AGRONEGÓCIO

Subsídios agrícolas: Brasil x mundo

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De acordo com o IPEA, na década de 1980, o Brasil despendia cerca de 5,6% de seu orçamento federal com apoio à agricultura, que diminuiu para 2,2% em 2003 (bit.ly/433ovBI). Embora os valores da época possam parecer elevados, quando comparados aos atuais, ainda assim já se situavam muito abaixo do apoio conferido pelos países ricos, no mesmo período.

Analisando com base em outro parâmetro, em um período mais recente (2006 a 2015), verifica-se que a China aumentou os subsídios à agricultura, expressos pelo percentual da receita bruta do produtor (de 14,1 para 21,3%) (bit.ly/3TlyAqp). Nos Estados Unidos, o valor se manteve praticamente estável no período (9,1 para 9,4%). Alguns países ou blocos apresentaram leve tendência de queda no mesmo período, porém mantendo-se em altos patamares, como a União Europeia (21,3 para 18,9%), Rússia (17,5 para 14,6%) e Canadá (14,3 para 9,4%). Quem diminuiu a participação dos subsídios na renda do produtor foram o Brasil (de 4,8 para 2,6%) e a Austrália (de 3,0 para 1,3%).

Tipos de suportes

Existem diferentes conceitos de suportes. O primeiro deles é chamado de “Estimativa de suporte total” (TSE), conceituado como o valor total anual transferido do orçamento governamental para a agropecuária ou aos consumidores de gêneros agropecuários. Em valores monetários, o Cepea/Esalq mostra que, entre 2000 e 2020 o Brasil diminuiu 77%, em termos reais, o suporte total à agricultura, passando de US$ 19,34 bilhões para US$ 4,45 bilhões (bit.ly/3TjqsXd). Para efeito de comparação, no mesmo período a China aumentou em 468% o suporte total aos seus agricultores, passando de US$ 41 bilhões para US$232 bilhões anuais. Expresso em percentual do orçamento nacional, o suporte aos agricultores no ano de 2020 representou 0,34% no Brasil, contra 1,59% na China, 0,66% na União Europeia e 0,46% nos EUA.

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O segundo conceito é a “Estimativa de suporte aos produtores” (PSE), que remete às transferências brutas para os produtores agrícolas de maneira individual, por mecanismos de política agrícola, como o suporte aos preços de comercialização, subsídios ao crédito e seguro rural e demais subvenções ao produtor. O Brasil reduziu em 86% o aporte direto, de US$ 13,81 bilhões em 2000 para US$ 1,96 bilhão em 2020 (bit.ly/4c0zYG0). Em relação à receita bruta do agricultor (RBA), o suporte direto caiu de 9,08% (2000) para 1,35% (2020). Nesse ano, na União Europeia, a relação PSE/RBA foi de 19,33% e, nos países membros da OCDE, de 18,07%, enquanto na China, Estados Unidos e Rússia as relações foram de 12,17%, 11,03% e 6,68%, respectivamente, de acordo com o Cepea.

Finalmente, o terceiro tipo de suporte é chamado de “Estimativa de suporte aos serviços gerais da agropecuária” (GSSE) e se refere ao valor das transferências brutas por instrumentos de política agrícola que beneficiam o setor como um todo, como os sistemas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, de defesa agropecuária e de infraestrutura agrícola. A análise do Cepea para o GSSE mostra uma redução de US$ 6,75 bilhões (2011) para US$ 1,75 bilhão (2020) nos dispêndios do governo brasileiro.

Crédito

Dos R$340 bilhões que compuseram o Plano Safra 2022/23, cerca de um terço tiveram os juros equalizados pelo Tesouro Nacional, representados pelos recursos destinados ao PRONAF (agricultura familiar) e ABC+ (programa de agricultura de baixas emissões). Estima-se que o apoio direto governamental tenha demandado recursos de US$ 2 bilhões, valor inferior a 1% do Valor Bruto da Produção Agropecuária.

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Compare-se esse valor aos US$540 bilhões referidos pela ONU (bit.ly/3T1Z6n6) como apoio direto aos produtores rurais em todo o mundo. O Brasil representa 0,37% dos subsídios globais, embora responda por 7,8% da produção mundial de grãos e 19% da sua exportação; por 9,2% da produção de carnes e 12,4% da exportação; por 5,4% da produção de frutas e 2,3% da exportação; por 33,9% do açúcar e 30,3% da sua exportação; 30,3% da produção de café e 25,5% da exportação; 5,2% da produção silvícola e 8,9% da exportação (bit.ly/48BlJEO).

Agricultor beneficia a sociedade

Por qualquer ângulo que se examine, verifica-se que o agricultor brasileiro aprendeu a competir com as próprias forças, fruto de seu empreendedorismo, de sua capacidade de gestão e do uso de tecnologia adequada. Com o ganho de produtividade, cresceu a competividade, possibilitando uma atuação no mercado internacional com um suporte governamental muito baixo, comparado aos seus competidores.

Além de garantir o alimento de cada dia dos brasileiros, saliente-se que, ao mostrar-se competitivo sem necessidade de uma grande rede de proteção financeira, o agricultor em muito contribui para a sociedade brasileira, liberando recursos que estão sendo utilizados na saúde, educação, transporte, segurança e outras prioridades. Um benefício muito pouco conhecido da população urbana.

Por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, membro do Conselho Científico Agro Sustentável e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica

Fonte: CAAS

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Megaleite 2026 bate recordes de público, negócios e produção leiteira em Belo Horizonte

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A 21ª edição da Megaleite consolidou seu protagonismo como principal vitrine da pecuária leiteira brasileira ao encerrar suas atividades com recordes de público, volume de negócios e desempenho zootécnico. Realizada entre os dias 2 e 6 de junho, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG), a exposição movimentou cerca de R$ 400 milhões, valor 33% superior ao registrado na edição anterior.

