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Renegociação avança só no papel: R$ 5,2 bi aprovados, R$ 6,8 bi parados e dívida crescendo

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O governo ampliou o alcance da renegociação de dívidas rurais com a MP 1.328/2025, mas manteve travas que limitam o acesso e deixam parte relevante do endividamento do campo fora da solução. Na prática, o produtor ganha mais tempo e uma porta a mais para reorganizar o caixa, mas ainda esbarra em critérios considerados burocráticos por entidades do agro, enquanto o Congresso discute alternativas mais estruturais, como o uso de recursos do pré‑sal para um refinanciamento de longo prazo.

A Medida Provisória 1.328/2025, publicada nesta quarta‑feira, 17, ajusta a MP 1.314 e amplia o universo de operações que podem ser repactuadas pelo programa federal de renegociação de dívidas causadas por eventos climáticos. A principal mudança é a inclusão dos financiamentos de custeio da safra 2024/25: antes, só contratos firmados até 30 de junho de 2024 podiam entrar; agora, passam a ser elegíveis operações contratadas entre 1º de julho de 2024 e 30 de junho de 2025, inclusive as que já tinham sido prorrogadas ou renegociadas.

A MP também autoriza a inclusão de parcelas e operações que estejam inadimplentes até 15 de dezembro e deixa mais explícita a possibilidade de renegociar Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas nesse mesmo intervalo, instrumento largamente usado para financiar safra via tradings, cooperativas e revendas. Ao todo, o programa conta com até R$ 12 bilhões em recursos, sendo R$ 5,2 bilhões já aprovados em cerca de dois meses – o equivalente a 43% do orçamento –, o que indica, por um lado, demanda forte em regiões mais afetadas, e, por outro, dificuldades para transformar todo o potencial em contratos assinados.

Na avaliação da CNA, a ampliação para a safra 2024/25 foi um passo na direção correta, mas não resolve o que a entidade vê como o “coração” do problema: regras de acesso consideradas restritivas e pouco aderentes à realidade de produtores espalhados pelo País. Um dos pontos mais criticados é a exigência de decretação de situação de emergência ou calamidade pública reconhecida pela União, o que exclui áreas que sofreram perdas relevantes, mas não tiveram decretos formalizados ou homologados em tempo.

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A confederação defende que a comprovação das perdas seja feita por critérios mais simples e objetivos – laudos técnicos, dados de produtividade, sensoriamento remoto – e que as exigências hoje cumulativas da MP 1.314 e da Resolução CMN 5.247 sejam flexibilizadas. Produtores também relatam a exigência de garantias mais elevadas e, em alguns casos, o pedido de liquidação de parte dos encargos atrasados como condição para aderir ao programa, o que acaba inviabilizando a entrada justamente de quem mais precisa de fôlego.

O quadro de endividamento no campo segue se agravando, com aumento de recuperações judiciais e rigidez maior dos bancos na concessão e renovação de crédito rural – movimento reforçado por mudanças nas regras de provisionamento de perdas. Diante disso, a CNA argumenta que os R$ 12 bilhões previstos originalmente não serão suficientes para atender o conjunto de produtores afetados por eventos climáticos desde 2020 e cobra um reforço de caixa para a linha, inclusive com fontes alternativas.

Entre as possibilidades discutidas estão o uso do Fundo Social do pré‑sal e do superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), notadamente recursos não utilizados no Plano Brasil Soberano, como base para um programa mais amplo de refinanciamento, com prazos mais longos e taxas mais adequadas à capacidade de pagamento do setor. No Congresso, o Projeto de Lei 5.122/2023, que autoriza empregar recursos do pré‑sal no enfrentamento do endividamento rural – especialmente no Rio Grande do Sul, mas não só – é tratado por governos estaduais e entidades como uma “saída permanente” para um problema que já deixou de ser conjuntural.

Do lado da operacionalização, o BNDES informa que o Programa de Liquidação de Dívidas Rurais já aprovou, em dois meses, R$ 5,2 bilhões em cerca de 19,1 mil operações, com tíquete médio de R$ 273 mil, atendendo produtores de 642 municípios em 21 Estados. Cerca de 62% dos recursos aprovados foram destinados a agricultores familiares e médios produtores, público priorizado pela MP e pela resolução do CMN.

