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Trigo mantém estabilidade no Brasil com apoio do dólar, avanço das exportações e pressão internacional

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Dólar valorizado sustenta preços do trigo no Brasil

Os preços do trigo mantiveram estabilidade no Rio Grande do Sul e registraram avanço em outros estados, conforme levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A valorização do dólar frente ao real compensou a ampliação da oferta doméstica e deu suporte às cotações internas.

Em São Paulo, estado caracterizado como comprador líquido, os valores subiram de forma mais expressiva. No campo, a colheita da safra 2025 caminha para a reta final: de acordo com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), até 15 de novembro cerca de 74% do trigo nacional já havia sido colhido.

Enquanto isso, o mercado de derivados segue pressionado, influenciado pela menor demanda e pelas desvalorizações recentes da matéria-prima.

Exportações ganham ritmo e impulsionam negócios

A comercialização de trigo apresentou forte variação entre regiões, impulsionada pelo avanço da colheita e pela competitividade do produto nacional frente ao importado. No Rio Grande do Sul, o dinamismo das operações de exportação se destacou, com negócios diários acima de 40 mil toneladas e preços ultrapassando R$ 1.000 por tonelada, tanto nas modalidades de moagem quanto de ração.

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O volume acumulado destinado ao mercado externo já soma cerca de 700 mil toneladas, enquanto as compras de moinhos — dentro e fora do estado — giram em torno de 170 mil toneladas. A concorrência com o cereal de outros estados cresceu, especialmente com o trigo paranaense, que voltou a ganhar espaço por sua qualidade e competitividade em relação ao argentino.

Em Santa Catarina, a colheita ampliou a oferta local, mas a diferença entre as expectativas de vendedores e as indicações de compradores limitou novos fechamentos de contratos. As referências oscilaram entre R$ 1.100 e R$ 1.200 por tonelada, variando conforme a origem e o frete, com moinhos pagando valores próximos a R$ 1.130 a R$ 1.150.

Já no Paraná, a qualidade superior do cereal colhido aumentou o interesse da indústria. A avaliação é de que o produto nacional apresenta vantagem frente ao importado, tanto em padrão quanto em custo. A colheita revelou lotes variados, mas com boa parcela de grãos de melhor classificação, sustentando o movimento de compra local.

Chicago recua diante da oferta global elevada

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de trigo encerraram a sessão de segunda-feira (24) em queda, refletindo a ampla oferta global e o recuo contínuo nos preços de exportação da Rússia, que seguem limitando qualquer recuperação mais consistente.

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Durante toda a sessão, o mercado operou no campo negativo, devolvendo parte dos ganhos observados na semana anterior, quando o cereal havia alcançado as maiores cotações em meses. O movimento baixista foi reforçado pelas indicações de oferta abundante nos principais países exportadores, como Rússia, Argentina e na região do Mar Negro.

Além disso, a melhora da umidade nas áreas produtoras das Planícies dos Estados Unidos, após recentes chuvas, reduziu preocupações sobre o desenvolvimento das lavouras de trigo de inverno.

Os agentes aguardavam ainda o relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre as condições das lavouras, que pode influenciar o comportamento do mercado nos próximos dias.

Os contratos para março de 2026 encerraram a US$ 5,34 ¾ por bushel, queda de 0,92%, enquanto os de maio de 2026 ficaram em US$ 5,43 ¼ por bushel, recuo de 0,91% em relação ao fechamento anterior.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Índice de Sustentabilidade Auera impulsiona gestão rural e fortalece agricultura familiar no Sul do Brasil

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Uma iniciativa inovadora está transformando a gestão de propriedades familiares no Sul do Brasil ao integrar sustentabilidade, produtividade e qualidade de vida. O Índice de Sustentabilidade Auera (ISA) surge como uma ferramenta estratégica para avaliar, diagnosticar e orientar melhorias no campo, com base em dados concretos e metodologia científica.

Desenvolvido por meio de uma parceria entre a Embrapa Clima Temperado, a Philip Morris Brasil e a Fundação de Apoio Edmundo Gastal (Fapeg), o índice é um dos principais resultados do Projeto Auera. A iniciativa já avaliou mais de 5 mil propriedades de produção de tabaco na Região Sul, servindo como base para identificar gargalos, potencialidades e oportunidades de evolução nos sistemas produtivos.

