AGRONEGÓCIO
Regulamentação de Bioinsumos no Brasil: ANPII Bio Enfatiza Inovação e Desenvolvimento Industrial
Publicado em
4 de outubro de 2024por
Da Redação
O Brasil enfrenta um momento crucial para a agricultura sustentável, com a Câmara e o Senado Federal discutindo dois projetos de lei que visam regulamentar a produção e o uso de bioinsumos no país. O PL 658/2021, atualmente na Câmara dos Deputados, e o PL 3668/2021, já aprovado no Senado e em análise na Câmara, buscam estabelecer uma legislação específica para um setor em crescimento, impulsionado pela demanda por tecnologias agrícolas mais sustentáveis, rentáveis e eficientes. Apesar desse crescimento, a falta de uma regulamentação própria gera desafios tanto para produtores quanto para a indústria.
A ANPII Bio (Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos), a entidade mais representativa do setor de bioinsumos no Brasil, defende a criação de um marco regulatório que equilibre os interesses da indústria e dos agricultores. “Acreditamos que a regulamentação específica para bioinsumos é essencial para garantir a segurança, qualidade e sustentabilidade desses produtos no campo. Um marco regulatório equilibrado pode fomentar a inovação e estimular o crescimento do setor”, afirma Júlia Emanuela de Souza, Diretora de Relações Institucionais da ANPII Bio.
Atualmente, os bioinsumos estão sujeitos às mesmas normas que regulam agrotóxicos e fertilizantes, um modelo considerado inadequado pela ANPII Bio, pois não leva em conta as particularidades dos insumos biológicos. “As legislações vigentes não foram pensadas para bioinsumos, o que gera incongruências que não favorecem a inovação e o desenvolvimento do setor”, explica Júlia. Ela destaca a necessidade de um marco regulatório específico para corrigir essas falhas, permitindo um controle mais adequado sobre a produção e o uso de bioinsumos.
A ANPII Bio tem se envolvido ativamente nas discussões sobre os projetos de lei, identificando avanços e desafios em cada um deles. Em relação ao PL 658/2021, que aborda a produção on farm – ou seja, bioinsumos produzidos diretamente nas propriedades rurais – a entidade expressa preocupação com a falta de exigências rigorosas que garantam a segurança e a qualidade desses produtos, assim como a proteção dos trabalhadores. “A produção on farm tem crescido no país, mas exige um controle de qualidade rigoroso, evitando a contaminação por patógenos humanos ou fitopatógenos. É necessário seguir parâmetros de controle de qualidade, como a exigência de um responsável técnico e o uso de cepas adquiridas de bancos de germoplasma confiáveis. Isso assegura a segurança do meio ambiente, a saúde dos consumidores e de quem manipula esses produtos no campo”, alerta Júlia.
Assim como nas fábricas comerciais, onde o controle de qualidade é fundamental para a produção de bioinsumos seguros e eficientes, a entidade defende que a produção on farm deve seguir padrões rigorosos. “Nas indústrias, os processos de controle de qualidade garantem que os bioinsumos atendam a padrões de desempenho, segurança e conformidade, desde a matéria-prima até o produto acabado. Da mesma forma, é essencial que a produção nas propriedades rurais siga critérios rigorosos para evitar contaminações e garantir a eficácia dos bioinsumos”, complementa.
A ANPII Bio também enfatiza a importância de considerar as realidades específicas de diferentes formas de cultivo. “Defendemos que a agricultura familiar, assim como as comunidades tradicionais e a agricultura orgânica, merecem um tratamento diferenciado e mais coerente com suas particularidades. Essas formas de cultivo valorizam a biodiversidade e preservam práticas ancestrais. É essencial que políticas públicas e regulamentações reconheçam suas especificidades, oferecendo o apoio adequado”, reforça Júlia.
Além disso, a associação se manifesta em relação ao PL 3668/2021, que apresenta uma abordagem mais abrangente, incluindo iniciativas de estímulo ao setor e medidas como controle de qualidade e boas práticas de produção tanto para bioinsumos comerciais quanto on farm. “Considerando que muitos bioinsumos desempenham múltiplas funções, como o controle de pragas e a melhoria da fertilidade do solo, torna-se imprescindível uma classificação mais clara”, observa Júlia.
Para a ANPII Bio, a legislação deve incluir um registro unificado para produtos multifuncionais, simplificando o processo regulatório e incentivando a inovação no setor. “No caso dos microrganismos, não temos controle sobre suas funções específicas, e eles podem desempenhar diversos papéis positivos no campo, trazendo benefícios significativos para o desenvolvimento das lavouras. A criação de um registro único para produtos com múltiplas funções não só impulsiona a inovação tecnológica nas indústrias, como também otimiza o uso desses produtos no campo, proporcionando informações mais completas ao produtor rural”, enfatiza.
A ANPII Bio acredita ser essencial que produtos com maior potencial de impacto sejam submetidos a uma análise mais rigorosa por órgãos competentes como a ANVISA e o IBAMA. “Embora a maioria dos bioinsumos não apresente riscos à saúde humana ou ao meio ambiente, algumas categorias requerem uma avaliação mais detalhada para garantir que as recomendações de uso sejam adequadas, assim como a segurança para os produtores e consumidores finais”, explica Júlia. A ANPII Bio defende que a colaboração entre diferentes órgãos governamentais enriquece o processo de avaliação, assegurando que todos os aspectos de segurança e eficácia sejam considerados, promovendo um ambiente regulatório mais robusto e coerente. “No entanto, é fundamental uma previsão clara de isenção da participação da ANVISA e do IBAMA no registro de produtos que não apresentem riscos significativos, como os inoculantes”, ressalta.
