AGRONEGÓCIO
Tarifa de 50% anunciada por Trump gera apreensão no mercado brasileiro de café
Publicado em
14 de julho de 2025por
Da Redação
Anúncio da tarifa surpreende mercado
O mercado de café brasileiro viveu uma semana de grande agitação após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar na noite de 9 de julho a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil, válida a partir de 1º de agosto. O café, um dos principais produtos afetados, é especialmente sensível, já que os EUA são os maiores consumidores do mundo, consumindo mais de 24 milhões de sacas ao ano, e são o principal destino das exportações brasileiras da bebida.
EUA lideram importações, mas há queda nas compras em 2025
De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os Estados Unidos continuam na liderança das importações brasileiras, com 2,874 milhões de sacas até o fim de maio de 2025. Esse volume representa 17,1% do total exportado pelo Brasil, mas indica uma queda de 17,4% em relação ao mesmo período de 2024. No ano passado, os EUA importaram mais de 8 milhões de sacas do Brasil.
Reação imediata das cotações no mercado internacional
Logo após o anúncio, o café arábica registrou alta na Bolsa de Nova York, refletindo preocupações sobre o impacto nas exportações para os EUA. Por outro lado, o café robusta/conilon caiu fortemente em Londres na quinta-feira, já que os EUA não importam robusta brasileiro em volume significativo e o mercado global desse tipo de café apresenta oferta mais confortável.
Especialistas apontam necessidade de ajustes e busca por novos mercados
O consultor de Safras & Mercado, Gil Barabach, destaca que o Brasil poderá redirecionar parte do café destinado aos EUA para outros mercados, mas isso exigirá um grande reajuste nas exportações. “Os EUA precisarão do café brasileiro, dado o peso do Brasil no mercado, mas a compra certamente diminuirá”, avalia. Ele também observa a importância de verificar se concorrentes do Brasil sofrerão tarifas similares, como o Vietnã, que atualmente paga 20% de imposto sobre o robusta exportado.
Setor brasileiro espera negociação e bom senso
Marcos Matos, diretor geral do Cecafé, reforça que a tarifa de 50% é uma notícia difícil para o país e que é fundamental buscar uma agenda de negociações. Ele lembra que o impacto não afeta apenas o café, mas toda a cadeia de produtos exportados para os EUA, gerando prejuízos para empresas brasileiras e aumento de custos e inflação para os consumidores norte-americanos.
Importância da negociação e precedentes internacionais
Matos destaca casos recentes de negociação de tarifas entre os EUA e outros países, como México, Canadá, Vietnã e Indonésia, onde valores foram reduzidos após acordos. “Precisamos de negociadores experientes para tratar esse tema de forma pragmática, garantindo benefícios ao comércio”, diz. Ele também cita o trabalho do Cecafé em parceria com o governo brasileiro e entidades americanas para apresentar os efeitos negativos da tarifa e buscar soluções.
Impactos potenciais e perspectivas para o setor
O diretor do Cecafé conclui que a manutenção da tarifa de 50% prejudicaria o fluxo comercial, a indústria e o desenvolvimento tanto dos países produtores quanto consumidores. “Estamos empenhados em construir uma agenda positiva para garantir condições mais justas e adequadas para o comércio de café entre Brasil e Estados Unidos”, finaliza Matos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Tarifas comerciais, acordos globais e geopolítica redesenham cenário do agronegócio mundial, aponta Rabobank
Published
28 minutos agoon
25 de junho de 2026By
Da Redação
O agronegócio global atravessa um período de profundas transformações impulsionadas por tensões geopolíticas, disputas comerciais e mudanças nas relações entre as principais economias do mundo. A avaliação faz parte do relatório AgroInfo 2026, divulgado pelo Rabobank, que analisa os impactos das tarifas, acordos comerciais e dos movimentos macroeconômicos sobre os mercados agrícolas internacionais.
Segundo o banco, o ambiente global segue marcado por elevada volatilidade, exigindo atenção redobrada de produtores, exportadores e agentes da cadeia agroindustrial. Conflitos geopolíticos, mudanças tarifárias e negociações comerciais continuam influenciando diretamente os preços das commodities, os custos logísticos e a competitividade dos países exportadores.
