AGRONEGÓCIO

Sérgio Souza propõe audiência Pública para debater a umidade da Soja

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O Padrão Oficial de Classificação da Soja (grão) definido em norma do Ministério da Agricultura (MAPA) é hoje o grande referencial para os contratos de soja no território nacional e importada. Atualmente a umidade dos grãos de soja é de 14%, porém o MAPA está no processo de revisão da Instrução Normativa n. 11 de 2007, que define o Padrão Oficial de Classificação da Soja, propondo a redução para 13%. Segundo o Mapa, a mudança da norma seria necessária para atender a um novo padrão exigido pela China.

Preocupado com a situação dos produtores rurais que já sofrem com os altos custos de produção e os intempéries climáticos, o deputado Sérgio Souza (MDB-PR) propôs uma Audiência Pública na Comissão de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Desenvolvimento Rural na Câmara dos Deputados (Requerimento 155/2023), para debater a revisão proposta pelo MAPA.

O parlamentar teme que a redução traga ainda mais prejuízos. “O problema da mudança não é apenas reduzir 1% da umidade, os estudos mostram que a perda em peso seria de 1,15%, ou seja, a cada 100 kg o produtor perderia 1,15 kg do peso total, e isso é muito prejuízo para o trabalhador do campo”.

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Cabe destacar que o mercado comprador de soja, não utiliza o fator de correção de 1,15% (proposto pela Academia), mas um fator que vai de 1,5% a 3%. Mas para um efeito didático, utilizando o fator médio de 2%, no mesmo caso acima de 100 kg de soja com 14% de umidade, o produtor só iria receber 98 kg.

De acordo com o MAPA, o Valor Bruto da Produção de Soja da safra alcançou em 2023 o valor de 331 bilhões de reais. Isso significa que aplicando um desconto de 2% sobre o valor comercializado, considerando a redução de 1% do teor de umidade, os produtores brasileiros deixariam de receber o montante de 6,62 bilhões de reais, descontados na entrega da soja nos armazéns pelos compradores.

Além disso, a menor umidade pode provocar a deterioração e elevação da incidência de patógenos, referindo-se à produção de semente, mas totalmente aplicável ao grão comercial. Quanto mais seca estiver a lavoura, maior poderá ser a deiscência, com redução acentuada na qualidade do produto. Ressalta-se que a soja colhida com umidade entre 13% e 14% tem minimizados os problemas de danos mecânicos e latentes nos grãos.

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Já a colheita de produto com umidade superior a 14%, resultará em mais danos mecânicos latentes, e se realizada com teores abaixo de 13%, estará suscetível à quebra.

Sérgio defende que o produtor não pode ser punido para atender um padrão de outros países com diferentes fatores climáticos. “O produtor rural brasileiro já enfrenta uma série de dificuldades como: Logística, armazenagem, tributação, acesso ao crédito, para ainda ter seu ganho reduzido, precisamos evitar a perda da competitividade da nossa produção que já sofre com tantos gargalos”.

Fonte: Assessoria de Imprensa e Comunicação FPA

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Agro supera queda de volume e fatura R$ 6,39 bilhões com exportações em junho

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O agronegócio do Rio Grande do Sul mostrou maturidade de mercado em junho de 2026. Mesmo enfrentando uma queda de 2,2% no volume físico embarcado — que baixou para 1,76 milhão de toneladas —, o setor entregou um resultado financeiro robusto, alcançando um faturamento de R$ 6,39 bilhões (US$ 1,24 bilhão). O resultado representa uma alta de 3,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

O dado revela uma mudança estratégica no campo gaúcho: a pauta exportadora está se tornando mais valiosa. O Estado tem priorizado o envio de produtos com maior valor agregado, aproveitando janelas de preços mais favoráveis em vez de depender apenas da venda de grandes volumes a preços baixos. O setor respondeu por quase 69% de todas as exportações gaúchas no mês, sustentando a economia regional mesmo com oscilações logísticas.

O que impulsionou o faturamento

O avanço na receita foi sustentado por três pilares fundamentais para o produtor:

  • Complexo Soja: A oleaginosa continua sendo o carro-chefe. O crescimento de 15,2% no valor exportado (com alta de 18,8% apenas nos grãos) mostra que a demanda internacional segue aquecida e pagando pela qualidade do produto gaúcho. O farelo também contribuiu significativamente para o saldo final.

  • Proteínas Animais: O setor viveu um junho de recuperação. A carne de frango in natura saltou 65,6% em receita, reflexo da normalização dos fluxos após as barreiras sanitárias do ano anterior. A pecuária bovina também avançou: alta de 15,3% na carne e um movimento atípico no segmento de gado vivo, que disparou 1.567% em valor, impulsionado pela reabertura do mercado turco.

  • Arroz: O setor provou a força da diversificação. Com aumento de 17,4% na receita, o arroz gaúcho conquistou novos espaços na América Central, Caribe e África, reduzindo a dependência de compradores tradicionais e garantindo maior liquidez aos produtores e tradings.

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O que recuou e por quê

Segmentos como celulose, fumo e carne suína registraram queda. No entanto, para o setor de celulose e madeira, analistas da Farsul indicam que o recuo é técnico: a base de comparação com junho de 2025 estava muito alta, com embarques extraordinários que não se repetiram na mesma intensidade este ano. Trata-se, portanto, de um ajuste de cronograma, não de perda de mercado.

Estratégia de risco: pulverização de mercados

Embora a China continue sendo a principal parceira, absorvendo 30,2% do que o agro gaúcho exporta, a lista de compradores está cada vez mais diversificada. Estados Unidos, Turquia, Bélgica, Coreia do Sul e Índia completam a lista de principais destinos. Essa pulverização é a melhor estratégia de mitigação de risco para o produtor, que fica menos exposto às turbulências econômicas de um único parceiro comercial.

Primeiro semestre: R$ 35,23 bilhões acumulados

O balanço de junho ajuda a explicar o desempenho robusto do primeiro semestre de 2026. No acumulado do ano, o agro gaúcho já soma R$ 35,23 bilhões (US$ 6,84 bilhões) em vendas externas, um crescimento de 8,3% frente ao mesmo período de 2025.

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O cenário é claro: o Rio Grande do Sul está sendo mais eficiente. O setor está vendendo produtos de maior valor e acessando mercados mais variados, o que garante a competitividade da porteira para fora, mesmo quando desafios climáticos e logísticos limitam o volume das safras.

Fonte: Pensar Agro

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