Promovida pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, a feira reuniu aproximadamente 100 mil visitantes, entre produtores, técnicos, pesquisadores, empresários e investidores do Brasil e do exterior, reforçando a força da genética leiteira nacional e das tecnologias voltadas ao setor.

Evento atrai visitantes internacionais e fortalece mercado da genética

A Megaleite recebeu representantes de nove países, incluindo Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, França, México, Panamá e Portugal, ampliando sua relevância no cenário internacional da pecuária leiteira.

Segundo a organização, o forte interesse pela genética bovina de alta qualidade impulsionou os resultados dos leilões e a geração de novos negócios durante os cinco dias de evento.

Além das vendas realizadas, empresas expositoras destacaram a prospecção de novos clientes e oportunidades comerciais em diferentes segmentos da cadeia produtiva do leite.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Alexandre Lacerda, destacou que o mercado segue aquecido e que o investimento em genética superior tem sido cada vez mais reconhecido pelos produtores como ferramenta para elevar produtividade e rentabilidade.

Pecuária leiteira ganha espaço no debate político

A feira também serviu como palco para discussões sobre políticas públicas voltadas ao setor leiteiro.

Durante a cerimônia oficial de abertura, lideranças políticas nacionais participaram dos debates sobre os desafios da cadeia produtiva, ao lado de senadores, deputados federais e estaduais, vereadores, secretários e representantes de entidades ligadas ao agronegócio.

A pauta incluiu temas relacionados à competitividade, sustentabilidade, inovação tecnológica e fortalecimento da produção nacional de leite.

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Megaleite impulsiona avanços em genética e pesquisa

Entre os principais anúncios técnicos do evento esteve a assinatura de um acordo de cooperação entre a Embrapa Gado de Leite e a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando para o desenvolvimento de um projeto de edição gênica da raça.

A iniciativa pretende utilizar ferramentas avançadas de genômica para incorporar características estratégicas aos animais, como maior resistência ao calor, melhor resposta imunológica, aumento da longevidade e ganhos de produtividade.

Outro termo firmado durante a feira prevê o desenvolvimento de pesquisas e avaliações genéticas da raça Girolando na Fazenda Santa Mônica, unidade vinculada à Embrapa.

A programação técnica também marcou o lançamento da nova edição do Sumário de Touros e Fêmeas Girolando, importante ferramenta para seleção genética dos rebanhos leiteiros brasileiros.

Torneio leiteiro registra recordes mundiais

Um dos momentos mais aguardados da Megaleite foi o tradicional torneio leiteiro, que reuniu cerca de 1.400 animais das raças Girolando, Gir Leiteiro, Holandês, Guzerá, Guzolando, Sindi e bubalinos.

A edição de 2026 entrou para a história ao registrar três novos recordes de produção.

A vaca Jornada Montross FIV LPN, da composição genética Girolando 1/2, estabeleceu o novo recorde mundial de produção em torneios leiteiros oficiais da raça ao alcançar 337,950 quilos de leite durante a competição, com média diária de 112,650 quilos.

O animal pertence ao criador Rodrigo Nogueira Ferreira, da Fazenda Alvorada, localizada em Inhaúma (MG).

Outro destaque foi a vaca Gemada FIV Feriado 1259 Mogiana, nova recordista da categoria Girolando 1/4, com produção de 263,790 quilos de leite e média de 87,930 quilos.

Já a vaca Singela Countdown 23072 Campos Lima tornou-se a nova recordista entre as vacas jovens Girolando 3/4 ao atingir produção de 269,780 quilos de leite e média de 89,927 quilos.

Exposição nacional destaca qualidade dos animais

A Megaleite também sediou a 35ª Exposição Nacional da Raça Girolando, cujos julgamentos foram transmitidos ao vivo para milhares de espectadores no Brasil e no exterior.

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As grandes campeãs da edição foram:

  • Girolando 1/4: 1172 Maravilha Iva da Querença
  • Girolando 1/2: Oricema FIV Crushabull 2817 RS do Rancho Alegre
  • Girolando 3/4: 5906 FIV Brass Ricanata
  • Girolando 5/8 PS: Kalola FIV Blaska Fazenda Campina Verde

Os resultados reforçam o elevado padrão genético dos animais apresentados na principal vitrine da pecuária leiteira nacional.

Novos projetos incentivam jovens e mulheres no setor

A programação da feira também foi marcada pelo lançamento dos projetos Girolando Jovem e Girolando Mulher.

As iniciativas buscam ampliar a participação de jovens e mulheres na atividade leiteira, estimulando a sucessão familiar nas propriedades rurais e fortalecendo a presença feminina nos processos de gestão e tomada de decisão.

Programação técnica e gastronomia atraíram o público

Além das exposições e competições, a Megaleite promoveu palestras, cursos e painéis técnicos sobre gestão rural, melhoramento genético, produção de leite, fabricação de queijos, bem-estar animal e inovação tecnológica.

O evento também recebeu o Festival do Queijo Artesanal de Minas, realizado em parceria com entidades do setor, oferecendo ao público produtos típicos de diversas regiões mineiras.

Para as famílias, atrações como a Mini Fazendinha e o Clubinho Girolando aproximaram crianças e jovens do universo da produção agropecuária.

Megaleite 2027 já tem data definida

Durante a cerimônia de encerramento, a organização confirmou a realização da 22ª edição da Megaleite entre os dias 8 e 12 de junho de 2027, novamente em Belo Horizonte.

A expectativa é ampliar ainda mais a participação de expositores, criadores e empresas do setor, consolidando o evento como referência em genética, tecnologia e negócios para a pecuária leiteira brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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