Geopolítica segue influenciando preços agrícolas
De acordo com o Rabobank, a primeira metade de 2026 foi fortemente impactada por eventos geopolíticos que alteraram o comportamento dos mercados globais.
No complexo soja, por exemplo, a expectativa de exportações norte-americanas para a China e os conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã contribuíram para elevar os preços internacionais do petróleo e dos óleos vegetais, influenciando diretamente as cotações da oleaginosa nos mercados internacionais.
O banco destaca que os movimentos geopolíticos passaram a exercer influência significativa sobre as commodities agrícolas, muitas vezes superando temporariamente os fundamentos tradicionais de oferta e demanda.
Comércio internacional passa por reconfiguração
O relatório aponta que as disputas comerciais e os mecanismos de proteção adotados por diferentes países continuam promovendo mudanças nos fluxos globais de comércio.
Na carne bovina, por exemplo, o preenchimento das cotas de exportação destinadas à China poderá reduzir significativamente os embarques brasileiros no terceiro trimestre de 2026, apesar da manutenção de uma demanda robusta por parte dos Estados Unidos.
O Rabobank ressalta que a elevada concentração das exportações brasileiras em poucos mercados aumenta a vulnerabilidade do setor a alterações regulatórias, tarifárias ou sanitárias.
Além disso, medidas relacionadas ao uso de antimicrobianos em sistemas produtivos e exigências sanitárias internacionais também passaram a integrar o conjunto de fatores que influenciam o comércio global de proteínas animais.
Competitividade brasileira enfrenta desafios cambiais e logísticos
Embora o Brasil mantenha posição de destaque como fornecedor global de alimentos, o relatório alerta para fatores que podem limitar a competitividade de algumas cadeias produtivas.
No mercado de milho, a valorização do real frente ao dólar, somada à forte concorrência de exportadores como Estados Unidos e Argentina, tende a reduzir o ritmo dos embarques brasileiros ao longo de 2026.
Outro ponto de atenção é o aumento dos custos logísticos. Segundo o banco, a elevação dos fretes rodoviários observada no primeiro semestre do ano pode pressionar a rentabilidade dos produtores e impactar a comercialização de diversas commodities agrícolas.
El Niño entra no radar dos mercados globais
Além das questões comerciais, o Rabobank destaca a crescente preocupação com os possíveis efeitos climáticos do fenômeno El Niño.
O evento climático pode influenciar a produção agrícola em importantes regiões produtoras da América do Sul, afetando culturas como soja, milho, laranja e até mesmo atividades pecuárias.
A combinação entre riscos climáticos e incertezas geopolíticas aumenta a volatilidade dos mercados e reforça a necessidade de estratégias de gestão de risco por parte dos produtores.
Brasil mantém protagonismo em diversas cadeias do agro
Apesar dos desafios, o relatório destaca o forte desempenho do agronegócio brasileiro em diversos segmentos.
Na soja, o país caminha para uma safra recorde estimada em 182 milhões de toneladas, sustentada por condições climáticas favoráveis e crescimento da demanda global.
No algodão, o Brasil consolida sua posição como um dos principais exportadores mundiais, impulsionado por elevados volumes de produção e embarques recordes.
Já no mercado de carne bovina, as exportações seguem renovando recordes de receita e volume, mesmo diante das incertezas relacionadas às cotas internacionais e às exigências sanitárias dos principais compradores.
Cenário exige planejamento e adaptação
Para o Rabobank, o ambiente global continuará exigindo elevado grau de adaptação das cadeias produtivas.
A combinação de tarifas, acordos comerciais, disputas geopolíticas, custos logísticos, câmbio e eventos climáticos deve permanecer no centro das decisões estratégicas do agronegócio nos próximos meses.
Nesse contexto, produtores, cooperativas, tradings e indústrias precisarão acompanhar de perto as transformações do mercado internacional para preservar competitividade e aproveitar oportunidades em um cenário cada vez mais dinâmico e desafiador.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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