AGRONEGÓCIO
Safra dos Cafés do Brasil foi estimada em 58,08 milhões de sacas para este ano de 2024
Publicado em
23 de janeiro de 2024por
Da RedaçãoA produção da safra dos Cafés do Brasil prevista para o ano-cafeeiro 2024 foi estimada inicialmente em um volume físico equivalente a 58,08 milhões de sacas de 60kg, performance que implica acréscimo em torno de 5,5% em relação à produção total colhida no ano anterior. Citado volume inclui a produção de 40,74 milhões de sacas da espécie de café Coffea arabica (café arábica), que representam 70% da safra nacional prevista, e, adicionalmente, 17,34 milhões de sacas da espécie de Coffea canephora (café robusta+café conilon), que correspondem a 30%, caso tais números se confirmem em nível nacional.
Neste contexto, vale mencionar que a área total destinada atualmente ao cultivo dos Cafés do Brasil das duas espécies citadas, neste ano de 2024 em foco, é de 2,25 milhões de hectares, número que representa um ligeiro acréscimo de 0,8% em relação à safra anterior. Tal área contempla 1,92 milhão de hectares efetivamente em produção, os quais denotam um crescimento de 2,4% em relação ao período anterior. E, ainda, mais 336,3 mil hectares na fase de formação, a despeito de essa área registrar uma redução de 7% na comparação com o mesmo período anterior.
Em relação especificamente ao C. arabica, a estimativa da safra dos Cafés do Brasil em tela indica que a área total de cultivo da espécie será de 1,82 milhão de hectares, e que, desse total, 1,53 milhão de hectares estão em fase efetiva de produção, além de 297,5 mil hectares que ainda encontram-se em fase de formação. Assim, o cultivo do C. arabica corresponde a 80,9% da área total destinada à cafeicultura em nível nacional no ano-cafeeiro 2024. Com base em tais números, constata-se que a produtividade média dessa espécie de café pode ser estimada em 26,7 sacas por hectare.
Complementando-se esses dados com a área utilizada pelos cafés da espécie de C. canephora, verifica-se que a área total de cultivo da espécie foi estimada em 430,5 mil hectares, sendo 391,7 mil hectares empregados efetivamente na produção deste ano, mais 38,9 mil hectares em fase de formação. Dessa forma, a área empregada no cultivo desta espécie de canephora representa em torno de 19,1% do total do cultivo da cafeicultura no País, no período citado objeto desta análise. Caso tais números se confirmem ao longo da safra 2024, a produtividade média da espécie atingirá 44,3 sacas por hectare.
Os dados estatísticos que estão permitindo realizar esta análise e divulgação da estimativa da safra dos Cafés do Brasil do ano-cafeeiro 2024 pelo Observatório do Café foram obtidos do 1° Levantamento da Safra de Café de 2024, da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab, o qual encontra-se disponível na íntegra, assim como várias versões anteriores deste estudo, no Observatório do Café do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café, e também obviamente no site da Conab.
Conforme também consta do estudo da Conab objeto desta análise e divulgação, a produção mundial de café prevista para a safra 2023-2024 está estimada em 171,4 milhões de sacas de 60kg, o que representa um acréscimo em torno de 4,2%, na comparação com o mesmo ciclo anterior, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). E, neste contexto, que a produção mundial de C. arabica está estimada em 97,3 milhões de sacas de 60 quilos, performance que representa um acréscimo de 10,7% em relação à safra anterior. E, em complemento, que a produção de C. Canephora está prevista para alcançar um volume físico equivalente a 74,1 milhões de sacas de 60 quilos, o qual, se confirmado, representará a uma queda de 3,3% na comparação com a safra mundial anterior de 2022-23.
1° Levantamento da Safra de Café de 2024
Fonte: Embrapa Café
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil
Published
10 horas agoon
3 de junho de 2026By
Da Redação
As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.
Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.
Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural
O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.
Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.
De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.
Agro sente impacto de forma gradual
Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.
O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.
A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.
Inflação dos alimentos pode ganhar força
O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.
Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.
Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.
Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.
Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada
Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.
As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.
Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.
Agronegócio acompanha cenário com atenção
Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.
O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.
Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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