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Soja e Milho Oscilam entre Safra Recorde, Volatilidade Cambial e Recuperação Internacional: Mercado Agrícola Inicia Semana com Cautela

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O mercado da soja iniciou a semana sob forte influência da desvalorização do dólar frente ao real e das expectativas de safra recorde no Brasil, fatores que reduziram a competitividade do grão nacional no mercado externo. Segundo levantamento do Cepea, a combinação desses elementos levou à retração das cotações internas e à desvalorização dos prêmios de exportação.

A Conab informou que até 17 de janeiro cerca de 3,2% da área nacional de soja já havia sido colhida, superando o percentual de 1,2% registrado no mesmo período do ano anterior. Com isso, compradores seguem cautelosos e postergam novas aquisições, aguardando a intensificação da colheita e possíveis ajustes de preço.

Soja em Chicago: Leve Alta Reflete Reposicionamento do Mercado e Cautela Global

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja iniciaram a segunda-feira (26) com leves altas entre 3,75 e 4,75 pontos, levando o vencimento de março a US$ 10,72 e o de maio a US$ 10,83 por bushel. O movimento reflete ajustes técnicos após quedas recentes e o reposicionamento de fundos diante do cenário macroeconômico global.

O enfraquecimento do dólar no exterior, o avanço da colheita brasileira e a demanda ainda firme pela soja norte-americana compõem o pano de fundo do mercado. Além disso, a alta do ouro acima dos US$ 5.000 por onça acende o alerta de investidores em busca de proteção, reforçando um ambiente de incerteza e volatilidade.

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Panorama Regional: Preços Variam entre Estados e Logística Pesa sobre Cotações

O comportamento da soja no mercado físico brasileiro segue heterogêneo, variando conforme região e dinâmica logística:

  • Rio Grande do Sul: semeadura atinge 98% da área, com preços em queda — R$ 134,00/sc no porto (-0,74%) e R$ 123,14/sc no interior (-1,47%).
  • Santa Catarina: soja voltada à agroindústria de proteína animal, cotada entre R$ 118,00 e R$ 121,00/sc; farelo opera a R$ 2,00/kg e milho de referência a R$ 75,00/sc.
  • Paraná: mantém otimismo, com preços entre R$ 119,00 e R$ 131,00/sc, dependendo da praça.
  • Mato Grosso do Sul: volatilidade acentuada entre regiões; média estadual de R$ 116,19/sc, com variações positivas em Dourados e Campo Grande.
  • Mato Grosso: colheita avança rapidamente, com 13,88% da área colhida segundo o IMEA; preços entre R$ 101,00 e R$ 108,00/sc conforme o município.

A diferença de preços entre estados evidencia desafios logísticos e de escoamento, sobretudo nas regiões centrais do país, onde o transporte e o frete seguem pressionando margens dos produtores.

Milho: Recuperação em Chicago e Alerta para Ajustes Técnicos no Mercado Interno

O mercado de milho também passou por ajustes na última semana, em um movimento de correção técnica após fortes oscilações. A TF Agroeconômica destaca que o cenário ainda é de baixa liquidez e impasse entre compradores e vendedores, exigindo atenção redobrada dos agentes.

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Na Bolsa de Chicago, os preços encerraram a semana em alta, sustentados pela recuperação das exportações norte-americanas. Dados do USDA indicam vendas externas de 4,01 milhões de toneladas entre 9 e 15 de janeiro — o maior volume semanal da safra 2025/26 até agora —, totalizando 56,05 milhões de toneladas exportadas, alta de 33,7% sobre o mesmo período do ano anterior.

O clima seco na Argentina, que reduziu a condição das lavouras, adicionou prêmios climáticos aos preços. Já a valorização do real frente ao dólar limitou a competitividade das exportações brasileiras, contribuindo para o suporte das cotações em Chicago.

No entanto, fatores de baixa persistem: a ausência de liberação da venda de E15 (etanol com 15% de milho) nos EUA limita o consumo do cereal, enquanto a expectativa de safra recorde norte-americana ainda impõe um viés baixista de médio prazo.

