AGRONEGÓCIO
Trigo: mercado segue lento no Sul do Brasil enquanto Chicago recua e clima global aumenta incertezas na oferta
Publicado em
12 de junho de 2026por
Da Redação
O mercado de trigo apresenta comportamento divergente entre o cenário interno brasileiro e o ambiente internacional. Enquanto o Sul do Brasil registra negociações lentas, com compradores mais seletivos e logística influenciando as cotações, a Bolsa de Chicago opera em baixa nesta sexta-feira (12), com investidores atentos ao clima global e às perspectivas da nova safra mundial.
Mercado interno: Sul do Brasil segue com baixa liquidez e negócios pontuais
O mercado de trigo no Sul do país continua em ritmo lento, com baixa fluidez nas negociações e postura cautelosa por parte dos moinhos. A demanda por farinhas, os custos logísticos e a seletividade na compra seguem como fatores determinantes para o comportamento dos preços.
Rio Grande do Sul: leve alta, mas sem volume expressivo
No Rio Grande do Sul, os preços apresentaram leve avanço, acompanhando a referência do trigo argentino em Canoas, cotado a cerca de US$ 300/t. Ainda assim, não houve mudanças significativas no ritmo dos negócios.
As indicações de mercado giram em torno de:
- R$ 1.350/t FOB (junho/julho)
- R$ 1.370/t (julho/agosto)
- R$ 1.400/t (agosto cheio)
No mercado CIF, o trigo de melhor qualidade varia entre R$ 1.480 e R$ 1.500/t, enquanto lotes inferiores ficam entre R$ 1.400 e R$ 1.420/t. A disponibilidade estimada é de cerca de 190 mil toneladas, considerada insuficiente para abastecer até a próxima safra.
O trigo branqueador registra negócios entre R$ 1.450 e R$ 1.480/t FOB, enquanto a safra nova aparece em torno de R$ 1.250/t FOB para novembro.
Santa Catarina: estabilidade com influência do frete
Em Santa Catarina, o mercado segue praticamente estável, com apenas operações pontuais. O frete continua sendo o principal fator de variação nos preços finais.
- Trigo catarinense: R$ 1.350 a R$ 1.400/t FOB
- Ofertas do Paraná (Sudoeste): R$ 1.320 a R$ 1.350/t
- Balcão: estabilidade geral com altas pontuais em Chapecó e Xanxerê
- Paraná: moinhos abastecidos e compras futuras
No Paraná, o ritmo de negócios também é lento, com moinhos relativamente abastecidos e compras mais concentradas em setembro e na safra nova.
- Trigo branqueador: próximo de R$ 1.450/t FOB
- Safra nova: entre R$ 1.320 e R$ 1.350/t FOB
- Mercado internacional: trigo recua em Chicago com atenção ao clima global
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de trigo abriram em queda nesta sexta-feira (12), refletindo a cautela dos investidores diante das condições climáticas nas principais regiões produtoras e das expectativas para a oferta global.
Os principais vencimentos registraram recuo:
- Julho/26: 584,50 cents/bushel (-2,50)
- Setembro/26: 595,50 cents/bushel (-2,75)
- Dezembro/26: 612,00 cents/bushel (-2,75)
Clima global e El Niño entram no radar do mercado
O mercado internacional acompanha de perto a possível intensificação do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026. O evento climático pode gerar impactos distintos entre as regiões produtoras:
- Risco de perdas em áreas da Ásia e Austrália
- Condições potencialmente favoráveis para a Argentina
Segundo projeções do mercado climático, o aumento das chuvas pode beneficiar a produção argentina na safra 2026/27, com estimativas de colheita próximas de 20 milhões de toneladas, um dos maiores volumes da história do país.
Brasil: clima e semeadura seguem no foco dos agentes
No cenário doméstico, o mercado brasileiro permanece atento ao avanço da semeadura das lavouras de inverno, especialmente no Sul do país. As condições climáticas das próximas semanas serão decisivas para o desenvolvimento inicial das lavouras e para a definição das expectativas da safra nacional.
Resumo do cenário:
O trigo combina baixa liquidez no mercado interno brasileiro com pressão externa em Chicago, enquanto o clima global e o El Niño adicionam volatilidade às projeções de oferta para os próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Tarifas dos EUA sobre açúcar e etanol preocupam setor, mas impacto para usinas brasileiras deve ser limitado
Published
21 minutos agoon
12 de junho de 2026By
Da Redação
A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros acendeu o alerta em importantes segmentos do agronegócio nacional. Entre os itens potencialmente afetados estão açúcar, etanol, café solúvel, tilápia e uva, embora especialistas avaliem que os impactos diretos para as usinas sucroenergéticas tendem a ser limitados no curto prazo.
