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Soja oscila em Chicago à espera do USDA, enquanto mercado monitora clima nos EUA, petróleo e demanda global

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O mercado internacional da soja iniciou esta quinta-feira (11) em compasso de espera, com os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operando próximos da estabilidade diante da expectativa pela divulgação do novo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), considerado um dos principais eventos para a formação de preços das commodities agrícolas.

Os investidores evitam assumir posições mais agressivas antes da publicação do relatório WASDE (World Agricultural Supply and Demand Estimates), que deve trazer atualizações para as estimativas de produção, estoques e consumo global de soja, além de novos números para os principais produtores mundiais, como Estados Unidos, Brasil e Argentina.

Mercado cauteloso após recuperação dos preços

Após encerrar a sessão anterior em alta, impulsionada por compras de oportunidade e pela valorização do petróleo, a soja voltou a apresentar movimentos limitados nesta manhã. Os contratos mais negociados oscilaram entre leves ganhos e perdas, refletindo a cautela dos participantes do mercado.

Na quarta-feira, os futuros da oleaginosa registraram recuperação após atingirem os menores níveis em aproximadamente quatro meses. O movimento foi impulsionado por ajustes técnicos e reposicionamento de carteiras antes do relatório oficial do USDA.

O contrato julho fechou a US$ 11,23 por bushel, com valorização de 0,83%, enquanto agosto encerrou cotado a US$ 11,27 por bushel, acumulando ganho de 0,80%.

Entre os derivados, o farelo de soja avançou para US$ 301,90 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja fechou em alta, acompanhando o comportamento do mercado energético internacional.

Expectativas para o relatório do USDA

As projeções do mercado apontam para ajustes moderados nos números divulgados pelo USDA em maio. A expectativa predominante é de uma leve redução nos estoques finais norte-americanos para a temporada 2026/27, refletindo uma demanda relativamente firme.

Analistas internacionais trabalham com uma estimativa de safra dos Estados Unidos próxima de 4,433 bilhões de bushels, praticamente estável em relação à projeção anterior. Já os estoques finais devem recuar marginalmente.

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No cenário global, a expectativa é de aumento dos estoques mundiais de soja, que podem superar 125 milhões de toneladas. Os investidores também acompanham atentamente qualquer sinalização sobre o ritmo das importações chinesas, fator considerado determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda mundial.

Clima no Corn Belt segue no radar

Além do relatório, as condições climáticas nos Estados Unidos permanecem entre os principais direcionadores do mercado.

As previsões indicam chuvas favoráveis para importantes regiões produtoras do Corn Belt nas próximas semanas, cenário que tende a beneficiar o desenvolvimento das lavouras e limitar movimentos mais expressivos de alta.

Por outro lado, parte do suporte aos preços continua vindo da leve deterioração observada recentemente nas condições das lavouras americanas, o que mantém os agentes atentos à evolução do clima durante o período crítico de desenvolvimento das plantas.

Petróleo e tensões geopolíticas influenciam as commodities

O mercado também acompanha os desdobramentos das tensões no Oriente Médio. A escalada dos conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã trouxe volatilidade aos mercados globais nos últimos dias e impactou diretamente o setor de energia.

A valorização recente do petróleo contribuiu para sustentar o complexo soja, especialmente o óleo de soja, devido à sua forte ligação com a produção de biodiesel. Embora os contratos do petróleo apresentem ajustes nesta quinta-feira, o cenário geopolítico segue adicionando um componente extra de risco às negociações.

Brasil mantém protagonismo na oferta mundial

Enquanto o mercado internacional aguarda os novos números do USDA, o Brasil segue consolidando sua posição como principal fornecedor global da oleaginosa.

As expectativas indicam que o departamento norte-americano poderá elevar novamente sua estimativa para a safra brasileira 2025/26, atualmente projetada em torno de 180 milhões de toneladas, reforçando o potencial recorde da produção nacional.

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Na Argentina, também são esperadas revisões positivas para a colheita, refletindo melhores condições produtivas observadas ao longo do ciclo.

Mercado físico apresenta comportamentos regionais distintos

No mercado brasileiro, os preços permanecem influenciados pela logística, pelo ritmo das exportações e pela necessidade de abertura de espaço nos armazéns para a chegada do milho segunda safra.

No Rio Grande do Sul, a colheita da safra de verão foi concluída, com produtividade média próxima de 2,9 toneladas por hectare. Em algumas regiões, cooperativas registraram valorização da soja, enquanto os preços portuários apresentaram leve recuo.

No Paraná, a produção foi consolidada em aproximadamente 21,7 milhões de toneladas, uma das maiores da história do estado. O elevado volume armazenado continua pressionando a capacidade dos silos e exigindo maior eficiência logística.

Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o mercado segue atento ao avanço da comercialização da safra e à dinâmica das exportações. A necessidade de liberar espaço para o milho safrinha continua sendo um fator importante para as negociações dos produtores.