Diante desse cenário, a ANPII Bio mantém um diálogo constante com representantes da indústria, produtores rurais e o governo, realizando reuniões periódicas para buscar um consenso em torno da legislação. “Sabemos que existem interesses divergentes, mas acreditamos que o diálogo é essencial para encontrar um caminho que beneficie toda a cadeia produtiva. Nossa missão é garantir que a indústria continue a produzir bioinsumos que contribuam de maneira segura e eficiente para a sustentabilidade da agricultura brasileira. A aprovação da Lei de Bioinsumos consolidará o Brasil como um dos líderes mundiais no uso e desenvolvimento de bioinsumos”, conclui Júlia Emanuela de Souza.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Novo mercado pode render R$ 520 milhões ao setor
Published
17 minutos agoon
27 de setembro de 2026By
Da Redação
A autorização para exportar miúdos suínos ao mercado chinês poderá abrir espaço para embarques superiores a 100 mil toneladas por ano e acrescentar mais de R$ 520 milhões à receita da suinocultura brasileira. A abertura ocorre no momento em que o preço médio do animal vivo reage no mercado nacional, após meses de margens apertadas para os produtores.
O novo protocolo sanitário permite a venda de miúdos internos, como fígado, coração e esôfago. O Brasil já estava autorizado a fornecer partes externas valorizadas pelo consumidor chinês, como orelha, rabo e focinho.
A China importa aproximadamente R$ 13 bilhões em miúdos suínos por ano, o que torna a abertura relevante para o melhor aproveitamento da carcaça. Esses produtos já são comercializados no mercado doméstico e enviados a outros destinos, mas encontram procura maior e preços potencialmente mais elevados no país asiático.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a nova autorização poderá gerar receita adicional superior a R$ 520 milhões por ano. Os valores foram convertidos pela cotação Ptax de R$ 5,1988 registrada em 25 de setembro.
A abertura beneficia inicialmente 16 frigoríficos: sete em Santa Catarina, oito no Rio Grande do Sul e um em Mato Grosso. Santa Catarina já possuía autorização chinesa por ser reconhecida há mais tempo como área livre de febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento sanitário concedido ao restante do País em junho ampliou as possibilidades para unidades gaúchas e mato-grossenses.
A ABPA estima que Santa Catarina tenha capacidade para destinar 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos ao novo mercado. No Rio Grande do Sul, o potencial supera 40 mil toneladas, além das oportunidades abertas anteriormente para carne suína com osso e miúdos externos.
A assinatura do protocolo não resultou em novas habilitações de frigoríficos. Uma auditoria chinesa realizada desde o dia 20 visitou fazendas, abatedouros, unidades de produção e laboratórios oficiais em seis Estados, mas terminou sem o anúncio de novas plantas autorizadas ou da retirada de suspensões aplicadas a estabelecimentos de carnes bovina e de aves.
Para a cadeia suinícola, o principal ganho está na valorização de partes do animal que possuem demanda mais limitada no Brasil. A diferença nos hábitos de consumo permite direcionar cada corte ao mercado que oferece melhor remuneração, aumentando a receita por suíno abatido sem exigir expansão equivalente da produção.
“O ganho está justamente na qualificação dessa destinação. Há uma complementaridade muito importante entre os hábitos de consumo brasileiro e chinês, que permite melhorar o aproveitamento da carcaça e agregar receita à produção”, afirma Ricardo Santin, presidente da ABPA.
A abertura coincide com uma recuperação das cotações no mercado interno. Levantamento da Safras & Mercado mostra que o preço médio nacional do suíno vivo subiu 4,8% em uma semana, de R$ 4,81 para R$ 5,04 por quilo.
No atacado, a média dos cortes de carcaça avançou 5,8%, de R$ 7,88 para R$ 8,34 por quilo. O pernil teve valorização de 3%, passando de R$ 9,60 para R$ 9,89.
A reação foi sustentada pelo ajuste da oferta de animais à necessidade dos frigoríficos, que voltaram a ampliar as compras para abate. A melhora no escoamento doméstico e a competitividade da carne suína diante da proteína bovina também favoreceram a reposição dos estoques.
A valorização, entretanto, ainda não alcançou todos os produtores. Nos sistemas de integração, os preços permaneceram estáveis em R$ 4,80 por quilo no Rio Grande do Sul, R$ 4,65 em Santa Catarina, R$ 5,05 no Paraná e R$ 4,65 em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O avanço concentrou-se principalmente no mercado independente.
As exportações continuam ajudando a retirar produto do mercado interno. Nos primeiros 13 dias úteis de setembro, o Brasil embarcou 79,39 mil toneladas de carne suína in natura, com receita aproximada de R$ 939 milhões. A média diária chegou a 6,1 mil toneladas.
Apesar da recuperação semanal, a cautela permanece entre os criadores. A elevada oferta para abate pressionou as cotações durante agosto e provocou prejuízos que ainda não foram recuperados. A abertura para os miúdos chineses melhora a perspectiva de receita da indústria e pode ajudar na sustentação dos preços, mas seus efeitos dependerão do início efetivo dos embarques e da capacidade de o ganho comercial chegar ao produtor.
Fonte: Pensar Agro
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