AGRONEGÓCIO
Suplemento nutricional desenvolvido no RS fortalece colmeias durante a entressafra de flores
Publicado em
18 de junho de 2025por
Da Redação
Durante a entressafra de flores, período em que há escassez de néctar na natureza, as abelhas enfrentam grandes desafios nutricionais. Pensando em apoiar os apicultores nesses momentos críticos, a empresa gaúcha Védera Nutrição Animal lançou o Melero, um suplemento alimentar em pó especialmente formulado para colmeias comerciais.
Reforço nutricional em períodos críticos
O Melero é aplicado diretamente nas colmeias e atua como um fortalecedor do metabolismo das abelhas, permitindo que elas mantenham sua vitalidade e produtividade, mesmo quando não há oferta natural de alimento no campo.
“Na entressafra de flores, mesmo consumindo o próprio mel, as abelhas não conseguem suprir todas as suas necessidades nutricionais. Isso reduz sua disposição e afeta diretamente a produtividade das colmeias”, explica Cesar de Souza, diretor executivo da Védera.
Segundo Souza, o suplemento surgiu da demanda direta de apicultores, que enfrentavam prejuízos em períodos com pouca ou nenhuma florada.
Indicação também para regiões com flora limitada
Além da entressafra, o Melero também é recomendado para áreas com baixa diversidade floral, onde as abelhas precisam voar longas distâncias em busca de alimento, o que gera desgaste físico e queda na produção.
“O Melero atua justamente para reduzir esse impacto, oferecendo uma fonte prática e eficaz de nutrientes. É uma solução estratégica para manter a produção estável e aproveitar as oportunidades de mercado ao longo do ano”, ressalta Souza.
Resultados positivos no campo
O produto já tem sido testado por apicultores e instituições de pesquisa com bons resultados.
Para Alisson Paulinelli, dos Apiários Paulinelli, em Colorado (RS), que conta com cerca de 220 colmeias, o suplemento se mostrou um grande aliado:
“Tanto na entressafra quanto na saída da primavera, para alavancar os enxames, as abelhas aceitam muito bem. A gente nota que a postura aumenta neste momento. É uma ferramenta excelente para quem trabalha com a produção de mel.”
Já o professor Eduardo Ferreira, do Instituto Federal do Espírito Santo – Campus Santa Teresa, destaca o uso do Melero no manejo de abelhas sem ferrão:
“Mesmo com pouco tempo de uso — dois anos —, já observamos que a postura de ovos não caiu durante a entressafra, o que normalmente ocorre. O suplemento ajudou a manter a saúde das abelhas no mesmo padrão da primavera e do verão, o que é muito positivo.”
Brasil se destaca na produção e exportação de mel
Segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o Brasil conta com mais de 100 mil apicultores e cerca de 2 milhões de colmeias, posicionando-se entre os maiores produtores de mel do mundo.
No último ano, foram produzidas mais de 46 mil toneladas de mel, com grande parte destinada à exportação. Os Estados Unidos seguem como o principal destino das exportações brasileiras, que bateram recordes de volume e receita no último semestre, conforme levantamento do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral).
Com o lançamento do Melero, a Védera aposta em uma solução inovadora para fortalecer o setor apícola brasileiro, contribuindo para a saúde das abelhas, a sustentabilidade da produção de mel e a competitividade do país no mercado internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
20 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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