AGRONEGÓCIO

Soja inicia julho estável em Chicago após relatório do USDA; clima nos EUA e mercado brasileiro seguem no radar

Publicado em

O mercado internacional da soja começou o mês de julho em ritmo de estabilidade na Bolsa de Chicago (CBOT), após a forte repercussão do relatório de área plantada e estoques trimestrais divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Com os números já incorporados aos preços, os investidores voltam as atenções para o comportamento do clima nas principais regiões produtoras norte-americanas, fator que deve determinar a direção das cotações nas próximas semanas.

Nas primeiras negociações desta quarta-feira (1º), os contratos futuros apresentavam pequenas oscilações. O vencimento julho era negociado próximo de US$ 11,14 por bushel, enquanto o contrato novembro girava em torno de US$ 11,43 por bushel, refletindo um mercado ainda sem tendência definida.

Mercado absorve dados do USDA

O relatório divulgado pelo USDA confirmou um aumento de aproximadamente 5% na área cultivada com soja nos Estados Unidos em relação à temporada anterior, movimento favorecido pela migração de parte das áreas anteriormente destinadas ao milho.

Além disso, o órgão estimou a área plantada em 34,55 milhões de hectares e apontou estoques trimestrais de 28,88 milhões de toneladas, números considerados baixistas pelo mercado por indicarem maior oferta potencial da oleaginosa.

Apesar disso, as perdas foram limitadas. Durante o encerramento do pregão anterior, os contratos conseguiram recuperar parte do terreno perdido. O contrato julho avançou 0,72%, encerrando a US$ 11,1675 por bushel, enquanto o agosto registrou alta de 0,45%, para US$ 11,2425 por bushel, impulsionado pelo desempenho positivo de outras commodities agrícolas e pela preocupação crescente com as condições climáticas nos Estados Unidos.

Clima passa a ser o principal fator para os preços

Com os relatórios do USDA praticamente precificados, o mercado direciona seu foco para o desenvolvimento das lavouras no Corn Belt, principal cinturão agrícola norte-americano.

Leia Também:  Prefeitura de Cuiabá fará sorteio de R$ 130 mil em prêmios nesta quarta

O verão nos Estados Unidos entra agora em sua fase mais sensível para a definição do potencial produtivo da soja. Episódios de calor intenso ou déficit hídrico podem comprometer a produtividade das lavouras e provocar maior volatilidade nas bolsas.

Os dados mais recentes mostram que 65% das áreas cultivadas apresentam condições classificadas entre boas e excelentes, um ponto percentual abaixo da semana anterior. Já aproximadamente 19% das lavouras entraram na fase de floração, considerada decisiva para o rendimento final da safra.

Demanda chinesa e geopolítica seguem influenciando o mercado

Além das condições climáticas, os investidores permanecem atentos ao cenário geopolítico internacional e ao comportamento da demanda chinesa, principal compradora mundial da soja.

Outro ponto de atenção são os números das vendas semanais de exportação dos Estados Unidos, que serão divulgados pelo USDA e poderão oferecer novos sinais sobre o ritmo da demanda externa pela oleaginosa.

Enquanto isso, no complexo soja, o farelo apresentou estabilidade, enquanto o óleo recuou 3,37%, acompanhando a desvalorização observada no mercado internacional do petróleo.

Mercado físico brasileiro enfrenta pressão de oferta e logística

No Brasil, o mercado físico encerrou junho com comportamento misto entre as principais regiões produtoras. A elevada oferta disponível, aliada aos desafios logísticos e ao aumento dos custos de produção, continua limitando novos negócios.

No Rio Grande do Sul, o porto de Rio Grande registrou negócios ao redor de R$ 135 por saca. A produtividade final da safra ficou cerca de 14,8% abaixo das projeções iniciais, enquanto o encerramento da colheita da soja e o avanço das culturas de inverno elevaram a pressão sobre a capacidade de armazenagem.

Leia Também:  Prefeitura e Governo firmam parceria para conclusão de Centro Médico Infantil

Em Santa Catarina, os negócios em São Francisco do Sul ocorreram próximos de R$ 130 por saca, refletindo o aumento da oferta nacional.

No Paraná, o porto de Paranaguá apresentou preços próximos de R$ 134 por saca. A produção estadual foi consolidada em 21,778 milhões de toneladas.

Já em Mato Grosso do Sul, o elevado custo de produção continua restringindo as vendas. O custo operacional alcançou R$ 6.115,83 por hectare, exigindo aproximadamente 50,97 sacas por hectare apenas para o ponto de equilíbrio financeiro, cenário que incentiva muitos produtores a manterem a soja armazenada à espera de melhores preços.

Em Mato Grosso, além da queda nas cotações em diversas regiões, a colheita do milho já supera 32% da área cultivada, aumentando a disputa por transporte e espaço nos armazéns, o que também influencia a dinâmica da comercialização da soja.

Produtores aguardam melhores oportunidades

Diante desse cenário, os produtores brasileiros seguem adotando uma postura cautelosa. A definição dos preços continua dependente da evolução do clima nos Estados Unidos, das oscilações do dólar frente ao real e do comportamento da demanda internacional.

A expectativa do mercado é de que a volatilidade permaneça elevada nas próximas semanas, uma vez que qualquer alteração nas condições climáticas do Corn Belt ou mudanças no ritmo das exportações norte-americanas poderão influenciar diretamente as cotações internacionais e, consequentemente, a formação dos preços da soja no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%

Published

on

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.

A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.

Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.

A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.

O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.

Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.

A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.

Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.

Leia Também:  Ibovespa sinaliza pausa após cinco quedas consecutivas

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.

“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.

Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.

Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.

Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.

Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.

Leia Também:  Prefeitura e Governo firmam parceria para conclusão de Centro Médico Infantil

As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.

Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.

Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.

A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.

A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.

Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA