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Trump abre investigação contra o Brasil e impõe tarifa de 50% sobre produtos importados

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Investigação por práticas comerciais desleais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou nesta quarta-feira (9) a abertura de uma investigação contra o Brasil, acusando o país de adotar práticas comerciais consideradas desleais e injustas. A decisão está formalizada em uma carta assinada pelo próprio Trump.

Segundo o documento, a medida se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, que permite investigar e responder a ações estrangeiras que afetem negativamente os interesses comerciais americanos.

“Estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação da Seção 301 sobre o Brasil”, escreveu Trump.

Tarifa de 50% sobre produtos brasileiros

Paralelamente à abertura da investigação, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. A nova taxa entra em vigor a partir de 1º de agosto.

A aplicação dessa tarifa faz parte de uma estratégia mais ampla de pressão econômica e pode ser acompanhada por outras sanções, caso a investigação comprove as supostas irregularidades.

O que é a Seção 301

A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é um instrumento jurídico usado pelos EUA para lidar com práticas comerciais estrangeiras consideradas injustas. O dispositivo permite ao Representante de Comércio dos EUA conduzir investigações e, se necessário, adotar medidas corretivas, como sanções e sobretaxas.

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Essa ferramenta já foi usada anteriormente em disputas comerciais com a China. Em 2019, Trump aplicou tarifas adicionais de 15% sobre mais de US$ 120 bilhões em produtos chineses. Em 2023, o então presidente Joe Biden também recorreu à mesma lei para taxar importações do país asiático.

Plataformas digitais e críticas ao Brasil

Na carta, Trump também alegou — sem apresentar evidências — que o Brasil estaria promovendo “ataques insidiosos contra eleições livres” e violando a liberdade de expressão de cidadãos americanos. Tais alegações reforçaram sua justificativa para adotar as novas medidas comerciais contra o país.

O presidente norte-americano ainda citou o bloqueio da plataforma de vídeos Rumble, determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em fevereiro, por descumprimento de ordens judiciais. A empresa mantém negócios com o grupo de comunicação de Trump.

Outro exemplo citado foi a suspensão da rede social X, de Elon Musk, no Brasil, também por decisão de Moraes, devido à não conformidade com exigências judiciais.

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Citações a Bolsonaro e críticas ao relacionamento bilateral

Trump também utilizou o comunicado para criticar a situação política interna brasileira e manifestar apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem classificou como vítima de uma “caça às bruxas”.

No trecho final da carta, o republicano afirmou que o relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos é desequilibrado. “Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco”, afirmou.

Déficit comercial desmente alegação de injustiça

Apesar das críticas de Trump, dados do Ministério do Desenvolvimento do Brasil indicam que o país acumula sucessivos déficits comerciais com os Estados Unidos desde 2009. Em 16 anos, as exportações brasileiras para os EUA ficaram US$ 88,61 bilhões abaixo das importações — o que corresponde, na cotação atual, a cerca de R$ 484 bilhões.

Esses números revelam que, na prática, o Brasil compra mais dos EUA do que vende, o que contraria a alegação de que a relação comercial seria injusta para os norte-americanos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Etanol eleva consumo de milho e ajuda sustentar produção recorde

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A expansão das usinas de etanol deverá elevar o consumo de milho dentro de Mato Grosso para 22,10 milhões de toneladas na safra 2025/26, crescimento de 9,12% em relação ao ciclo anterior. O avanço abre mercado para uma produção estadual estimada no recorde de 57,39 milhões de toneladas, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Para o produtor, o crescimento da indústria reduz parte da dependência das exportações e cria uma demanda mais próxima das regiões produtoras. Esse movimento pode diminuir custos logísticos e ampliar as opções de comercialização, embora a oferta elevada ainda mantenha pressão sobre os preços do cereal.

