AGRONEGÓCIO
Setores calculam prejuízos e pedem medidas após tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros
Publicado em
4 de agosto de 2025por
Da Redação
Impacto imediato das novas tarifas norte-americanas
A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar para 50% as tarifas sobre uma série de produtos brasileiros provocou forte reação de setores produtivos e do governo federal. Embora o decreto traga uma lista de 700 exceções que contemplam segmentos como o aeronáutico, energético e parte do agronegócio, diversos setores estratégicos da economia brasileira foram diretamente afetados.
Entre os produtos sobretaxados estão carnes, café, frutas, máquinas e equipamentos, móveis, têxteis, calçados, plásticos, produtos químicos, tabaco, pneus, entre outros.
Setores calculam prejuízos com a nova política tarifária
Diversas entidades setoriais divulgaram estimativas do impacto financeiro que o tarifaço pode gerar:
- Carnes: Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a perda pode chegar a US$ 1 bilhão nas exportações de carne bovina para os EUA.
- Café: A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) lembrou que os cafés brasileiros detêm 34% do mercado americano e podem redirecionar parte da produção.
- Frutas: A Abrafrutas alertou para graves impactos nas exportações de manga, uva e açaí, que representam 90% do volume exportado para os EUA.
- Máquinas e equipamentos: A Abimaq afirmou que o setor é responsável por 8% a 10% das vendas brasileiras aos EUA, com receita de US$ 3,6 bilhões em 2024.
- Móveis: A Abimóvel apontou risco de perda de até 9 mil empregos no país, devido ao aumento do custo final com a tarifa.
- Têxteis: Apenas cordéis de sisal ficaram isentos da tarifa. Segundo a Abit, os impactos serão severos na produção e no emprego.
- Calçados: A Abicalçados alertou para danos irreversíveis nas exportações e no emprego.
- Pescados: A Abipesca destacou impacto severo e imediato, especialmente em regiões onde a pesca é principal atividade econômica.
- Ferro e aço: O Instituto Aço Brasil apontou que as tarifas agravam o já delicado cenário global, com excesso de capacidade.
- Plásticos: A Abiplast afirmou que a tarifa torna inviáveis as exportações, afetando rentabilidade e empregos.
- Setor químico: A Abiquim disse que a medida compromete cadeias produtivas e os investimentos nos dois países.
- Tabaco: O SindiTabaco teme perda de competitividade no terceiro maior mercado de destino do produto.
- Pneus: A Anip, cujas exportações somaram 3,2 milhões de unidades em 2024, afirmou que empresas que produzem exclusivamente para exportar aos EUA serão fortemente impactadas.
Governo avalia cenário e prepara resposta
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que o decreto foi “melhor do que o esperado” por incluir uma ampla lista de exceções, mas reconheceu que há “casos dramáticos” entre os setores prejudicados. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, cerca de 35,9% das exportações brasileiras para os EUA serão impactadas.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) estima que cerca de 10 mil empresas brasileiras serão afetadas, envolvendo 3,2 milhões de empregos no país.
Pedidos dos setores ao governo federal
Diversas entidades encaminharam sugestões e pedidos ao governo para tentar minimizar os efeitos do tarifaço. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lidera as reivindicações com as seguintes propostas:
- Criação de linha de financiamento emergencial pelo BNDES para capital de giro com juros entre 1% e 4% ao ano;
- Ampliação do prazo de liquidação de contratos de câmbio de 750 para 1.500 dias;
- Prorrogação de prazos e carência de financiamentos de comércio exterior, como PROEX e BNDES-Exim;
- Aplicação de direito provisório de defesa antidumping;
- Adiamento de tributos federais por 120 dias, com parcelamento sem multas ou juros;
- Ressarcimento imediato de créditos tributários federais já homologados;
- Ampliação do programa Reintegra para 3% da alíquota nas exportações;
- Reativação do Programa Seguro-Emprego (PSE) com aperfeiçoamentos.
Outros setores também apresentaram demandas específicas:
- Abicalçados: Crédito para cobrir ACCs em dólar, liberação de créditos acumulados de ICMS e retomada do BEm;
- Abipesca: Crédito emergencial de R$ 900 milhões, com seis meses de carência e prazo de 24 meses;
- Abit (têxteis): Liberação de créditos tributários, postergação de impostos e retomada do Reintegra;
- Abiquim (químicos): Defesa antidumping, devolução de ICMS, Reintegra com alíquota de até 7% e linhas específicas de financiamento à exportação;
- Outros setores (carnes, café, aço, frutas, pneus, tabaco, etanol): Pedem que o governo continue negociando com os EUA para que sejam incluídos nas exceções tarifárias.
Medidas do governo em fase final
O ministro Fernando Haddad anunciou que o governo prepara um plano emergencial de proteção ao emprego e à produção, com previsão de lançamento nos próximos dias.
Segundo ele, as primeiras medidas estão sendo formatadas em parceria com o vice-presidente Alckmin e a Casa Civil. Entre as iniciativas, estão linhas de crédito específicas para setores mais afetados.
Há ainda a possibilidade de um novo programa de preservação de empregos, semelhante ao adotado durante a pandemia, no qual o governo federal arcava com parte dos salários dos trabalhadores para evitar demissões.
Haddad ressaltou que as medidas estão sendo desenhadas dentro do arcabouço fiscal, ou seja, sem violar o limite de gastos públicos nem a meta fiscal estabelecida.
“Entendemos que conseguimos operar dentro do marco fiscal, sem nenhum tipo de alteração”, afirmou o ministro.
