a efeitos não desejados dos produtos utilizados, além de promoverem o desenvolvimento de resistência ao longo do tempo, o que pode resultar em redução da sua eficiência e, no limite, à ineficiência.

Isso posto, é importante a pesquisa por novas tecnologias de controle de pragas, que diversifiquem os alvos e os modos de ação, para propiciar condições para a expressão do potencial produtivo dos cultivos. Ademais, além de diversificar e apresentar elevado grau de eficiência, as novas tecnologias necessitam ser intrinsecamente sustentáveis, com o menor impacto possível sobre a biodiversidade

Tecnologia

No bojo da diretriz acima, cientistas dos Institutos Max-Planck de Ciências Multidisciplinares (mpinat.mpg.de/en) e de Pesquisa de Melhoramento de Plantas (mpipz.mpg.de/en) identificaram compostos com alta funcionalidade e baixa toxicidade, e que apresentam potencial para serem usados para proteção de plantas às infecções de patógenos. Comandados pela Dra. Irene Riera-Tur, a equipe de cientistas investigou proteínas que causam defeitos lisossômicos em patógenos, prevenindo que os mesmos infectem plantas

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Os patógenos de plantas produzem proteínas autoagregantes semelhantes às proteínas amiloides, que contribuem para a formação de estruturas extracelulares, como paredes celulares, estruturas de adesão a superfícies biológicas e outras estruturas de infecção – como biofilmes – relacionadas à patogenicidade. Os cientistas do Max Planck identificaram e caracterizaram compostos que inibem a agregação de proteínas do tipo amilóide, que apresentam efeitos significativos no crescimento de patógenos de plantas (life-science-alliance.org/content/5/3/e202101185).

Pelo seu modo de ação, espera-se que apresentem elevada especificidade para patógenos, aliada à baixa toxicidade humana e à biodiversidade em geral. Igualmente, espera-se uma baixa probabilidade de induzir o desenvolvimento de resistência nos patógenos e são, portanto, altamente adequados como base para o desenvolvimento de novos pesticidas para a proteção de doenças de plantas.

O exposto mostra como a Ciência pode contribuir para resolver desafios que, concomitantemente, signifiquem uma solução eficiente e factível para um problema, ao tempo em que alia a temática da sustentabilidade e da inocuidade para a biodiversidade.

Por Décio Luiz Gazzoni, Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja e membro do Conselho Científico Agro Sustentável e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica

Fonte: CCAS

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Exportações de café do Brasil devem bater recorde em 2026/27, projeta Eisa

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As exportações brasileiras de café devem atingir um novo recorde na safra 2026/27 (julho a junho), impulsionadas pela expectativa de uma colheita considerada a maior da história do país. A projeção é do diretor comercial da exportadora Eisa, uma das maiores do setor global.

O cenário positivo é sustentado pelo avanço da colheita atual e pela perspectiva de forte disponibilidade de grãos nos próximos meses, o que deve ampliar os embarques e reforçar a posição do Brasil como líder mundial na produção e exportação de café.

Safra recorde deve impulsionar volume exportado

Segundo o diretor comercial da Eisa, Carlos Santana, o país vive um momento de forte otimismo no setor.

“Estamos bastante otimistas. Muito provavelmente o Brasil vai ter a maior safra da história. E isso rapidamente a gente vai começar a ver nos embarques, talvez em julho ou agosto”, afirmou durante o Seminário Internacional do Café, em Santos.

A avaliação é de que o aumento da oferta deve se refletir de forma mais intensa ao longo da safra 2026/27, com potencial de recorde nas exportações brasileiras.

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Colheita avança e já sinaliza safra robusta

O Brasil, maior produtor e exportador global de café, já iniciou a colheita da safra 2026/27, com cerca de 5% da produção colhida até o momento.

O destaque inicial fica para o café canéfora (robusta e conilon), com avanço dos trabalhos principalmente em Rondônia e no Espírito Santo, regiões que tradicionalmente antecipam a colheita em relação ao café arábica.

Estoques globais baixos podem ampliar demanda por café brasileiro

De acordo com o setor exportador, a entrada da nova safra brasileira deve contribuir para a recomposição dos estoques globais, que atualmente se encontram em níveis reduzidos.

Esse movimento tende a favorecer a demanda pelo café brasileiro nos próximos meses, com expectativa de embarques mais fortes especialmente no segundo semestre de 2026.

A combinação entre alta produção, recomposição de estoques e demanda internacional aquecida deve sustentar um cenário positivo para as exportações, com possibilidade de “surpresas positivas” no desempenho do país no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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