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Sucessão no campo pode redefinir perfil do mercado de terras no Brasil

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Brasil vive momento decisivo com a chegada da “grande sucessão” no agronegócio

O agronegócio brasileiro, um dos pilares da economia nacional, está diante de um momento-chave: a sucessão patrimonial. Com uma estimativa de US$ 9 trilhões em ativos rurais a serem transferidos até 2040, o país ocupa papel de destaque em um movimento global que deve transformar a estrutura fundiária.

Segundo Marcos Camilo, CEO da Pulse Capital, a sucessão deixou de ser uma possibilidade futura e passou a ser uma necessidade atual e estrutural para garantir a continuidade do setor. “Discutir sucessão no campo já não é uma opção, é uma exigência para a sobrevivência do agronegócio”, afirma.

Brasil representa mais de 10% da transferência global de ativos

Um estudo da Cerulli Associates estima que cerca de US$ 84,4 trilhões em ativos serão transferidos globalmente até 2045. O Brasil responde por mais de 10% desse volume, com boa parte ligada ao agronegócio, incluindo terras, maquinários e propriedades familiares com décadas de história.

Sem planejamento sucessório adequado, há risco de descontinuidade produtiva e de venda forçada de terras para pagamento de tributos, o que pode intensificar a reorganização fundiária e alterar o perfil dos proprietários rurais no país.

Desafios estruturais ameaçam continuidade nas propriedades rurais

O Sebrae aponta que 90% das empresas brasileiras são familiares, mas apenas 30% sobrevivem à segunda geração. No meio rural, a situação se agrava por fatores como:

  • Êxodo rural
  • Desinteresse dos herdeiros
  • Conflitos geracionais
  • Ausência de governança patrimonial

“Planejar a sucessão não é exclusividade das grandes fortunas. É essencial para quem quer proteger seu legado e evitar conflitos familiares no futuro”, ressalta Camilo.

Impacto tributário torna planejamento ainda mais estratégico

A sucessão envolve questões tributárias complexas, como ITCMD progressivo, ganhos de capital e, em alguns casos, a necessidade de liquidação de ativos. A Reforma Tributária (EC 132/2023), ao permitir alíquotas progressivas e centralizar competências, torna o timing do planejamento ainda mais relevante.

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Ferramentas jurídicas ajudam a preservar e profissionalizar a gestão

Entre as soluções jurídicas recomendadas estão:

  • Criação de holdings rurais
  • Testamentos com cláusulas restritivas
  • Doações em vida com reserva de usufruto
  • Protocolos familiares para governança

Essas estratégias permitem evitar a fragmentação da propriedade, profissionalizar a gestão e garantir a continuidade do negócio rural.

“A ausência de planejamento abre espaço para disputas familiares e desorganização completa do patrimônio”, alerta Camilo.

Choque de gerações: tradição x inovação

Outro desafio da sucessão rural é o conflito de visões entre gerações. Enquanto os mais velhos valorizam o modelo tradicional, baseado no “olho do dono”, os herdeiros mais jovens defendem o uso de tecnologia, dados e inteligência artificial na gestão das lavouras.

A integração entre essas visões exige:

  • Diálogo intergeracional
  • Capacitação conjunta
  • Escuta ativa

Esses valores são fundamentais para um processo sucessório bem-sucedido e sustentável.

Mercado de terras em transformação: concentração e novas oportunidades

A sucessão no campo deve gerar um novo ciclo no mercado de terras no Brasil. A venda de propriedades por herdeiros desinteressados ou para arcar com impostos pode causar uma oferta adicional de terras, impactando os preços e a estrutura fundiária.

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Segundo Geórgia Oliveira, CEO da plataforma Chãozão, muitas vendas futuras não serão decisões estratégicas, mas sim saídas obrigatórias. “Isso tende a conter ou até reduzir preços em regiões de baixa liquidez”, destaca.

Valorização de ativos premium atrai investidores institucionais

Por outro lado, áreas com boa infraestrutura, acesso a crédito e logística continuarão valorizadas. Fundos de investimento, empresas estrangeiras e grupos agroindustriais monitoram o mercado para adquirir propriedades produtivas com preços atrativos.

A entrada de investidores com governança estruturada e visão de longo prazo tende a elevar o padrão de gestão e a modernizar as propriedades, favorecendo a valorização de ativos bem organizados.

“Se por um lado veremos liquidação de terras por falta de planejamento, por outro, imóveis com sucessão resolvida e gestão profissional receberão prêmio de mercado”, acrescenta Geórgia.

Valorização será desigual no campo brasileiro

O impacto da sucessão sobre o preço das terras será heterogêneo. Áreas com:

  • Vocação produtiva clara
  • Infraestrutura adequada
  • Estabilidade jurídica
  • Gestão moderna

tendem a se valorizar. Já propriedades em regiões com baixa liquidez, ausência de governança ou disputas familiares correm o risco de sofrer depreciação patrimonial.

Sucessão como oportunidade, não problema

O agronegócio brasileiro vive um ponto de inflexão. Adiar o debate sobre sucessão patrimonial não é cautela — é risco. Para especialistas, famílias que enxergarem esse momento como uma oportunidade terão mais chances de preservar seu patrimônio, fortalecer vínculos e perpetuar seus valores no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Indústria da borracha precisa acelerar execução de soluções para ganhar competitividade global, aponta estudo da Fiesp

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A indústria brasileira de artefatos de borracha já mapeou com clareza seus principais gargalos e oportunidades, mas ainda precisa avançar na transformação de diagnósticos em ações concretas para ampliar sua competitividade. A avaliação foi apresentada por Albino Fernando Calantuono, especialista em Competitividade e Tecnologia da Fiesp, durante a Expobor 2026 e a Pneushow 2026, eventos de referência do setor na América Latina.

