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Suprema Corte dos EUA revoga tarifas e reabre caminho para alta nas exportações brasileiras de máquinas e equipamentos

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Corte norte-americana derruba tarifas e muda o cenário do comércio bilateral

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, em julgamento recente, anular as tarifas adicionais impostas a produtos brasileiros, entre eles máquinas e equipamentos. A medida restabelece, de imediato, a tarifa zero para as exportações do setor ao mercado norte-americano, revertendo sobretaxas que chegaram a atingir entre 10% e 50% em alguns casos.

De acordo com o entendimento da Corte, o governo dos EUA não poderia invocar uma “emergência nacional” para justificar unilateralmente a aplicação das tarifas — decisão que, segundo os magistrados, dependeria de autorização do Congresso norte-americano. O parecer cria um novo marco jurídico nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Setor de máquinas e equipamentos celebra decisão e prevê retomada nas exportações

A Frente Parlamentar da Indústria de Máquinas e Equipamentos avaliou como positiva e estratégica a decisão, que deve impulsionar as vendas externas do setor. Antes da imposição das tarifas, os Estados Unidos respondiam por 32% das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. Com as sobretaxas, essa fatia caiu para cerca de 22%, afetando diretamente o faturamento das empresas.

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Os efeitos foram sentidos rapidamente:

  • Redução de 11% no faturamento no trimestre em que as tarifas começaram a valer;
  • Queda acumulada de 9% no ano seguinte;
  • Projeções de retração de até 25% nas exportações em 2026, caso o “tarifaço” fosse mantido.

Com a decisão da Suprema Corte, o setor prevê crescimento de cerca de 10% nas exportações, o que representaria a recomposição de parte das perdas registradas no período anterior.

Riscos permanecem no médio prazo

Apesar do otimismo, o setor produtivo ainda adota postura de cautela. O governo norte-americano pode tentar restabelecer tarifas por meio de aprovação legislativa ou recorrer a instrumentos jurídicos como a Seção 301, utilizada em disputas comerciais.

Esse risco reforça a necessidade de planejamento estratégico e prudência na celebração de novos contratos de exportação, já que a estabilidade tarifária pode ser temporária.

Possível tarifa global de 10% é vista com cautela

Entre os cenários em análise, há a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma tarifa global de 10% sobre todas as importações. Embora essa medida represente um retrocesso em relação ao livre comércio, a Frente Parlamentar avalia que seria menos prejudicial do que as alíquotas punitivas anteriores.

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Um imposto linear traria maior previsibilidade para o setor produtivo e colocaria o Brasil em condições mais equilibradas frente a outros exportadores. Ainda assim, a entidade reforça que o ideal é o retorno ao ambiente de livre comércio entre os dois países.

Diplomacia e cooperação são fundamentais para estabilidade do comércio

A Frente Parlamentar ressalta que, mesmo diante da decisão judicial favorável, o diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos deve permanecer ativo. A normalização completa das relações depende de negociações técnicas e institucionais que assegurem previsibilidade e competitividade ao setor.

O bom relacionamento bilateral tem sido um pilar para o crescimento das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, e sua manutenção é considerada essencial. Segundo a entidade, o momento exige equilíbrio, cooperação entre governo e setor produtivo, e ações coordenadas para preservar empregos e impulsionar a indústria nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

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A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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