A expectativa é que, com a articulação entre setores privados e o governo, sejam encontradas soluções para mitigar os impactos do tarifaço e preservar a competitividade da indústria e do agronegócio brasileiros.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Ourofino Agrociência fecha ciclo com receita de R$ 2 bilhões e amplia investimentos em inovação para o agro brasileiro
Published
4 minutos agoon
8 de junho de 2026By
Da Redação
A Ourofino Agrociência encerrou o ciclo 2025/2026 reforçando sua estratégia de crescimento baseada em inovação, sustentabilidade e proximidade com o produtor rural. Em seu Relatório Anual 2025/2026, a companhia apresentou resultados financeiros sólidos, expansão de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e avanços importantes em eficiência operacional, mesmo diante de um cenário desafiador para o agronegócio brasileiro.
Marcado por volatilidade nos mercados agrícolas, restrições de crédito e pressão cambial sobre a cadeia de insumos, o período exigiu adaptação e disciplina operacional das empresas do setor. Nesse contexto, a Ourofino Agrociência manteve sua trajetória de investimentos e fortalecimento de sua atuação no mercado nacional.
Receita alcança R$ 2 bilhões e lucro supera R$ 170 milhões
De acordo com o relatório, a companhia registrou receita líquida de R$ 2 bilhões no período, além de EBITDA ajustado de R$ 178,2 milhões e lucro líquido de R$ 171,8 milhões.
O desempenho também foi influenciado pelo reconhecimento de créditos tributários relacionados à Subvenção para Investimento vinculada ao Convênio ICMS nº 100/97, após decisões favoráveis nos tribunais superiores e análises contábeis aplicáveis.
Os resultados refletem a estratégia da empresa de manter equilíbrio financeiro e eficiência operacional em um ambiente de negócios mais complexo para o setor agropecuário.
Estrutura robusta fortalece atuação nacional e internacional
Com presença consolidada no agronegócio brasileiro, a Ourofino Agrociência opera uma estrutura composta por duas unidades industriais em Uberaba (MG), sede administrativa em Ribeirão Preto (SP), sete centros de distribuição, um centro tecnológico de pesquisa, desenvolvimento e inovação e três estações experimentais agrícolas localizadas em importantes regiões produtoras do país.
A companhia também mantém operações internacionais por meio de um escritório em Xangai, na China, e representação em Nova Delhi, na Índia, fortalecendo o relacionamento com mais de 60 fornecedores globais e ampliando sua integração com a cadeia internacional de suprimentos.
Produção supera 95 milhões de quilos e litros de defensivos agrícolas
Ao longo do exercício, a empresa reforçou sua participação no mercado brasileiro por meio de um portfólio diversificado de defensivos agrícolas voltados às necessidades da agricultura tropical.
Foram produzidos mais de 95 milhões de quilos e litros equivalentes de produtos, atendendo mais de 1.400 clientes em diferentes regiões do país.
Além da atuação comercial, a companhia promoveu encontros técnicos, eventos de capacitação e iniciativas de relacionamento com produtores, distribuidores e parceiros estratégicos, ampliando sua presença junto ao setor produtivo.
Inovação recebe mais de R$ 78 milhões em investimentos
A inovação continuou sendo um dos pilares centrais da estratégia corporativa da Ourofino Agrociência.
Durante o ciclo, a empresa investiu mais de R$ 50 milhões em pesquisa e desenvolvimento e outros R$ 28,1 milhões em infraestrutura voltada à inovação, totalizando mais de R$ 78 milhões direcionados ao avanço tecnológico.
Entre as principais linhas de pesquisa estão:
- Desenvolvimento de novas moléculas para proteção de cultivos;
- Aplicações de nanotecnologia na agricultura;
- Tecnologias baseadas em RNA de interferência (RNAi);
- Soluções digitais para monitoramento e gestão agrícola;
- Ferramentas voltadas à agricultura de precisão.
A companhia também ampliou sua participação em programas de inovação aberta e fortaleceu parcerias com ecossistemas tecnológicos nacionais e internacionais voltados à agricultura tropical.
Sustentabilidade ganha espaço nas operações
O relatório evidencia avanços importantes na agenda ambiental da empresa.
Segundo a companhia, 100% da energia consumida em seu complexo industrial teve origem em fontes renováveis durante o período analisado. Além disso, mais de 128 mil quilos e litros de produtos foram recuperados e reaproveitados nos processos industriais, reduzindo desperdícios e promovendo maior eficiência no uso dos recursos.
Projetos de melhoria contínua implementados ao longo do ciclo também geraram impactos financeiros superiores a R$ 4 milhões, combinando ganhos econômicos com avanços em sustentabilidade operacional.
Agricultura digital e gestão da qualidade estão entre prioridades para o próximo ciclo
Para os próximos anos, a Ourofino Agrociência pretende intensificar investimentos em gestão da qualidade, integração de processos, uso de indicadores de desempenho e ferramentas digitais voltadas à tomada de decisão.
A estratégia também prevê a ampliação das soluções tecnológicas oferecidas ao produtor rural, acompanhando a transformação digital que vem remodelando a agricultura brasileira.
Segundo a empresa, o objetivo é continuar desenvolvendo tecnologias capazes de aumentar a produtividade, otimizar recursos e contribuir para uma produção agrícola cada vez mais sustentável.
Empresa aposta na evolução do agro brasileiro
Mesmo diante dos desafios econômicos enfrentados pelo setor, a Ourofino Agrociência mantém uma visão positiva sobre o futuro da agricultura nacional.
A companhia reforça que seguirá investindo em inovação, desenvolvimento de pessoas e relacionamento com produtores rurais, buscando ampliar sua contribuição para o fortalecimento do agronegócio brasileiro e para a construção de sistemas produtivos mais eficientes, competitivos e sustentáveis.
Com investimentos crescentes em tecnologia e pesquisa, a empresa consolida sua posição entre os principais agentes de inovação voltados à agricultura tropical e ao desenvolvimento do campo brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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