Importações pressionam mercado e ampliam desafios da indústria nacional

De acordo com o levantamento apresentado, o setor enfrenta forte concorrência de produtos importados, que já representam cerca de 43% de penetração no mercado brasileiro.

Além disso, a cadeia produtiva convive com entraves estruturais, como o elevado custo de produção no país — o chamado “Custo Brasil” —, a ausência de uma política industrial de longo prazo e a concorrência crescente de materiais substitutos, especialmente os plásticos.

O estudo também aponta que 18,4% dos produtos de borracha são destinados ao setor automotivo, enquanto a maior parte das empresas do segmento é composta por pequenos e médios negócios.

China lidera exportações e amplia disputa global

No cenário internacional, a China se destaca como principal player global, liderando praticamente todas as categorias de produtos de borracha comercializados pelo Brasil e respondendo por 18,4% das exportações mundiais do setor.

O Brasil, por outro lado, ocupa a 30ª posição no ranking global de exportadores, com participação de apenas 0,7%.

Segundo Calantuono, apesar do cenário desafiador, há espaço para expansão da indústria brasileira.

“A China está praticamente no quintal do Brasil quando observamos o mercado latino-americano. Ela lidera em escala, competitividade e capacidade produtiva. Mas isso não significa que o Brasil não tenha espaço”, destacou.

Oportunidade está em inovação, sustentabilidade e economia circular

O especialista defende que o reposicionamento da cadeia da borracha brasileira deve passar por inovação tecnológica e estratégias sustentáveis.

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Entre os caminhos apontados estão soluções de menor pegada de carbono, maior valor agregado e práticas de economia circular, como reaproveitamento de resíduos e desenvolvimento de materiais inovadores.

“O Brasil possui uma oportunidade única de reposicionar sua cadeia com soluções sustentáveis e customizadas, que podem se tornar diferenciais competitivos importantes”, afirmou.

Calantuono também defendeu a criação de instrumentos regulatórios e políticas públicas para fortalecer o setor.

“A indústria da borracha precisa de uma política tecnológica e industrial consistente para competir em igualdade de condições com o mercado internacional”, completou.

Senai amplia investimentos em capacitação e inovação no setor

Durante o evento, instituições do Sistema S apresentaram iniciativas voltadas à qualificação profissional e ao desenvolvimento tecnológico da indústria da borracha.

O Senai-SP anunciou a implantação de um laboratório de elastômeros no Distrito Tecnológico de São Bernardo do Campo (SP), com início de operação previsto para 2027. O projeto contará com 14 equipamentos de alta tecnologia e investimento estimado em R$ 10 milhões.

Segundo Fernanda Moreira, coordenadora técnica de Novos Negócios do Senai-SP, a estrutura atenderá diferentes segmentos industriais.

“A meta é atender aplicações de alta performance em pneus, indústria automotiva, construção civil, aeroespacial, médico-hospitalar e calçadista, com desenvolvimento de projetos de P,D&I”, afirmou.

Além disso, o Senai-SP está destinando cerca de R$ 3 milhões para capacitação profissional, com 14 cursos voltados ao setor, em formatos presenciais, in company e, futuramente, EAD.

Senai-RS busca ampliar participação da borracha em projetos de inovação

O Senai-RS também destacou iniciativas para expandir a presença da indústria da borracha em seus projetos de pesquisa e desenvolvimento.

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Segundo Jordão Gheller Jr., gerente de Operações do Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros, atualmente apenas 15% dos 29 projetos em andamento envolvem elastômeros.

O painel foi complementado por ações de formação profissional conduzidas por Sandro Lima Bernieri, voltadas à qualificação na área de polímeros.

Novas tecnologias reforçam sustentabilidade e eficiência produtiva

A Arena do Conhecimento da Expobor e da Pneushow 2026 também apresentou inovações tecnológicas voltadas à indústria da borracha.

Entre os destaques, Jason Silva, da Retilox, apresentou sistemas de cura com peróxidos atóxicos, com menor uso de insumos, maior produtividade e reciclabilidade total dos resíduos pós-cura. A tecnologia também reduz emissões de compostos orgânicos voláteis (VOC), contribuindo para a saúde ocupacional e a economia circular.

Já Guilhermo Spangenberg, da Cabot Corporation, apresentou o CGX 1000, um novo tipo de negro de carbono com até 30% de carbono recuperado, desenvolvido para apoiar empresas na redução das emissões dos escopos 1, 2 e 3 do Protocolo GHG.

Indústria precisa reforçar foco no cliente e adaptação ao mercado

Encerrando o ciclo de palestras, o consultor Sérgio Luís Patzlaff, da STG Consultoria Empresarial, destacou a importância da leitura de mercado e da conexão com o cliente como fatores decisivos para a competitividade.

Segundo ele, muitas empresas acabam direcionando esforços para questões internas, em detrimento das demandas externas.

“A empresa não está perdendo cliente, está desistindo de vê-los. A reconexão começa dentro da organização”, afirmou.

O especialista reforçou ainda que a atenção aos clientes em risco deve ser prioridade estratégica, já que a perda de relacionamento pode ser irreversível.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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