Perspectiva do Agronegócio: Cautela e Estratégia Diante de um Cenário de Transição

Com a colheita brasileira ganhando ritmo e a movimentação cambial adicionando volatilidade, o início de 2026 se apresenta como um período de transição para o agronegócio. A atenção dos produtores deve se concentrar na gestão de custos e estratégias de comercialização, especialmente diante das incertezas macroeconômicas e climáticas que seguem ditando o rumo das commodities agrícolas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Ruptura em supermercados recua para 11,7% em março, mas itens essenciais seguem pressionando abastecimento no Brasil

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O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a falta de produtos nas prateleiras dos supermercados brasileiros, recuou para 11,7% em março de 2026. O resultado representa queda de 1,5 ponto percentual em relação a fevereiro (13,2%), indicando uma leve recuperação no abastecimento do varejo alimentar.

Apesar do avanço, categorias essenciais da cesta básica continuam pressionando o indicador, com destaque para leite, arroz, feijão e azeite, que ainda apresentam níveis elevados de indisponibilidade.

Varejo melhora abastecimento, mas consumo segue irregular

Segundo análise da Neogrid, o movimento de redução na ruptura reflete uma recomposição gradual dos estoques por parte dos supermercados, que vêm se preparando para uma possível retomada do consumo após um início de ano mais fraco.

No entanto, o cenário ainda exige cautela. A demanda irregular e o ambiente econômico instável mantêm o setor em alerta, já que a ruptura impacta diretamente as vendas e a experiência do consumidor.

Categorias essenciais seguem pressionadas

Entre os produtos monitorados, alguns itens apresentaram aumento na indisponibilidade em março, reforçando a pressão sobre o abastecimento de alimentos básicos:

  • Leite: 13,9% → 19,1% (+5,2 p.p.)
  • Azeite: 13,6% → 14,1% (+0,5 p.p.)
  • Arroz: 11,5% → 11,7% (+0,2 p.p.)
  • Feijão: 10% → 10,8% (+0,8 p.p.)
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Já algumas categorias apresentaram melhora:

  • Ovos: 27,2% → 27% (-0,2 p.p.)
  • Açúcar: 10,2% → 8,4% (-1,8 p.p.)
  • Café: 8% → 7,5% (-0,5 p.p.)
Ovos seguem como principal ponto crítico do abastecimento

Mesmo com leve recuo em março, os ovos continuam sendo a categoria com maior nível de ruptura no país, com índice de 27%.

A trajetória recente mostra forte volatilidade: o indicador havia caído para 22% em janeiro, mas voltou a subir em fevereiro e se manteve em patamar elevado em março.

Nos preços, a categoria também registrou alta na maior parte das embalagens, com exceção da meia dúzia de ovos. A caixa com 12 unidades subiu de R$ 11,63 para R$ 12,07, enquanto a de 20 unidades passou de R$ 16,00 para R$ 17,32.

Leite UHT tem maior avanço na ruptura

O leite UHT foi o destaque negativo do período, com a ruptura saltando de 13,9% em fevereiro para 19,1% em março — o maior avanço entre todas as categorias analisadas.

O movimento indica deterioração contínua ao longo do trimestre, já que em janeiro o índice era de 8,8%.

No mercado, os preços também avançaram. O leite integral e o semidesnatado subiram, enquanto apenas o desnatado apresentou recuo.

Arroz e feijão seguem trajetória de alta na ruptura

Itens fundamentais da cesta básica, arroz e feijão continuam com tendência de aumento na indisponibilidade.

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O arroz passou de 6,8% no fim de 2025 para 11,7% em março de 2026, enquanto o feijão avançou de 8,2% em janeiro para 10,8% no último levantamento.

Apesar disso, os preços dos produtos apresentaram comportamento de queda ou estabilidade, indicando pressão simultânea entre oferta e consumo.

Açúcar e café apresentam alívio no abastecimento

Duas categorias importantes apresentaram melhora no índice de ruptura:

  • Açúcar: queda de 10,2% para 8,4%
  • Café: redução de 8% para 7,5%

Ambos os produtos também registraram recuo nos preços, indicando recomposição de oferta no varejo.

Cenário ainda exige atenção da cadeia de alimentos

Apesar da melhora geral no índice de ruptura, o levantamento da Neogrid aponta que o abastecimento de itens essenciais ainda enfrenta instabilidade no Brasil.

A combinação de demanda irregular, custos logísticos e variações de produção mantém parte da cesta básica sob pressão, especialmente em proteínas e grãos estratégicos para o consumo doméstico.

O setor supermercadista segue monitorando o comportamento do consumo e a reposição de estoques, buscando equilíbrio entre disponibilidade de produtos e eficiência operacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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