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Segundo o banco, aproximadamente R$ 6,8 bilhões seguem disponíveis para novas contratações, valor que poderá ser utilizado em operações protocoladas até 6 de fevereiro de 2026, inclusive com reforços de alocação para bancos que já esgotaram sua cota inicial. A distribuição dos recursos entre as instituições financeiras credenciadas foi feita de acordo com a participação de cada uma na carteira de crédito rural, e, desde o início da semana, os bancos já podem solicitar volumes adicionais, o que tende a acelerar a contratação em Estados com maior concentração de perdas, como o Rio Grande do Sul.

Para o produtor endividado, o cenário de 2026 combina algum alívio pontual com uma agenda pesada de reconstrução de confiança com os agentes de crédito. A MP 1.328 abre a porta para incluir mais contratos, especialmente da safra 2024/25 e de CPRs, mas não elimina as barreiras de acesso e o custo político de assumir perdas nos balanços dos bancos. Na prática, quem conseguir se enquadrar ganha tempo para reorganizar fluxo de caixa e preservar a atividade; quem ficar de fora continuará dependendo de negociações caso a caso, da tramitação de projetos como o 5.122 e, em última instância, do Judiciário.

Na visão de analistas e entidades, o grande teste será o financiamento da safra de inverno e o início da safra 2026/27: se as medidas ficarem no nível de ajustes pontuais e não vier um pacote mais robusto de reestruturação, há risco real de quebra de elo em regiões já fragilizadas por clima, juros altos e preços mais baixos das commodities. A recomendação recorrente ao produtor é buscar informação detalhada sobre as condições da MP e da resolução do CMN, avaliar com cuidado a capacidade de pagamento antes de aderir e, sempre que possível, negociar coletivamente por meio de cooperativas e associações para reduzir assimetrias na mesa com os bancos

Fonte: Pensar Agro

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Simpósio mostra como elevar o lucro da pecuária a pasto

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Começa nesta quinta-feira (13.08), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o III Simpósio de Pecuária Lucrativa a Pasto. O encontro reunirá produtores, técnicos e pesquisadores para discutir estratégias de manejo capazes de aumentar a produtividade e a rentabilidade da criação de bovinos.

A programação será dividida em duas etapas. No primeiro dia, o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) receberá um ciclo de palestras sobre manejo de pastagens, confinamento e conservação de forragens.

O credenciamento começará às 13 horas. As apresentações técnicas serão realizadas das 14 às 18 horas. Entre os temas previstos estão o aproveitamento das pastagens, a alimentação dos animais no período seco, a terminação em confinamento e a produção de volumosos para suplementação do rebanho.

A conservação de forragens permite armazenar capim, milho e outras plantas na forma de feno, silagem ou pré-secado. A estratégia ajuda o pecuarista a manter a oferta de alimento nos meses de menor crescimento das pastagens, reduzindo a perda de peso dos animais e a necessidade de compras emergenciais de ração.

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Na sexta-feira (14.08), o simpósio seguirá com um dia de campo na Fazenda Santa Clara, em Terenos, município vizinho a Campo Grande. A atividade começará às 7h30 e mostrará, na prática, técnicas de produção de feno e pré-secado, conservação de alimentos e organização do sistema produtivo da propriedade.

A proposta é aproximar o conhecimento apresentado nas palestras da rotina das fazendas. Durante o dia de campo, os participantes poderão observar a aplicação das técnicas e trocar experiências sobre custos, alimentação do rebanho e planejamento da produção ao longo do ano.

O evento é coordenado pelo professor Guilhermo Francklin de Souza Congio, do Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP). A inscrição e a certificação são realizadas pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq).

São oferecidas 200 vagas. A inscrição custa R$ 230 e dá direito à participação nos dois dias, com carga horária certificada de dez horas.

Serviço

Evento: III Simpósio de Pecuária Lucrativa a Pasto
Data: 13 e 14 de agosto de 2026
Dia 13: credenciamento às 13 horas e palestras das 14 às 18 horas
Local: auditório do Sistema Famasul, Rua Marcino dos Santos, 401, Chácara Cachoeira, Campo Grande
Dia 14: atividades a partir das 7h30
Local: Fazenda Santa Clara, BR-262, km 411, Terenos
Inscrição: R$ 230
Vagas: 200
Inscrições: clique aqui

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Fonte: Pensar Agro

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