AGRONEGÓCIO

Tarifaço volta a ameaçar os principais produtos da pauta de exportações do agro brasileiro

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Depois de meses de negociações que pareciam ter afastado o risco de novas barreiras comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o governo americano voltou a colocar sobre a mesa a possibilidade de aplicar um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.

A medida ainda não entrou em vigor, mas já tem potencial para afetar mercados importantes para o agronegócio nacional. A boa notícia (se é que tem algo de bom nessa guerra) para os produtores é que parte das principais commodities exportadas pelo Brasil podem ficar de fora desta vez

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o momento é de cautela. “É importante que o produtor rural acompanhe esse movimento com atenção, mas sem alarmismo. Quando surgiu a ameaça inicial de tarifas mais elevadas, o mercado temeu um impacto direto sobre algumas das principais cadeias exportadoras do Brasil. Agora, o que se observa é um cenário mais complexo, em que muitos produtos estratégicos para o abastecimento americano aparecem na lista de exceções. Isso reduz os riscos imediatos para boa parte do agronegócio brasileiro, especialmente para segmentos que já possuem forte inserção internacional e elevada competitividade”, avalia Rezende.

“Mesmo que as tarifas não atinjam diretamente as principais commodities, a insegurança gerada por esse tipo de disputa afeta decisões de investimento, planejamento de exportações e negociações de longo prazo. O produtor rural precisa entender que, no comércio internacional, a previsibilidade é tão importante quanto o acesso aos mercados. Quanto maior a incerteza, maior tende a ser o custo para toda a cadeia produtiva”, afirma.

“Também é preciso destacar que o agronegócio brasileiro possui hoje uma vantagem que não existia décadas atrás: a diversificação de mercados. O Brasil ampliou significativamente sua presença na Ásia, no Oriente Médio e em outros destinos estratégicos. Isso não significa que o mercado americano perdeu relevância, mas reduz a dependência de um único comprador. O desafio agora é manter o diálogo diplomático aberto, evitar uma escalada das tensões comerciais e preservar a imagem do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, fibras e energia para o mundo”, avalia Isan Rezende.

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.A nova ofensiva comercial surge após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de manter práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos americanos. Com isso, o governo do presidente Donald Trump abriu caminho para a adoção de medidas de retaliação comercial a partir de julho.

Na prática, o que está em discussão é uma nova etapa da disputa iniciada em 2025. Naquele momento, Trump chegou a anunciar tarifas elevadas contra produtos brasileiros, mas as negociações diplomáticas e comerciais entre os dois países reduziram a tensão e impediram a adoção imediata das medidas. Agora, com a conclusão formal da investigação, os Estados Unidos passam a ter respaldo legal para aplicar novas tarifas utilizando a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o mesmo instrumento usado em disputas comerciais contra a China.

Para o produtor rural, as informações divulgadas até agora, mostram que vários dos principais produtos do agro brasileiro devem permanecer fora da tarifa de 25%. Entre eles estão café, cereais, sementes, frutos oleaginosos, frutas, determinadas carnes e fertilizantes. Também aparecem na lista de exceções produtos considerados estratégicos para a economia americana.

Se essa relação for mantida até a decisão final, os impactos diretos sobre boa parte do agronegócio exportador serão limitados. Isso acontece porque muitos dos produtos agrícolas vendidos pelo Brasil são difíceis de substituir rapidamente pelos compradores americanos, seja por falta de oferta interna nos Estados Unidos, seja pela competitividade da produção brasileira.

O caso do café é um dos exemplos mais claros. Os Estados Unidos estão entre os maiores compradores do café brasileiro e dependem das importações para abastecer seu mercado. Uma tarifa sobre o produto elevaria custos para a própria indústria americana e acabaria sendo repassada ao consumidor final. Por isso, o café aparece entre os itens protegidos da proposta.

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O mesmo vale para segmentos ligados a grãos e oleaginosas. A inclusão de sementes e frutos oleaginosos entre as exceções reduz o risco para cadeias importantes da agricultura brasileira, especialmente em um momento em que a demanda internacional por alimentos continua elevada.

A situação das carnes exige um pouco mais de cautela. O documento menciona apenas “determinadas carnes”, sem detalhar quais produtos permaneceriam isentos. Dependendo da redação final da medida, alguns segmentos podem ser beneficiados enquanto outros enfrentariam restrições.

Mesmo com as exceções, especialistas alertam que o impacto sobre o agro não deve ser analisado apenas pela lista de produtos tarifados ou não. O mercado costuma reagir antes mesmo da entrada em vigor das medidas. Empresas exportadoras tendem a adotar uma postura mais conservadora, contratos podem ser renegociados e compradores internacionais passam a buscar alternativas para reduzir riscos.

Outro ponto de atenção é o câmbio. Sempre que há aumento das tensões comerciais entre grandes parceiros econômicos, cresce a volatilidade nos mercados financeiros. Para o produtor exportador, um dólar mais valorizado pode ajudar a compensar parte das perdas de competitividade. Por outro lado, também encarece insumos importados e aumenta a incerteza sobre custos futuros.

