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Regional da Emater em Uberaba estimula o uso de plantas de cobertura nas lavouras de café

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No início de 2024, a regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) em Uberaba, no Triângulo Mineiro, implantou sete unidades demonstrativas para o cultivo de plantas de cobertura em lavouras de café.

O plantio consorciado visa a melhoria do solo e dos cafezais. A iniciativa faz parte do projeto Construindo Solos Saudáveis, desenvolvido no estado pela Emater-MG em parceria com a empresa AG Croppers.

As unidades demonstrativas da regional de Uberaba foram implantadas nos municípios de Araxá, Campos Altos, Ibiá, Perdizes, Pratinha, Sacramento e Tapira.

Nelas são cultivadas espécies de plantas como trigo mourisco e crambe. As sementes foram obtidas por meio de parceria com a AG Croppers, sendo repassadas sem custos aos produtores.

De acordo com o extensionista Roberto Carlos Mendes Filho, a intenção é “avaliar a contribuição desta consorciação na qualidade física, química e biológica do solo, a supressão de plantas daninhas e diminuição da temperatura do solo através do aporte de massa verde, e os benefícios para um sistema produtivo sustentável”.

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Uma das unidades demonstrativas fica na propriedade do cafeicultor, Renato Domingos, em Campos Altos. A unidade tem 0,5 hectare. Na área, foram plantadas em consórcio com o café as espécies trigo mourisco, crambe e crotalaria ochroleuca.

Renato diz que a sua propriedade está passando por um processo de reestruturação e que, por isso, decidiu fazer parte do projeto e buscar uma produção mais sustentável. Segundo ele, o uso de plantas de cobertura é bastante positivo, pois “aumenta a matéria orgânica, melhora a nutrição e sanidade do cafezal, e é eficiente no combate a pragas e doenças”.

A extensionista do município de Perdizes, Aline Borges Torino, afirma que o projeto é importante para o cenário atual da cafeicultura, pois o uso de técnicas conservacionistas agrega valor ao produto, além dos benefícios para o solo e o manejo da lavoura.

“Essa conscientização do produtor rural é nossa meta e faremos isso através da metodologia de extensão rural, com dias de campo para a difusão da tecnologia”, afirma a extensionistas.

Construindo Solos Saudáveis

Com início em 2021, o projeto Construindo Solos Saudáveis implantou até o momento 600 unidades demonstrativas no estado. Cada unidade possui, em média, mil metros quadrados. Elas servem de modelo para que agricultores interessados conheçam o sistema.

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“Em 2023, este projeto ganhou uma grande dimensão, com unidades demonstrativas espalhadas em todo o estado, trabalhando com café, horticultura, fruticultura e grãos”, afirma o coordenador técnico de Culturas da Emater-MG em Alfenas, Kleso Silva Franco Júnior.

Fonte: Agência Minas

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

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A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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