A área cultivada com milho foi consolidada em 7,43 milhões de hectares, aumento de 2,41% sobre a temporada passada. Trata-se da segunda maior extensão destinada à cultura na série histórica do Imea, atrás apenas da registrada na safra 2022/23.

A produtividade média foi estimada em 128,67 sacas por hectare. O rendimento elevado foi sustentado pela distribuição favorável das chuvas durante boa parte do desenvolvimento das lavouras. Com a combinação entre área maior e boa produtividade, a colheita deverá superar em 3,53% o resultado do ciclo anterior e ficar 23,85% acima da média dos últimos cinco anos.

A demanda total pelo milho mato-grossense na safra 2025/26 foi projetada em 57,20 milhões de toneladas. Além das 22,10 milhões de toneladas consumidas dentro do estado, outras 11 milhões deverão ser enviadas para indústrias e compradores de outras unidades da Federação, volume 6,18% maior que o da temporada anterior.

As exportações foram estimadas em 24,10 milhões de toneladas, redução de 1,09%. A queda não representa necessariamente perda de mercado, mas uma mudança no destino da produção, com parcela maior do cereal sendo processada no próprio País.

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O Imea também revisou a demanda da safra 2024/25 para 54,98 milhões de toneladas, alta de 0,85% em relação ao cálculo anterior. O ajuste foi provocado pelo aumento da moagem nas usinas de etanol e reduziu a projeção dos estoques finais para 974,03 mil toneladas, queda de 32,14%.

Para o ciclo 2025/26, os estoques deverão voltar a crescer e alcançar aproximadamente 1,17 milhão de toneladas. Mesmo com o avanço do consumo, a produção recorde será suficiente para atender às usinas, aos compradores de outros estados e ao mercado externo.

A disponibilidade elevada exige atenção do produtor ao ritmo das vendas. O crescimento da indústria de etanol cria uma base mais firme para a demanda, mas não elimina os efeitos da colheita concentrada, da falta de armazéns e dos custos de transporte sobre as cotações recebidas nas regiões produtoras.

No mercado da soja, a redução da oferta disponível durante a entressafra sustentou os preços em Mato Grosso. A saca encerrou a última semana cotada, em média, a R$ 122,88, valorização de 0,99% no período.

A alta do grão, porém, elevou os custos das indústrias. Em julho, a soja teve preço médio de R$ 116,74 por saca, o maior valor registrado em 2026 e 9,49% superior ao de junho. Como consequência, a margem bruta de esmagamento caiu 20,52% e terminou o mês em R$ 435,43 por tonelada processada.

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Os preços do farelo e do óleo de soja avançaram 4,46% e 0,22%, respectivamente, mas não acompanharam integralmente a valorização da matéria-prima. Se essa diferença continuar, as indústrias poderão enfrentar nova redução de margem, mesmo com a demanda pelos coprodutos.

No mercado internacional, o clima nos Estados Unidos permanece como o principal fator de incerteza para a formação dos preços. Até 2 de agosto, 63% das lavouras norte-americanas de soja estavam classificadas em condições boas ou excelentes, sete pontos porcentuais abaixo do registrado no mesmo período de 2025, conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).

Apesar da piora das lavouras, o USDA ainda projeta uma colheita recorde de aproximadamente 121,8 milhões de toneladas de soja. A estimativa foi elevada em cerca de 1,1 milhão de toneladas no relatório de julho, principalmente em razão do aumento da área a ser colhida.

A projeção de 131,6 milhões de toneladas citada em alguns relatórios corresponde à produção total de oleaginosas dos Estados Unidos, que inclui soja, canola, algodão, girassol e outras culturas.

Agosto será decisivo para confirmar a produtividade norte-americana. Calor intenso ou falta de chuva durante a formação e o enchimento das vagens poderá reduzir o potencial da safra e dar sustentação às cotações internacionais. Caso o clima melhore, a perspectiva de produção recorde deverá manter a pressão sobre os preços, com reflexos nas negociações dos produtores brasileiros.

Fonte: Pensar Agro

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