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Safra de café do Brasil caminha para sequência rara de altas em 144 anos

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O raro triênio de seguidas altas no maior produtor e exportador global de café se dá após fenômenos climáticos extremos como geadas e secas há alguns anos, que mexeram nos ciclos dos cafezais, no caso do café arábica, e resultaram em mais investimentos em irrigação nas lavouras da espécie canéfora (robusta e conilon), que estão produzindo mais.

As amplas geadas de 2021 — antecedidas de uma estiagem severa — levaram muitos produtores de Minas Gerais e São Paulo a realizar podas, visando melhorar as safras seguintes. Isso mexeu no ciclo bienal de altas e baixas do arábica, que responde pela maior parte da produção nacional de café, fazendo com que muitas áreas que estariam no ano de baixa em 2024 estejam, na verdade, com produtividade positiva.

No caso do canéfora, que responde por cerca de 30% da safra total do país, a seca de 2014, 2015 e 2016 estimulou um movimento de ampliação de sistemas de irrigação, especialmente no Espírito Santo. Em meio ao adensamento dos cafezais, houve impulso da colheita nacional.

“Esse crescimento do parque cafeeiro é realidade e, a continuar, não há dúvida que a safra do ano que vem será inclusive superior. Esse recorde de três anos pode ser um recorde de quatro anos seguidos de alta”, afirmou o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, ao comentar os números compilados pela Reuters.

A espécie canéfora, mais produtiva que o arábica e que praticamente não tem a bianualidade do café mais suave, é apontada também por especialistas como um dos principais fatores para uma menor oscilação da produção brasileira e, no caso atual, da terceira alta consecutiva na safra.

A produtividade média dos cafezais canéforas do Brasil saltou cerca de 50% em dez anos, para 44,3 sacas de 60 kg por hectare, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Por outro lado, o arábica deve produzir em média 26,7 sacas/hectare em 2024, alta de 24,5% no mesmo período.

A possibilidade de quatro safras seguidas de alta no Brasil repetiria um fenômeno visto apenas uma vez no país, que atualmente atende a um terço do consumo mundial de café.

Essa sequência ocorreu entre 1989 e 1992, após uma queda acentuada na produção em 1988 ante 1987, segundo números da Organização Internacional do Café (OIC) obtidos pela Reuters, que compilou também dados de safra do Brasil publicados no livro “150 Anos de Café”, de Marcellino Martins e E. Johnston, fonte de informação do setor para uma série histórica mais longa –a Conab tem dados publicados a partir de 2001.

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VIRADA DE JOGO

Ferreira, que tem experiência de mais de 40 anos no mundo do café, lembrou-se do “quadro desértico” visto nas lavouras do Espírito Santo e Bahia há cerca de uma década, com um “solo duro que se quebrava em pedras”, e de como o produtor virou o jogo, investindo em irrigação para ficar menos exposto a riscos de seca.

“Avançou-se rápido para criar sistemas de retenção de água nas lavouras, o produtor de lá para cá aprendeu muito, todo mundo tem reservas de água… No final do ano passado teve seca, e o pessoal estava preparado”, afirmou, lembrando que o setor também quase dobrou a densidade dos cafezais.

“Agora se planta no mínimo 5 mil árvores por hectare e além disso se coloca variedades mais resistentes a intempéries, e agora tem diferente clones, cada um melhor do que outro, cafés cuja qualidade vem surpreendendo”, afirmou.

Ele concordou que, guardadas as devidas proporções, a seca severa do Espírito Santo, há cerca de dez anos, mudou a cafeicultura capixaba da mesma forma que a chamada “geada negra” de 1975, que “queimou” cafezais do Paraná, levando muitos a migrarem para o Sudeste, onde o frio é menos intenso.

Aquele evento climático extremo de quase 50 anos atrás derrubou a safra brasileira em 70%, para apenas 6,6 milhões de sacas de 60 kg em 1976, segundo dados da OIC. Após a geada de 2021, a produção total não caiu no ano seguinte muito em função do aumento da safra do canéfora.

A Conab estima a colheita total brasileira de 2024, que começa em algumas áreas de canéforas ao final deste mês, em mais de 58 milhões de sacas, com alta de 5% ante 2023.

Pelos números da Conab, somando-se as safras de 2022 a 2024, a produção total superaria 164 milhões de sacas, ficando 4 milhões acima do triênio anterior, quando o Brasil teve sua maior safra anual da história, em 2020, com mais de 63 milhões de sacas, conforme a estatal.

“Não há dúvida de que safra do ano que vem será inclusive superior a de 2024”, completou Ferreira, ponderando que isso também dependeria do clima, já que os preços mais altos do conilon e robusta, em meio a quebras de safras no Vietnã, maior produtor de canéforas, são fator de estímulo ao produtor.

FIM DA BIANUALIDADE?

Desde 1880, o Brasil alternou safras menores após maiores por 51 vezes, na esteira do ciclo bianual do arábica, enquanto a safra caiu na comparação ao ano anterior por 70 vezes, conforme levantamento com base em registros da Conab, OIC e outras instituições.

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Mas as oscilações da safra do país devem seguir menos frequentes e marcantes, pela expansão do canéfora e outros fatores. “O conilon contribui na diminuição da amplitude da variação da safra nacional, já que praticamente não tem a bianualidade, e por conta da irrigação”, disse o especialista em café do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Celso Vegro.

