AGRONEGÓCIO
Transparência na Piscicultura: A Certificação e a Rastreabilidade como Ferramentas Estratégicas
Publicado em
3 de abril de 2025por
Da Redação
A piscicultura, uma das atividades mais relevantes do setor agropecuário brasileiro, tem se modernizado constantemente para atender às exigências do mercado, cada vez mais voltado para produtos sustentáveis e de qualidade. Nesse contexto, a certificação e a rastreabilidade dos produtos pesqueiros tornaram-se aspectos fundamentais não apenas para garantir a conformidade com as regulamentações ambientais e sociais, mas também para assegurar que os consumidores tenham confiança na origem e nos processos de produção do pescado que consomem.
Certificação como Garantia de Qualidade e Sustentabilidade
A certificação — seja ambiental, orgânica ou de boas práticas de manejo — desempenha um papel decisivo nesse cenário. Ela assegura que as práticas adotadas na produção de peixes estejam em conformidade com padrões internacionais, como a ISO 14001, que estabelece normas para a gestão ambiental, ou o selo de produção orgânica, que atesta a produção sem o uso de substâncias químicas prejudiciais. Para José Miguel Saud, especialista do setor, esses selos são essenciais para alinhar a piscicultura às expectativas dos consumidores, que, cada vez mais, exigem não só qualidade, mas também ética nas cadeias produtivas.
“O consumidor de hoje está mais informado e consciente sobre a importância de adquirir alimentos que respeitem os critérios de sustentabilidade e responsabilidade social. A certificação oferece a ele a garantia de que o produto passou por todo um processo de fiscalização e segue as melhores práticas do mercado. A rastreabilidade, por sua vez, vai além da certificação, permitindo que o consumidor saiba exatamente de onde veio o produto, como foi produzido e se atende aos critérios ambientais e de bem-estar animal”, afirma José Miguel Saud, destacando a rastreabilidade como um dos maiores desafios e, simultaneamente, uma das maiores garantias para a transparência nesse processo.
Rastreabilidade: Garantia de Transparência e Confiabilidade
Saud enfatiza que a rastreabilidade é crucial para criar um ambiente de confiança, tanto para o consumidor quanto para os órgãos reguladores. “A rastreabilidade não é apenas uma questão de tecnologia, mas um compromisso com a qualidade e a transparência. Hoje, com a evolução das tecnologias, conseguimos rastrear todo o processo de produção do pescado, desde o cultivo até o ponto de venda. Isso garante que o consumidor tenha acesso a informações detalhadas sobre o produto, facilitando a tomada de decisão na hora da compra.”
Esse processo de rastreamento permite monitorar cada lote de pescado desde a fazenda até as prateleiras do supermercado, passando por todas as etapas da produção. Tecnologias como sistemas de geolocalização e etiquetas digitais são utilizadas para garantir que o consumidor saiba a origem exata do produto, os métodos de produção e até mesmo os tratamentos aplicados no cultivo. Além disso, a rastreabilidade é uma ferramenta crucial no combate a práticas ilegais, como a pesca predatória e o uso indiscriminado de antibióticos, que podem comprometer a saúde do consumidor e o equilíbrio ambiental.
Benefícios Estratégicos da Rastreabilidade
“Quando bem aplicada, a rastreabilidade cria um elo de confiança entre produtor e consumidor. A transparência não é apenas uma exigência legal, mas também um diferencial competitivo que agrega valor ao produto e fortalece a imagem da empresa no mercado. Para o produtor, isso significa maior competitividade, pois ele pode atender a mercados internacionais que exigem rigorosos padrões de qualidade e responsabilidade”, destaca Saud. Ele também observa que a rastreabilidade proporciona maior eficiência na gestão dos processos produtivos. “Ela permite um controle mais preciso da produção, ajudando a evitar desperdícios, melhorar a logística e otimizar custos.”
Adaptação Necessária para os Produtores Brasileiros
Embora a adaptação a essas práticas possa ser desafiadora para os produtores brasileiros, Saud alerta que elas são essenciais para acompanhar a evolução do setor pesqueiro global. “A mudança de mentalidade é crucial. Muitos produtores ainda veem a certificação e a rastreabilidade como custos adicionais, mas são, na verdade, investimentos que garantem não apenas a competitividade no mercado, mas também a longevidade do negócio. Com a pressão crescente por sustentabilidade e qualidade, aqueles que não se adaptarem correm o risco de ficar para trás.”
A Piscicultura Brasileira e os Desafios do Mercado Global
A piscicultura brasileira deve se adequar rapidamente às normas internacionais de qualidade e sustentabilidade. À medida que cresce a pressão para atender à demanda global, a certificação e a rastreabilidade se tornam ferramentas indispensáveis não apenas para garantir a qualidade do produto, mas também para assegurar que o setor pesqueiro continue a se expandir de forma responsável, alinhada às expectativas do mercado e da sociedade.
Ao assegurar que seus processos sejam auditados e rastreáveis, os produtores de peixe não apenas protegem seus negócios, mas também contribuem para a preservação dos recursos naturais, criando um mercado mais transparente, ético e confiável. “A certificação e a rastreabilidade são, sem dúvida, a chave para a evolução da piscicultura no Brasil. Elas não são apenas uma tendência, mas uma necessidade para que possamos atender às exigências do mercado e garantir a confiança dos consumidores”, conclui José Miguel Saud.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade
Published
8 horas agoon
31 de maio de 2026By
Da Redação
Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.
Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.
O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.
A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.
Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.
Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.
Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.
Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.
Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.
Fonte: Pensar Agro
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