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Imagem mostra exemplo de uso adequado das áreas da propriedade em função da sua capacidade de uso (Google)

Ferramenta inédita integra produção e sustentabilidade

Diferente de modelos tradicionais, o ISA inova ao incorporar a dimensão produtiva aos pilares econômico, social e ambiental. Ao todo, são 182 indicadores organizados para traduzir a complexidade das pequenas propriedades rurais em métricas objetivas de desempenho.

O objetivo central é oferecer ao produtor rural uma visão completa da sua propriedade, permitindo melhorias que envolvam desde a rentabilidade até a conservação dos recursos naturais, como solo, água, fauna e flora, além da qualidade de vida da família.

Diagnóstico completo e foco na gestão integrada

O índice foi estruturado com base em nove eixos estratégicos: socioeconômico, água, gestão de resíduos, solo, agrobiodiversidade, fauna, flora, geração de energia e conformidade ambiental.

Seu desenvolvimento ocorreu em três etapas:

  • Pré-diagnóstico: análise de dados de 5.283 propriedades
  • Diagnóstico: avaliação presencial de 101 unidades produtivas
  • Intervenção e monitoramento: acompanhamento contínuo em 11 propriedades
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A metodologia permite mensurar o nível de sustentabilidade em três dimensões principais:

  • Social: qualidade de vida, segurança alimentar e acesso a serviços essenciais
  • Ambiental: conservação de recursos naturais e cumprimento da legislação
  • Produtiva: saúde do solo e viabilidade dos sistemas agrícolas
Resultados apontam sustentabilidade, mas com desafios

De acordo com os dados levantados, o índice médio das propriedades avaliadas no Sul do Brasil alcançou 78%, acima do patamar mínimo de 70% considerado sustentável.

Apesar do desempenho positivo, ainda há desafios importantes, especialmente relacionados à gestão de resíduos e à conservação do solo e da água — pontos críticos para a sustentabilidade no longo prazo.

Apoio direto à tomada de decisão no campo

O ISA se destaca como uma ferramenta prática de gestão rural, permitindo ao produtor identificar com precisão os pontos fortes e as fragilidades da propriedade.

Entre os principais benefícios para os agricultores estão:

  • Identificação de gargalos produtivos e ambientais
  • Planejamento mais eficiente de investimentos
  • Aumento da resiliência produtiva e sustentabilidade a longo prazo
  • Estímulo à sucessão familiar no campo

Ao transformar dados complexos em informações claras, o índice reduz a dependência da intuição e fortalece a tomada de decisão baseada em evidências.

Padronização e eficiência para assistência técnica

Para técnicos e extensionistas, o ISA oferece uma metodologia estruturada que padroniza a avaliação das propriedades, facilitando o monitoramento da evolução ao longo do tempo.

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A ferramenta permite:

  • Comparar diferentes propriedades sob critérios uniformes
  • Acompanhar resultados das intervenções realizadas
  • Disseminar boas práticas agrícolas entre produtores

Com isso, amplia-se a eficiência da assistência técnica e o impacto das ações no campo.

Base estratégica para políticas públicas e ESG

Além de beneficiar diretamente produtores e técnicos, o índice também se consolida como instrumento relevante para gestores públicos e empresas.

O ISA fornece dados consistentes que podem orientar:

  • Formulação de políticas públicas voltadas à agricultura sustentável
  • Criação de programas de incentivo e linhas de financiamento
  • Avaliação de impacto em iniciativas alinhadas aos critérios ESG
  • Fortalecimento da segurança alimentar nacional

Ao alinhar produtividade e sustentabilidade, a ferramenta contribui para o desenvolvimento equilibrado do setor agropecuário.

Sustentabilidade como indicador prático no campo

O Índice de Sustentabilidade Auera representa um avanço ao transformar o conceito de sustentabilidade em um indicador mensurável e aplicável no dia a dia do produtor rural.

Com base em uma abordagem integrada, o sistema permite que as propriedades deixem de atuar de forma reativa e passem a evoluir de maneira planejada, conciliando crescimento econômico, preservação ambiental e bem-estar social.

O projeto contou com a participação de mais de 20 profissionais, entre pesquisadores, técnicos e colaboradores, reforçando a importância da cooperação entre instituições públicas e privadas na construção de soluções para o agro.

Os resultados e a metodologia do ISA serão apresentados em publicação técnica, ampliando o acesso ao conhecimento e incentivando a adoção da ferramenta em outras regiões do país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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