AGRONEGÓCIO
Rota do Café Paulista impulsiona turismo e economia em São Paulo com alta de visitantes e faturamento
Publicado em
27 de abril de 2026por
Da Redação
Turismo do café se consolida como vetor de desenvolvimento em SP
A Rota do Café Paulista vem se consolidando como um dos principais produtos de turismo rural do estado de São Paulo, transformando a experiência com o café em uma imersão cultural, econômica e afetiva.
Mais do que uma bebida presente no cotidiano, o café passa a ser o eixo de uma jornada que atravessa regiões produtoras, conecta histórias familiares e valoriza o trabalho no campo. O resultado já aparece nos números: segundo o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), ligado à Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), o roteiro gerou forte impacto em 2025.
Crescimento expressivo: mais turistas e aumento de faturamento
Os dados apontam que 89% dos empreendimentos participantes registraram aumento no fluxo de visitantes desde a criação da rota. Em média, o fluxo de turistas cresceu 37%, impulsionando diretamente a economia local.
Esse movimento também refletiu no caixa dos negócios: o faturamento das propriedades cresceu cerca de 35%, consolidando o turismo do café como uma nova frente de renda para produtores rurais e empreendimentos associados.
A secretária de Turismo e Viagens de São Paulo, Ana Biselli, destaca o papel estratégico da iniciativa:
“O café já está integrado à cultura e à rotina dos paulistas. Essas rotas refletem nossa ligação afetiva com o grão, valorizam os produtores regionais e impulsionam a economia, gerando mais empregos no campo. Quase metade dos empreendimentos já contratou novos colaboradores.”
Do legado familiar à experiência turística no campo
A Rota do Café Paulista conecta propriedades que unem tradição e inovação, transformando fazendas em destinos turísticos.
No Sítio Cafezal em Flor, em Monte Alegre do Sul, a produtora Márcia Regina Poli Bichara e seu marido, Tuffi Bichara, foram pioneiros no turismo rural na região. Desde 1998, eles apostam no café como elo entre o campo e o consumidor, criando uma experiência imersiva nas montanhas da Serra da Mantiqueira.
Já na Labareda Agropecuária, em Franca, Flávia Lancha representa a quarta geração de uma família de cafeicultores. Com raízes profundas na tradição agrícola, ela alia história familiar a práticas modernas de produção.
Para as produtoras, o café vai além da lavoura: é um cultivo vivo, que exige cuidado constante e sensibilidade diante das variações do clima e do mercado.
Identidade, sabor e terroir do café paulista
A diversidade geográfica do estado de São Paulo também se reflete no perfil sensorial dos cafés da rota.
Nas regiões do Circuito das Águas, os grãos apresentam notas mais frutadas e maior doçura, resultado do amadurecimento mais lento. Já na Alta Mogiana, os cafés se destacam pelo corpo intenso e notas de chocolate e caramelo, características valorizadas no mercado especializado.
Além da qualidade, a sustentabilidade é um pilar importante. A Fazenda Labareda foi pioneira na adoção de certificações internacionais, enquanto o Sítio Cafezal em Flor investe em práticas sustentáveis e em educação ambiental para visitantes.
Turismo rural fortalece economias locais
O impacto da Rota do Café vai além das propriedades rurais. O fluxo de visitantes movimenta toda a cadeia produtiva local, incluindo restaurantes, pousadas, artesanato e pequenos produtores.
Esse efeito multiplicador transforma municípios em polos de turismo gastronômico e rural, ampliando oportunidades de renda e desenvolvimento regional.
Perspectivas: valorização do café paulista e novas gerações
O avanço da Rota do Café Paulista também reforça um movimento de valorização do produto no mercado nacional. Produtores defendem maior presença do café paulista em cafeterias de destaque no Brasil e o incentivo para que jovens permaneçam no campo.
Para Flávia Lancha, o sentimento é claro:
“O café traz um aroma e um sabor especial também para quem produz.”
Conclusão
A Rota do Café Paulista se consolida como um exemplo de integração entre turismo, agronegócio e desenvolvimento regional. Ao transformar fazendas em experiências, o estado de São Paulo fortalece sua identidade cafeeira e abre novas oportunidades para produtores e comunidades rurais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%
Published
7 horas agoon
27 de agosto de 2026By
Da Redação
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.
A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.
Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.
A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.
O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.
Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.
A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.
Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.
“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.
Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.
Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.
Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.
Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.
As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.
Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.
Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.
A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.
A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.
Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.
Fonte: Pensar Agro
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