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Trump planeja pacote bilionário de ajuda a agricultores afetados por guerra comercial com a China

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Governo americano prepara novo pacote de auxílio ao setor agrícola

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estuda lançar um pacote de ajuda bilionário voltado aos agricultores afetados pela guerra comercial entre Washington e Pequim. De acordo com informações da CNN e da Associated Press (AP), o valor do auxílio deve ficar entre US$ 10 bilhões e US$ 14 bilhões, visando compensar as perdas provocadas pelas tarifas impostas por ambos os países.

O foco principal do programa será os produtores de soja, setor mais atingido desde que a China suspendeu a compra do grão americano em retaliação às medidas tarifárias adotadas por Trump.

Soja é o principal impacto da disputa comercial

A soja, maior produto de exportação dos Estados Unidos, responde por cerca de 14% das vendas externas do país, segundo dados da Associated Press. Nos últimos anos, a China foi responsável por 25% das compras da soja americana, consolidando-se como seu principal mercado consumidor.

Desde abril, o governo chinês impôs tarifas de 20% sobre o produto americano, o que levou à interrupção total das importações. A última remessa comprada pela China foi registrada em maio, e nenhuma carga da safra atual — iniciada em setembro — foi embarcada.

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Trump promete apoio e reforça críticas à China

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à CNBC que o governo anunciará nesta terça-feira (6) um “apoio substancial” aos agricultores, com destaque para os produtores de soja.

Na véspera, Donald Trump utilizou suas redes sociais para criticar a postura da China e garantir que os agricultores americanos não serão deixados para trás.

“Os agricultores de soja do nosso país estão sendo prejudicados porque a China, por motivos apenas de negociação, não está comprando”, escreveu o presidente.

Trump acrescentou que o dinheiro arrecadado com as tarifas cobradas sobre produtos chineses será parcialmente destinado para compensar as perdas do setor agrícola.

O republicano também revelou que deve se reunir com o presidente chinês Xi Jinping nas próximas semanas, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), marcada para o fim de outubro, na Coreia do Sul. Segundo ele, a soja estará entre os principais temas da conversa.

Produtores pedem acordo antes da próxima safra

De acordo com a Associação Americana de Soja (ASA), os Estados Unidos produziram US$ 60,7 bilhões em soja na safra 2022-2023, sendo que mais da metade da produção foi destinada à exportação. O estado de Illinois lidera o ranking nacional, seguido por Iowa, Nebraska e Minnesota.

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O presidente da ASA, Caleb Ragland, agricultor do estado de Kentucky, alertou que o tempo para um acordo comercial está se esgotando. Segundo ele, a China já garantiu compras de soja do Brasil e da Argentina até dezembro e pode deixar de adquirir a safra americana caso as negociações não avancem rapidamente.

“Se eles tiverem mais alguns meses, já comprarão a nova safra do Brasil e da Argentina e vão nos deixar de lado, se não tomarmos cuidado”, afirmou Ragland à AP.

Histórico de apoio bilionário ao setor agrícola

Esta não é a primeira vez que Trump recorre a subsídios diretos aos produtores rurais para mitigar os efeitos de disputas comerciais. Durante seu primeiro mandato, o ex-presidente destinou US$ 22 bilhões em 2019 em pacotes de ajuda, e quase US$ 46 bilhões em 2020, valor que incluiu programas emergenciais de apoio durante a pandemia.

Com o novo plano, Trump busca reaproximar-se da base rural americana, um dos pilares de seu eleitorado, em meio à escalada de tensões comerciais com a China.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Oferta recorde de soja no Brasil e nos EUA pressiona preços globais na safra 2026/27

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A perspectiva de uma oferta global abundante de soja na safra 2026/27 mantém a pressão sobre os preços internacionais da commodity. A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca a possibilidade de colheitas recordes no Brasil e nos Estados Unidos como principal fator de risco para as cotações nos próximos meses.

De acordo com as estimativas divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em junho, a produção brasileira deverá alcançar 186 milhões de toneladas na temporada 2026/27. Já a safra norte-americana está projetada em 121 milhões de toneladas, crescimento de 4% em relação ao ciclo anterior.

O cenário reforça a expectativa de ampla disponibilidade da oleaginosa no mercado global, o que tende a limitar movimentos de alta nos preços, especialmente na Bolsa de Chicago (CBOT).

Esmagamento recorde ajuda a sustentar demanda

Apesar do aumento expressivo da oferta, a demanda por processamento da soja segue aquecida. O USDA estima um esmagamento recorde nos Estados Unidos, alcançando 74,8 milhões de toneladas.

O avanço é impulsionado principalmente pela crescente demanda por óleo de soja destinado à produção de biocombustíveis, segmento que vem ganhando relevância na matriz energética global.

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No cenário mundial, o esmagamento deve superar em aproximadamente 14 milhões de toneladas o volume registrado na safra 2025/26. Esse crescimento contribui para manter a valorização relativa dos derivados, especialmente farelo e óleo, em comparação ao grão.

China continua no centro das atenções do mercado

Segundo Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a principal incógnita para o mercado permanece sendo a capacidade da China de absorver simultaneamente os grandes volumes ofertados por Brasil e Estados Unidos.

“O acordo firmado em maio amplia o potencial de demanda pela soja norte-americana, mas o impacto efetivo ainda depende da confirmação das compras chinesas e do comportamento do mercado nos próximos meses”, avalia o especialista.

Como maior importadora mundial da commodity, a China continua exercendo influência decisiva sobre o equilíbrio global entre oferta e demanda.

Risco baixista ainda predomina para os preços

Na avaliação do Itaú BBA, o viés para os preços segue predominantemente baixista para a temporada 2026/27. A combinação entre uma possível safra recorde no Brasil e uma produção elevada nos Estados Unidos pode ampliar os estoques globais e limitar a recuperação das cotações.

Para que ocorra uma valorização mais consistente na CBOT, seria necessário algum fator capaz de reduzir significativamente a oferta mundial.

Entre os principais elementos monitorados pelo mercado estão eventuais problemas climáticos durante o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos ou na América do Sul.

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El Niño pode alterar cenário da soja

Um dos fatores que merece atenção é a possibilidade de fortalecimento do fenômeno El Niño nos próximos meses. Caso o evento climático ganhe intensidade, poderão ocorrer impactos negativos sobre a produtividade das lavouras sul-americanas, especialmente em importantes regiões produtoras.

Segundo o relatório, esse risco ainda não está totalmente precificado pelo mercado e poderia alterar significativamente as projeções atuais de oferta global.

Além disso, novas compras de soja norte-americana por parte da China também poderiam oferecer suporte às cotações internacionais, reduzindo parte da pressão gerada pelo cenário de ampla produção.

Mercado seguirá atento ao clima e à demanda

Embora a expectativa de produção recorde mantenha o mercado sob pressão, o comportamento do clima e o ritmo das importações chinesas continuarão sendo os principais direcionadores dos preços da soja na safra 2026/27.

Diante desse cenário, produtores, exportadores e agentes do mercado permanecem atentos aos desdobramentos climáticos e comerciais que poderão redefinir o equilíbrio global da commodity nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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