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Reforma da Renda aumenta custos de uso de imóveis próprios em holdings no agronegócio

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A Reforma da Renda adiciona novas complexidades ao uso de holdings patrimoniais no agronegócio brasileiro. Tradicionalmente, essas estruturas foram utilizadas para facilitar a sucessão familiar, proteger patrimônio e organizar a gestão da propriedade. No entanto, com a criação da tributação de 10% sobre dividendos, os produtores que utilizam seu próprio imóvel dentro da holding passam a enfrentar um impacto financeiro significativo.

A situação já era desafiadora com a Reforma Tributária (EC 132/2023), que prevê que imóveis rurais inseridos em holdings ou que gerem receita superior a R$ 240 mil podem ser tributados com IBS e CBS, mesmo quando utilizados para produção própria.

Uso da produção dentro da holding fica mais oneroso

A advogada Viviane Morales, da Lastro – Soluções Tributárias para o Agro, explica que é comum que produtores transfiram parte da produção para a holding, que comercializa os produtos e acumula receita, distribuindo dividendos aos sócios sem tributação adicional.

Com a Reforma da Renda, esse modelo deixa de ser vantajoso. “Se o produtor transferir parte da produção para a holding e quiser acessar os recursos, haverá cobrança de 10% sobre dividendos”, alerta Morales. Na prática, isso significa que o produtor pagará para receber o dinheiro da própria produção, um custo que não existiria se o imóvel estivesse em nome da pessoa física.

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Mesmo em anos com resultado negativo, o produtor que resgatar valores da holding estará sujeito à tributação sobre dividendos, aumentando a complexidade e os custos da operação.

Restrições sobre o uso de recursos acumulados

Outra consequência da nova tributação é a limitação no uso de valores mantidos dentro da holding. Recursos acumulados só podem ser aplicados em finalidades compatíveis com o objeto social da empresa, sob risco de questionamentos da Receita Federal e possíveis problemas fiscais futuros.

Holdings continuam úteis, mas exigem planejamento

Segundo o diretor da Lastro, Gustavo Venâncio, as holdings ainda oferecem vantagens, como organização sucessória, prevenção de conflitos familiares e governança, mas não podem ser consideradas uma escolha universal ou automática.

Ele alerta que estruturas patrimoniais criadas antes da regulamentação completa da Reforma Tributária podem precisar de ajustes, gerando custos adicionais para os produtores.

Orientação para produtores rurais

Especialistas recomendam que cada produtor avalie detalhadamente sua holding, considerando:

  • Forma de utilização da terra;
  • Regime tributário atual;
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Fluxo de produção e comercialização;

  • Necessidade de acessar recursos financeiros acumulados;
  • Estrutura familiar e sucessória;
  • Exposição aos novos tributos.

“Decidir sobre manter ou constituir uma holding deve ser estratégico e planejado, e não uma ação imediata”, finaliza Venâncio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta

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A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.

O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.

Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.

Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.

O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.

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O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.

A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.

A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.

Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.

A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.

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Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.

A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.

As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.

Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.

Fonte: Pensar Agro

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