Perspectiva para os próximos dias

A divulgação do relatório do USDA deverá definir a direção dos preços internacionais no curto prazo. Caso os números confirmem estoques mais apertados nos Estados Unidos ou indiquem uma demanda global mais robusta, o mercado poderá encontrar suporte adicional.

Por outro lado, estoques mundiais mais elevados, clima favorável no cinturão agrícola norte-americano e perspectivas de grandes safras na América do Sul tendem a limitar movimentos mais consistentes de valorização.

Diante desse cenário, produtores, exportadores e investidores seguem acompanhando atentamente os indicadores de oferta e demanda, além dos fatores climáticos e geopolíticos que continuam moldando o comportamento do mercado global da soja.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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El Niño em 2026 deve aumentar pressão de pragas e reforça uso de controle biológico no agronegócio

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O possível retorno do fenômeno El Niño em 2026 já acende alerta no agronegócio brasileiro. O evento climático tende a intensificar a instabilidade das safras, alterando regimes de chuva e temperatura e, consequentemente, elevando a pressão de pragas e doenças nas principais regiões produtoras do país.

Projeções meteorológicas indicam alta probabilidade de formação do fenômeno a partir do segundo semestre de 2026, com impactos distintos entre as regiões produtoras: excesso de chuvas no Sul, estiagens no Norte e Nordeste e variações térmicas no Centro-Oeste e Sudeste.

Condições climáticas favorecem aumento da pressão de pragas agrícolas

Segundo especialistas, o cenário típico do El Niño cria condições favoráveis à rápida multiplicação de insetos-praga, especialmente em sistemas de produção mais intensivos.

De acordo com a doutora em Entomologia pela ESALQ/USP e CEO da Life Biological Control, Cristiane Tibola, o aumento de temperatura e o estresse hídrico aceleram o ciclo biológico de pragas importantes no campo.

Entre os principais riscos estão o avanço da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) e da lagarta Spodoptera frugiperda, além do aumento da pressão de outras espécies em diferentes culturas.

Soja e milho devem enfrentar maior risco de pragas no cenário de El Niño

Na cultura da soja, especialistas apontam maior incidência de lagartas desfolhadoras, como falsa-medideira e Helicoverpa, além de mosca-branca e percevejos.

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Em anos de El Niño, o ambiente mais quente e úmido favorece o crescimento populacional desses insetos, ampliando o potencial de danos econômicos e elevando os custos de manejo fitossanitário.

No milho, a combinação entre estresse climático e instabilidade hídrica também tende a intensificar a pressão de pragas-chave, exigindo maior atenção do produtor rural.

Controle biológico ganha protagonismo no Manejo Integrado de Pragas

Diante do cenário de maior risco fitossanitário, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) com base em soluções biológicas ganha força como estratégia central nas lavouras brasileiras.

O uso de bioinsumos permite maior seletividade no controle de pragas, preservação de inimigos naturais e redução da dependência de inseticidas químicos, contribuindo para a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

Macrobiológicos e baculovírus ampliam eficiência no controle de pragas

Entre as tecnologias biológicas disponíveis, o uso de macrobiológicos tem se destacado no controle de percevejos, especialmente em lavouras de soja.

Soluções como o Defender Soy, desenvolvido com a microvespa Telenomus podisi, atuam no controle de ovos do percevejo-marrom (Euschistus heros), interrompendo o ciclo da praga antes que ela atinja o estágio de maior dano econômico.

No controle de lagartas, bioinseticidas à base de baculovírus vêm ganhando espaço, especialmente em áreas com resistência a inseticidas convencionais. Produtos da linha Destroyer são utilizados no manejo de espécies como Spodoptera frugiperda, falsa-medideira e Helicoverpa.

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Soluções integradas ampliam eficiência operacional no campo

Tecnologias combinadas, como Defender Duo e Defender Triple, permitem o controle simultâneo de diferentes pragas, ampliando o espectro de ação e otimizando operações de manejo.

Esse tipo de estratégia contribui para maior eficiência operacional, redução de aplicações químicas e melhor aproveitamento das áreas produtivas.

Crescimento dos bioinsumos reforça mudança no modelo produtivo

A Life Biological Control destaca que atualmente detém o maior portfólio de produtos à base de baculovírus no mercado brasileiro, acompanhando a expansão do uso de bioinsumos no país.

Com sede em Piracicaba (SP), a empresa registrou crescimento superior a 200% nas vendas nos últimos 12 meses, impulsionado pela adoção crescente de tecnologias biológicas e pelo avanço do Manejo Integrado de Pragas.

Sustentabilidade e resiliência ganham peso na estratégia do produtor

Em um cenário de maior instabilidade climática, especialistas apontam que o controle biológico deve deixar de ser apenas uma alternativa complementar para se tornar parte central da estratégia de manejo nas propriedades rurais.

A tendência é que sistemas produtivos mais resilientes, baseados em tecnologia, monitoramento e bioinsumos, ganhem protagonismo na busca por eficiência produtiva e sustentabilidade no agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio pragas_agro

Fonte: Portal do Agronegócio

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