AGRONEGÓCIO
Saiba quando e por que realizar o controle estratégico de carrapatos na pecuária
Publicado em
10 de abril de 2024por
Da RedaçãoJá é de conhecimento geral que o carrapato bovino causa significativos prejuízos econômicos à cadeia produtiva, no entanto, ainda é predominante entre os criadores o controle do ectoparasito somente quando o gado já está visivelmente infestado. Nessa etapa, muitos danos já foram causados, desvalorizando o produto e impactando o bem-estar do rebanho. A soma dos prejuízos anuais à pecuária brasileira, incluindo tanto os danos diretos quanto os custos para controle, tem sido estimada em bilhões de dólares (GRISI et al., 2002).
Nesse cenário de controle de carrapatos, o produtor tem dois caminhos: optar pelo controle estratégico, que segue um planejamento prévio, baseado em informações científicas locais e características específicas da propriedade, ou pelo controle paliativo, este quando os animais já estão com a infestação elevada e o produtor decide por conta própria quando tratá-lo. O Prof. Dr. Welber Daniel Zanetti Lopes, médico-veterinário e docente da Universidade Federal de Goiás, pontua que o controle estratégico deve ser o caminho prioritário, já que a ideia é não deixar que muitas teleóginas, a fêmea do carrapato, completem seu ciclo de vida.
“Quando nos encontramos na ‘estação do carrapato’, que inicia entre setembro e outubro e segue até meados de julho, dependendo da região, e realizamos o tratamento estratégico, é possível manter níveis de infestação mais baixos nos animais, pois o protocolo previamente realizado não permite que teleóginas completem seu ciclo de vida”, orienta o Prof. Dr. Welber.
O controle estratégico, então, deve ter início na estação chuvosa, quando é possível ver os primeiros carrapatos nos animais. Depois, esse controle vai depender da região, por exemplo, nos estados da Região Sul e demais regiões do país com grandes altitudes (clima temperado), podem ocorrer até três gerações anuais do carrapato, então é preciso tratar até a segunda geração; nas regiões que têm até cinco gerações, é preciso tratar até a quarta, que costuma ser até maio. “Ou seja, esses retratamentos têm que acontecer de modo que o produtor não consiga visualizar muitas teleóginas. Se ainda tiverem muitas, todo o serviço do controle estratégico vai por água abaixo, porque essas teleóginas vão cair no ambiente e correm o risco de fazer a explosão parasitária. Assim, todo o processo precisa ser muito bem executado, do controle aos retratamentos”, completa Prof. Dr. Welber.
Há dados, principalmente de estudos feitos em gado de corte, que, quando mantém os níveis de infestação mais baixos, o animal responde mais em termos de ganho de peso. “Estudos mostram que é possível ter em torno de 20kg a mais nesses animais estrategicamente tratados”, diz o Prof. Dr. Welber. Assim, com a execução adequada do controle estratégico e dos retratamentos, os produtores vão interrompendo o ciclo de vida dos ectoparasitos, impedindo a explosão parasitária e, consequentemente, permitindo mais ganho de peso dos animais.
Já quando é feito o tratamento paliativo, que ocorre quando se visualiza grande quantidade de teleóginas nos bovinos, o ciclo não é cortado. Dessa forma, no momento da ação já terão teleóginas desprendendo, caindo no solo e dando continuidade ao ciclo de vida. O Prof. Dr. ainda explica que: “No esquema de tratamento desse tipo, a critério do produtor, corre-se o risco de que, ao chegar por volta dos meses de abril, maio, junho e julho, haverá uma explosão parasitária, ou seja, os animais estarão muito infestados. E isso acontece porque é consequência de um efeito somatório do número de carrapatos que foram se criando desde setembro/ outubro, quando o ciclo não foi interrompido. Então, matematicamente, você vai ter mais carrapatos nesse final da ‘estação de carrapato’, dificultando a ação de medicamentos, devido ao desafio estar elevado”, detalha.
Por isso, é necessário que se estabeleça na pecuária a prática do controle estratégico. O médico-veterinário Daniel Rodrigues, gerente técnico da unidade de negócios de Ruminantes da MSD Saúde Animal, orienta que o controle de carrapatos deve ser regionalizado, considerando a dinâmica populacional do ectoparasito em cada localidade e as condições climáticas e ambientais que vão interferir em seu ciclo. “É preciso um olhar individualizado para os rebanhos, pois não existe uma fórmula única, mas existem caminhos para otimizar a saúde e o bem-estar dos animais e, consequentemente, a produtividade e a qualidade do produto, com menos custo e menos impacto ao ambiente”, afirma.
Tratamento inédito
Parte do sucesso desse controle está na definição do produto a ser utilizado. Em 2022, os produtores passaram a ter acesso a uma solução inédita com a molécula Fluralaner para o controle de parasitas externos. A primeira isoxazolina aprovada para uso em bovinos, com aplicação via pour-on. Experimentos realizados apontaram eficácia de 100% nas semanas seguintes ao início do tratamento.
