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Soja avança em Chicago e enfrenta desafios logísticos no Brasil com clima e câmbio em foco

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Mercado internacional: altas em Chicago impulsionadas por clima e câmbio

Os preços da soja voltaram a subir na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta semana, retomando o patamar dos US$ 11,00 por bushel nos contratos mais longos. A recuperação foi impulsionada pela desvalorização do dólar, pela seca na Argentina e pela forte demanda por rações no Hemisfério Norte, especialmente em meio ao inverno rigoroso.

Segundo informações da TF Agroeconômica, o vencimento de março fechou a US$ 10,81, enquanto o contrato de julho atingiu US$ 11,07 por bushel. O movimento também foi acompanhado por ganhos nos derivados — o farelo de soja subiu 1,29%, cotado a US$ 297,80 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja teve leve recuo de 0,18%, fechando a US$ 54,30 por libra-peso.

A recuperação é resultado de compras técnicas após semanas de fortes quedas e reflete também a influência cambial: a valorização do real frente ao dólar reduziu a competitividade da soja brasileira, levando a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) a revisar para baixo a estimativa de exportações em janeiro — de 3,79 milhões para 3,23 milhões de toneladas.

Clima na América do Sul reforça suporte aos preços

As condições climáticas adversas na Argentina, maior exportadora global de derivados de soja, permanecem como fator de sustentação dos preços internacionais. O tempo seco e quente nas principais regiões produtoras deve continuar, pelo menos, até o início de fevereiro.

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No Brasil, embora a safra 2025/26 avance e a produção nacional seja estimada em 180 milhões de toneladas, a irregularidade das chuvas no Sul e o excesso de umidade em outras regiões criam desafios operacionais. Esse cenário tem limitado movimentos mais intensos de alta, mesmo com o suporte do mercado externo.

Soja no Brasil: desafios logísticos e volatilidade regional

A colheita da soja avança de forma desigual entre os estados brasileiros, marcada por problemas logísticos e condições climáticas variadas.

No Paraná, o ritmo de colheita é gradual, com produtores enfrentando chuvas irregulares. Em Paranaguá, a saca é cotada a R$ 131,00 (+0,76%), enquanto em Cascavel e Maringá os preços giram em torno de R$ 120,72. Em Ponta Grossa, o valor é de R$ 121,97, e em Pato Branco, R$ 121,50 (+1,77%).

No Rio Grande do Sul, a falta de armazenagem adequada tem reduzido o poder de barganha dos produtores, forçando vendas em períodos de baixa. Os preços no porto estão em R$ 132,00/sc, e no interior, a média é de R$ 122,36/sc. A situação também reflete o impacto da logística limitada e da pressão dos custos de transporte.

Em Santa Catarina, a soja segue a tendência de queda observada no Sul, com cotações em R$ 128,66/sc no porto de São Francisco. A combinação entre restrições estruturais e eventos climáticos extremos expõe a fragilidade do setor produtivo catarinense.

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Centro-Oeste: fretes em alta e pressão de oferta

No Mato Grosso, a colheita acelerada provocou colapso logístico e aumento dos fretes, elevando custos e pressionando margens. As cotações variam de R$ 103,70/sc em Sorriso e Nova Mutum (+4,63%) a R$ 110,10/sc em Rondonópolis e Primavera do Leste (+0,91%).

Já no Mato Grosso do Sul, o início do escoamento da safra mantém a pressão de oferta e leve ajuste negativo nas cotações. Em Dourados, o preço ficou em R$ 113,00/sc (+3,66%), enquanto em Campo Grande foi de R$ 110,00/sc (+1,16%).

Perspectivas: volatilidade deve continuar com foco no clima e câmbio

O mercado global de soja segue em um equilíbrio frágil, com fatores climáticos e cambiais determinando o rumo dos preços. Embora o suporte técnico e o avanço das cotações em Chicago indiquem um cenário de recuperação moderada, o avanço da colheita no Brasil e a oferta abundante ainda limitam ganhos mais expressivos.

Analistas avaliam que os próximos dias serão decisivos para confirmar se a alta atual representa uma tendência sustentada ou apenas uma correção pontual após as recentes quedas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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