“Além disso, a região onde o canéfora é plantado (Espírito Santo, Bahia e Rondônia) é isenta de geadas. É um prato cheio.”

Segundo ele, com os preços em máximas em vários anos por conta da quebra de safra no Vietnã e na Indonésia, a tendência é o Brasil aumentar mais o conilon, que por sua vez tem um custo mais baixo que o do arábica.

Ele notou ainda que o incremento de produtividade, com aplicação de mais tecnologia nas lavouras e técnicas que melhoram a fertilidade do solo, também ajuda a reduzir as oscilações de um ano para o outro.

O pesquisador da Fundação Procafé José Braz Matiello vê também esses fatores por trás da “produção mais estável”. E ainda destacou a maior diversidade geográfica da produção.

“Antigamente, a produção era no Paraná e São Paulo. Hoje tem áreas mais ao norte, Espírito Santo, várias regiões de Minas Gerais… isso leva a um maior equilíbrio na safra, um problema climático que dá em um lado pode não dar em outro”, frisou.

Fernando Maximiliano, especialista da consultoria StoneX, lembrou que a geada de 2021 “mudou totalmente o jogo”, invertendo o ciclo do arábica em muitas áreas. E também citou a expansão dos canéforas, que promete impulsionar a safra.

“Para 2025, ainda temos de ver o clima… mas se tudo for favorável, é possível que tenhamos uma safra ainda maior na próxima temporada por conta do robusta”, afirmou Maximiliano, lembrando que em 2024 a expectativa era maior, mas houve impacto climático no sul da Bahia e norte do Espírito Santo.

Ele ainda citou que a importante região produtora de arábica, o Cerrado mineiro, está em sua maioria no ciclo de baixa em 2024, e poderá ter um ano positivo em 2025.

O analista destacou que, enquanto os principais países produtores da Ásia enfrentam problemas, o Brasil vive momento positivo. “Em algum momento, o Brasil vai superar o Vietnã como maior produtor mundial de robusta”, previu.

Fonte: Reuters

Fonte: Portal do Agronegócio

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Energia solar no agronegócio reduz custos e transforma a produção rural no Brasil

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Energia solar avança no agronegócio e se consolida como ferramenta estratégica no campo

A energia solar tem ganhado espaço no agronegócio brasileiro e vem transformando a gestão de custos e a operação de propriedades rurais de diferentes portes. A tecnologia, cada vez mais presente no campo, já é aplicada em atividades como irrigação, bombeamento de água, resfriamento de leite, armazenagem de grãos e climatização de estruturas agrícolas.

Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o agronegócio representa cerca de 29% da energia renovável consumida no Brasil, reforçando o papel do setor na transição energética nacional.

Com isso, a energia fotovoltaica passa a ser vista não apenas como alternativa sustentável, mas como solução estratégica para aumentar a eficiência produtiva e reduzir custos operacionais.

Redução de custos e previsibilidade financeira impulsionam adoção no campo

Um dos principais fatores que explicam a expansão da energia solar no meio rural é a redução significativa das despesas com energia elétrica, que representam uma parcela relevante dos custos operacionais do agronegócio.

De acordo com especialistas do setor, a geração própria de energia permite maior previsibilidade financeira, reduzindo a exposição às variações tarifárias e melhorando o planejamento da produção.

“O produtor que consegue reduzir essa despesa de forma consistente ganha competitividade, melhora o fluxo de caixa da propriedade e consegue investir mais em produtividade e tecnologia”, afirma Raphael Brito, CEO da Solarprime.

Irrigação e armazenagem de grãos lideram aplicações da energia solar no agro

Entre as principais aplicações da energia solar no campo, os sistemas de irrigação se destacam pelo alto consumo energético. Em culturas que dependem de bombeamento constante de água, especialmente em períodos de estiagem, a tecnologia pode reduzir os custos com energia em até 90%, dependendo do sistema adotado e do uso de armazenamento.

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Além disso, a energia fotovoltaica tem sido amplamente utilizada em silos, câmaras frias, galpões e sistemas de ventilação, estruturas que exigem fornecimento contínuo de energia durante o ciclo produtivo.

Essas aplicações contribuem diretamente para a redução de perdas pós-colheita e para a melhoria da eficiência logística dentro das propriedades rurais.

Tecnologia amplia autonomia energética e fortalece a operação rural

Segundo especialistas, a energia solar deixou de ser apenas uma solução ambiental para se tornar uma ferramenta de gestão dentro das propriedades rurais.

“O produtor busca eficiência, previsibilidade e mais autonomia energética para sustentar o crescimento da operação”, explica Raphael Brito.

Na pecuária, a tecnologia também vem sendo adotada em sistemas de ordenha, resfriamento de leite e abastecimento de água para o rebanho. Em regiões mais afastadas dos centros urbanos, onde o fornecimento de energia pode ser instável, a geração própria garante maior segurança operacional.

Energia solar ganha espaço como investimento de longo prazo no agronegócio

Além da economia direta na conta de luz, fatores como longa vida útil dos equipamentos e baixa necessidade de manutenção reforçam a atratividade da energia solar no campo.

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Para o setor, a tecnologia se consolida como um investimento de longo prazo, alinhado à busca por maior eficiência e sustentabilidade econômica.

“O produtor rural brasileiro está cada vez mais atento à gestão do negócio. A energia solar entra como uma ferramenta importante para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e tornar a operação mais sustentável economicamente no longo prazo”, finaliza o CEO da Solarprime.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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