Em estudos de campo, realizados em três diferentes regiões do Brasil, os resultados da formulação demonstraram que é uma ferramenta revolucionária no combate ao carrapato Rhipicephalus microplus, promovendo uma limpeza completa dos bovinos entre o terceiro e sétimo dia pós-tratamento. Com três aplicações, o pecuarista consegue passar a primeira e a segunda geração com ausência de carrapato nos animais, e com intervalo de tempo entre as aplicações superior ao encontrado com os tratamentos tradicionais, o que possibilita a essa ferramenta driblar a resistência parasitária e trazer ao pecuarista a possibilidade de ganhos em países tropicais.
“O parasiticida exclusivo para bovinos, o Exzolt 5%, proporciona alta eficácia contra carrapato, moscas-dos-chifres, bernes e bicheira. É um produto de ação rápida que permite a elaboração de programa de controle estratégico que limpa o animal e reduz a infestação nas pastagens, com resultados sem precedentes na pecuária. É uma solução que impacta também a redução do manejo dos animais e melhora o planejamento do trabalho da equipe da fazenda”, diz Daniel.

Tratamento com Exzolt 5%
Fonte: MSD Saúde Animal
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Regularização ambiental vira fator determinante para viabilidade financeira
Published
43 minutos agoon
13 de julho de 2026By
Da Redação
Com mais de 7 milhões de registros ativos no Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Brasil enfrenta um desafio estrutural que impacta diretamente a competitividade do produtor rural: a incidência de pendências no sistema. Atualmente, a conformidade ambiental de uma propriedade não é mais apenas uma questão burocrática, mas um critério decisivo na análise de risco das instituições financeiras.
O rigor do crédito bancário Ao solicitar financiamento — seja para custeio, investimento ou linhas de crédito sustentável —, o histórico de pagamento do cliente deixou de ser o único indicador de risco. O setor financeiro, operando sob diretrizes rigorosas do Manual de Crédito Rural (MCR) e normas do Banco Central, utiliza o CAR como um filtro automático.
Sistemas bancários realizam consultas em tempo real para detectar inconformidades. Caso o CAR apresente sobreposição com terras indígenas, unidades de conservação ou indícios de desmatamento irregular, o crédito é negado automaticamente. Segundo especialistas, quando um órgão ambiental aponta uma pendência, a propriedade passa para o status de “análise” ou “pendente”, o que é interpretado pelas instituições financeiras como um risco inaceitável, gerando uma “trava” imediata na operação.
Impacto financeiro e exclusão do crédito verde A ausência de regularidade ambiental impõe um custo financeiro direto e relevante. Produtores com o CAR validado acessam o chamado “Crédito Verde” ou linhas de crédito sustentáveis, que oferecem taxas de juros subsidiadas. A presença de divergências no cadastro exclui o produtor dessas condições vantajosas, forçando o acesso ao crédito convencional, cujas taxas de mercado são significativamente mais elevadas.
Além da restrição ao crédito, a falta de regularidade compromete o ciclo produtivo em três frentes críticas:
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Acesso ao Plano Safra: Bloqueio de recursos oficiais essenciais para a safra.
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Risco comercial: Tradings e indústrias, sob pressão de cadeias de custódia e auditorias internacionais, têm recusado produtos oriundos de áreas com passivos ambientais para evitar sanções e embargos.
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Liquidez dos ativos: Imóveis com pendências jurídicas ou ambientais sofrem depreciação de valor, uma vez que o passivo desencoraja novos investimentos ou aquisições.
Estratégias para a conformidade Embora não haja um prazo fatal para o encerramento do sistema, a urgência da regularização é crescente. A recomendação técnica é que o produtor antecipe a análise de sua propriedade antes que ocorram negativas bancárias ou notificações de órgãos ambientais.
O roteiro de regularização envolve:
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Diagnóstico Georreferenciado: Realização de levantamento técnico para cruzar a base do CAR com a realidade física da propriedade. Muitas pendências são decorrentes de erros de desenho (sobreposições digitais), passíveis de correção via retificação.
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Adesão ao PRA: Em casos de necessidade de recomposição de Reserva Legal ou Áreas de Preservação Permanente (APP), a formalização da adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) suspende sanções administrativas durante o período de recuperação.
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Certificação: A busca pela Certidão de Regularidade Ambiental atua, hoje, como a principal ferramenta para a negociação de taxas de juros competitivas.
Em um mercado global que exige rastreabilidade total, a conformidade ambiental consolidou-se como o principal pilar para a longevidade da exploração rural, garantindo que a propriedade permaneça como um ativo produtivo e comercializável a longo prazo.
Fonte: Pensar Agro
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