A medida faz parte das investigações conduzidas pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos e ainda está em fase de discussão. O prazo para eventual adoção de medidas corretivas foi estabelecido para 15 de julho.
Açúcar pode perder competitividade no mercado americano
O principal efeito para o setor sucroenergético seria a redução da competitividade do açúcar brasileiro exportado dentro da cota preferencial dos Estados Unidos, atualmente um mercado importante para usinas do Norte e Nordeste.
Com a eventual cobrança adicional, o produto brasileiro passaria a competir em condições menos favoráveis com fornecedores de outros países que também participam do sistema de cotas.
Apesar disso, representantes do setor avaliam que a medida não altera significativamente o planejamento produtivo da próxima safra.
A existência de mercados alternativos, especialmente na Europa e na Ásia, reduz a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos e limita os impactos sobre a receita das empresas exportadoras.
Produção de etanol pode ganhar espaço no Nordeste
A possível taxação também pode provocar mudanças no mix de produção das usinas nordestinas.
Analistas avaliam que parte das unidades poderá direcionar mais cana para a fabricação de etanol caso a rentabilidade do açúcar destinado ao mercado americano seja reduzida.
Esse movimento teria reflexos sobre a oferta regional de biocombustível, aumentando a disponibilidade no Nordeste e reduzindo a necessidade de compras de etanol produzido em estados do Centro-Oeste, especialmente Goiás.
Como consequência, o mercado poderia enfrentar um excedente de oferta em regiões produtoras, pressionando os preços do combustível.
Setor teme redução da tarifa para etanol americano
Mais do que a possível tarifa sobre produtos brasileiros, a principal preocupação das usinas está relacionada a uma eventual flexibilização da política comercial brasileira para o etanol importado dos Estados Unidos.
Atualmente, o biocombustível norte-americano está sujeito à Tarifa Externa Comum do Mercosul, de 18%.
Representantes do setor alertam que uma eventual redução dessa alíquota poderia ampliar a entrada do produto americano justamente em um momento de elevada oferta global, aumentando a concorrência e pressionando ainda mais os preços internos.
Em posicionamento conjunto, entidades representativas da bioenergia defenderam que eventuais divergências comerciais sejam solucionadas por meio do diálogo e da negociação, preservando a cooperação entre os dois países no desenvolvimento dos biocombustíveis e da transição energética.
Café solúvel busca exclusão da lista de tarifas
Enquanto o café verde foi incluído na lista de exceções proposta pelos Estados Unidos, o café solúvel permaneceu entre os produtos que podem ser afetados pela nova taxação.
O setor acompanha as negociações com preocupação e busca sensibilizar as autoridades norte-americanas sobre a importância da manutenção do livre fluxo comercial.
Representantes da indústria destacam que restrições ao comércio podem gerar impactos ao longo de toda a cadeia produtiva do café brasileiro, um dos principais produtos do agronegócio nacional.
Exportações de tilápia podem ser fortemente afetadas
Entre os segmentos mais vulneráveis está a piscicultura.
Os Estados Unidos respondem por mais de 90% das exportações brasileiras de filé fresco de tilápia, tornando o mercado extremamente dependente do consumidor norte-americano.
Diante desse cenário, lideranças do setor defendem a busca urgente por novos destinos comerciais e pedem esclarecimentos sobre os critérios que serão utilizados para definir os produtos efetivamente sujeitos às novas tarifas.
A preocupação é que a medida comprometa a competitividade da tilápia brasileira justamente em um momento de crescimento das exportações.
Setor de frutas acompanha negociações
No segmento de frutas, a maior parte dos produtos brasileiros foi incluída na lista de exceções, mas a uva permaneceu fora da relação preliminar divulgada pelas autoridades americanas.
O setor prefere aguardar o avanço das negociações antes de avaliar os possíveis impactos econômicos da medida.
A expectativa é que a audiência prevista para julho contribua para esclarecer quais produtos serão efetivamente atingidos e quais poderão ser retirados da proposta tarifária.
Negociações serão decisivas para o agronegócio brasileiro
Embora a proposta norte-americana tenha gerado preocupação em diversos segmentos do agronegócio, especialistas avaliam que os impactos mais relevantes dependerão do resultado das negociações entre os dois países nas próximas semanas.
Para o setor sucroenergético, o principal risco não está apenas na eventual taxação do açúcar, mas na possibilidade de mudanças nas regras de importação de etanol, fator que poderia alterar significativamente a dinâmica de oferta e demanda no mercado brasileiro.
Enquanto isso, cadeias como café solúvel, tilápia e uva seguem acompanhando atentamente as discussões, na expectativa de que os produtos brasileiros sejam excluídos das medidas tarifárias e mantenham acesso competitivo ao mercado dos Estados Unidos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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