Até 15 de julho, prazo estabelecido pelos americanos para a decisão final, o cenário permanece aberto. Para o produtor rural, a mensagem mais objetiva é que, neste momento, não há indicação de um impacto generalizado sobre as principais commodities agrícolas brasileiras. O que existe é um ambiente de maior incerteza comercial, que exige atenção dos exportadores, mas ainda está longe de representar um fechamento do mercado americano para o agro nacional.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Receita das cooperativas do agro cresce R$ 49 bilhões

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As cooperativas agropecuárias brasileiras ampliaram a receita em aproximadamente R$ 49 bilhões em 2025, mas encerraram o ano com redução nas sobras destinadas aos associados. O resultado mostra que o crescimento das operações não foi suficiente para compensar o aumento dos custos financeiros, industriais e logísticos enfrentados pelo setor.

Os dados estão no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado na sexta-feira (31.07) pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

A movimentação financeira das cooperativas do agro passou de aproximadamente R$ 438,2 bilhões em 2024 para R$ 487,3 bilhões no ano passado, crescimento de 11,2%.

As sobras fizeram o caminho inverso. O valor caiu de cerca de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões, redução de 3,3%. Na prática, o setor movimentou mais dinheiro, mas terminou o exercício com aproximadamente R$ 1 bilhão a menos em resultados.

No cooperativismo, as sobras correspondem ao valor que permanece depois do pagamento dos custos, despesas e obrigações. A assembleia dos associados decide quanto será distribuído aos cooperados e quanto ficará na organização para reforçar o capital, formar reservas ou financiar novos investimentos.

O valor recebido por cada associado costuma ser calculado de acordo com sua movimentação. Podem ser considerados o volume de produção entregue, as compras realizadas e a utilização dos serviços oferecidos pela cooperativa.

A queda das sobras ocorre em um momento de margens apertadas no campo. Juros elevados, custos de armazenagem e transporte, despesas industriais e preços menores para algumas commodities pressionaram os resultados das cooperativas e dos produtores.

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A relação entre as sobras e a movimentação financeira caiu de aproximadamente 6,9% em 2024 para 6% em 2025. O indicador não equivale à margem de lucro de uma empresa convencional, mas ajuda a mostrar que uma parcela maior da receita foi absorvida pelas despesas.

Mesmo com a redução no resultado, o agro manteve ampla liderança dentro do cooperativismo nacional. O segmento respondeu por 57,4% de toda a movimentação financeira das cooperativas brasileiras.

O País encerrou 2025 com 1.254 cooperativas agropecuárias e 1,13 milhão de produtores associados. Essas organizações mantiveram 277,2 mil empregos diretos, quase metade dos postos de trabalho gerados por todo o sistema cooperativista.

A importância para o produtor vai além da comercialização. As cooperativas participam de 53% da produção brasileira de grãos, possuem 25% da capacidade nacional de armazenagem e respondem por 22% da carteira de crédito rural, segundo o anuário.

Essa estrutura permite que produtores negociem insumos em maior escala, armazenem a colheita, industrializem matérias-primas e vendam a produção de forma conjunta. Em regiões com pouca concorrência ou infraestrutura insuficiente, a cooperativa pode ser o principal canal de acesso a crédito, assistência técnica e mercado.

O segmento mantinha 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural em 2025. São agrônomos, veterinários, técnicos agrícolas e outros profissionais que atendem os associados no planejamento das lavouras, na sanidade dos rebanhos e na gestão das propriedades.

Os ativos das cooperativas agropecuárias chegaram a R$ 340,1 bilhões, alta de 10,6%. O valor inclui armazéns, indústrias, máquinas, estoques, créditos e outros bens e direitos controlados pelas organizações.

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O crescimento patrimonial pode ampliar a capacidade de receber, processar e comercializar a produção. Ao mesmo tempo, exige capital para manter as estruturas em funcionamento, especialmente em um período de juros elevados.

No mercado externo, 140 cooperativas venderam aproximadamente R$ 96 bilhões em produtos em 2025. O volume representou 10,3% das vendas internacionais do agronegócio brasileiro.

Café, carnes de aves e suínos, farelo e óleo de soja ficaram entre os principais produtos comercializados. China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos foram os maiores destinos.

A participação internacional, porém, está concentrada. Apenas dez cooperativas responderam por 67% do valor vendido ao exterior. O dado mostra que a maior parte das organizações ainda enfrenta dificuldades para alcançar outros países, seja por falta de escala, estrutura logística, certificações ou regularidade na oferta.

Para o produtor, o desempenho de uma cooperativa não deve ser avaliado apenas pelo faturamento. Preço pago pela produção, custo dos insumos, qualidade da assistência técnica, capacidade de armazenagem, nível de endividamento e sobras devolvidas ao associado são indicadores mais próximos do resultado efetivo dentro da propriedade.

Considerando todos os ramos, o cooperativismo brasileiro movimentou R$ 848,4 bilhões em 2025. O sistema reuniu 4.400 cooperativas, 29 milhões de associados e 613,4 mil empregados. O agro permaneceu como o principal responsável pelas receitas e pelos empregos.

Fonte: Pensar Agro

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