AGRONEGÓCIO

Safra recorde pressiona logística e expõe falta de ferrovias no escoamento do agronegócio

Publicado em

O avanço do transporte ferroviário de grãos no Brasil acompanha o crescimento da produção agrícola, mas ainda esbarra em um problema estrutural: a falta de trilhos suficientes para atender à demanda. Enquanto o país colhe safras recordes, a logística segue concentrada nas rodovias, com impacto direto no custo do frete.

Hoje, o Brasil possui cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Esse número praticamente não mudou nas últimas décadas e, na prática, nem toda essa extensão é plenamente utilizada. Estimativas indicam que parte relevante da malha está subutilizada ou com baixa operação.

Na comparação, o contraste com o modal rodoviário é evidente. Especialistas apontam que as ferrovias representam menos de um quinto da infraestrutura de transporte do país, enquanto as rodovias dominam amplamente a matriz logística. Na prática, isso significa que a maior parte da safra ainda percorre longas distâncias em caminhões até chegar aos portos.

Esse desequilíbrio aparece no bolso do produtor. O frete rodoviário é mais caro em trajetos longos, especialmente em regiões como Centro-Oeste e Matopiba, onde estão os maiores volumes de produção. Já o transporte ferroviário, quando disponível, permite reduzir o custo por tonelada e dar mais previsibilidade à entrega.

Leia Também:  Agrishow 2026 reforça protagonismo do agro e destaca inovação como motor do campo

Mesmo com limitações, o uso das ferrovias vem crescendo. Em 2025, o transporte ferroviário de cargas atingiu recorde, com 555,4 milhões de toneladas movimentadas, puxadas principalmente pelo agronegócio. O avanço está diretamente ligado à safra recorde, que superou 346 milhões de toneladas, segundo o IBGE.

O problema é que a infraestrutura não acompanha o ritmo da produção. O país ainda precisa expandir significativamente sua malha ferroviária para atender à demanda crescente. Projetos em andamento e planejados somam milhares de quilômetros de trilhos, mas ainda estão longe de resolver o déficit.

Entre os principais projetos, estão ferrovias estratégicas para o agro, como:

  • Ferrogrão (ligando Mato Grosso ao Pará)
  • Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO)
  • Ferrovia de Mato Grosso, com cerca de 743 km em construção

Além disso, o governo prevê leilões que podem somar mais de 9 mil quilômetros de novas ferrovias, com investimentos estimados em cerca de R$ 140 bilhões. Apesar disso, boa parte desses projetos ainda está em fase de planejamento, licenciamento ou execução inicial, o que significa que o impacto prático no escoamento da safra ainda será gradual.

Leia Também:  Brasil deve registrar recorde de entregas de fertilizantes em 2025, apesar da alta nos custos

Para especialistas, o Brasil precisaria praticamente dobrar a capacidade ferroviária para equilibrar a matriz de transporte e reduzir custos logísticos no campo. Hoje, mesmo com crescimento recente, as ferrovias respondem por cerca de um quarto do transporte de cargas, enquanto o restante segue concentrado nas estradas.

Na prática, o produtor continua dependente do caminhão — especialmente na saída da fazenda —, o que mantém o frete elevado e mais sensível a fatores como preço do diesel, disponibilidade de veículos e condições das estradas.

O avanço das ferrovias tende a aliviar esse cenário, principalmente em regiões mais distantes dos portos. Mas, até que os novos projetos saiam do papel, o crescimento da produção agrícola seguirá pressionando a logística.

Para o agro, o recado é claro: produzir mais já não é o principal desafio. O gargalo está em como escoar essa produção com eficiência — e custo competitivo.

Fonte: Pensar Agro

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Chuva falha no Centro-Oeste e sobra no Sul na largada da safra

Published

on

Outubro começa com risco de replantio da soja no Centro-Oeste e de paralisação das máquinas no Sul. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuva abaixo da média em Mato Grosso e Goiás, enquanto o Rio Grande do Sul pode receber até 200 milímetros acima do normal em algumas áreas.

O contraste ocorre no início do plantio da safra 2026/27, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 366,6 milhões de toneladas de grãos. A soja deverá ocupar 49,3 milhões de hectares, mas a semeadura ainda ocorre de forma pontual nas áreas de sequeiro de Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul e no Paraná, as condições permitiram o início dos trabalhos.

O maior risco no Centro-Oeste não é apenas o atraso do plantio. O Inmet alerta que chuvas isoladas, seguidas por períodos secos, podem provocar germinação irregular, falhas na formação das lavouras e necessidade de replantio. Em Goiás e no Distrito Federal, as temperaturas podem superar em mais de 2°C a média histórica de outubro, acelerando a perda de água do solo.

A decisão de esperar pela regularização das chuvas também afeta o milho segunda safra. Quanto mais tarde a soja for semeada e colhida, menor será a janela para implantar o cereal dentro do período de menor risco climático.

Leia Também:  Exportações de açúcar do Brasil em outubro superam média do ano anterior em 39,1%

No Matopiba, formado por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão também é desfavorável. As precipitações de setembro aliviaram o risco de incêndios, mas não foram suficientes para recompor a umidade do solo na maioria das áreas de sequeiro. O plantio de soja e milho deverá depender de chuvas mais regulares.

Em Mato Grosso do Sul, a condição tende a ser melhor, principalmente no sudoeste e no leste do Estado. Mesmo assim, o centro-norte e o Pantanal podem receber chuva abaixo da média, o que exige atenção antes da entrada das semeadoras.

No Sul, o excesso de umidade cria o problema inverso. A chuva pode reduzir as janelas para o preparo do solo e o plantio de soja, milho e arroz. No Rio Grande do Sul, o acumulado de outubro pode ficar aproximadamente 75 milímetros acima da média e alcançar excesso de até 200 milímetros no oeste do Estado.

O trigo é a cultura mais exposta neste momento. Parte das lavouras está em fases críticas de desenvolvimento ou de colheita. A combinação de chuva frequente e calor favorece doenças como giberela, ferrugem, oídio e manchas foliares, além de aumentar o risco de perda de qualidade e germinação do grão ainda na espiga.

Leia Também:  Brasil deve registrar recorde de entregas de fertilizantes em 2025, apesar da alta nos custos

Em São Paulo, a chuva tende a favorecer o plantio da soja e o desenvolvimento da cana-de-açúcar, das pastagens e das hortaliças. Minas Gerais e Espírito Santo, porém, devem enfrentar precipitações irregulares e temperaturas elevadas. Para o café, a condição pode prejudicar a uniformidade da florada e o pegamento dos frutos.

A previsão é influenciada pelo El Niño, que tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O fenômeno ajuda a explicar a tendência de seca no Centro-Norte e chuva acima da média no Sul, mas não determina sozinho o volume que cairá em cada propriedade.

Para o produtor, a recomendação prática é não definir a semeadura apenas pela ocorrência de uma chuva. No Centro-Oeste, será necessário conferir se existe umidade suficiente no perfil do solo para sustentar a emergência das plantas. No Sul, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo seco sem entrar com máquinas em áreas encharcadas.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA