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Recuperação judicial cresce e acende alerta no agro

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Por ser uma indústria a céu aberto, a produção agrícola está sujeita às oscilações de mercado e do clima, fatores que podem levar até mesmo a não continuidade da atividade. Para não perder o negócio, quando uma crise financeira se instala, muitos produtores, sejam eles pessoas jurídicas ou agroindústrias, buscam no sistema de recuperação judicial uma possibilidade para resolver o problema.

Um levantamento realizado pelo Serasa Experian apontou que em 2023 a procura pelo sistema de recuperação judicial cresceu 535% em relação ao ano anterior. O número é alto e também preocupante, avalia Rodrigo Lopes, advogado da área de recuperação de crédito e sócio do Martinelli Advogados.

Ele alerta que o pedido pela modalidade não pode ser banalizado. “É importante que esse pedido seja feito apenas quando o produtor ou a agroindústria estão em estado de real insolvência, sendo necessário o preenchimento dos requisitos que demandam esforços mútuos ao soerguimento, tanto pela empresa ou produtor rural em crise, quanto dos credores de diversas classes”, destaca. Lopes recomenda uma avaliação criteriosa, eis que um pedido de recuperação judicial para superar uma crise, ainda mais quando outras empresas do mesmo segmento, a exemplo do agro, estão em situação estável, o que pode prejudicar a reputação da empresa, bem como do próprio setor econômico, encarecendo o crédito para fomento e dificultando a relação entre fornecedores e empregados.

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Uma das penalidades para as empresas que pedem uma recuperação judicial de maneira irresponsável, destaca Lopes, é encontrar dificuldade no acesso ao crédito para o exercício da atividade. “Sabemos que a atividade agropecuária no Brasil depende de crédito para fomento, investimento e capital de giro. Um comprometimento na imagem, pode ser ainda mais prejudicial do que a situação financeira da empresa no momento”, avalia.

Rodrigo destaca que antes de acessar essa modalidade jurídica, existem outras possibilidades que podem ajudar no restabelecimento da organização. Um exemplo é a recuperação extrajudicial, um acordo firmado entre a empresa e credores. “Preventivamente, a empresa ou os produtores devem consultar um advogado de confiança antes de tomar qualquer decisão. E essa consultoria deve ter credibilidade no assunto”, pontua. Lopes explica que há um crescimento em serviços ofertados para recuperação judicial. “Se alguém está vindo até você para oferecer meramente uma vantagem, um desconto expressivo de dívidas, é bom desconfiar”, alerta o advogado. “Uma proposta milagrosa de descontos, acima de 50% do que é devido, ou até mais, por exemplo, é um motivo para dúvida.”

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Rodrigo observa que nem sempre a insolvência reflete a realidade da organização, pelo que um pedido de Recuperação Judicial sem o preenchimento dos requisitos, pode levar o Requerente à falência. “É o que o Ministério da Agricultura está trazendo em discussão. Já existe um movimento político de solução, inclusive junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que diz que é preciso ter cuidado em fazer pedidos de recuperação judicial de forma irresponsável e que a modalidade não pode ser banalizada porque pode acarretar em um desequilíbrio econômico, além de prejudicar os credores, bem como dificultar acesso ao crédito de produtores rurais que estão exercendo sua atividade de forma saudável”, descreve.

O pedido de recuperação judicial começou a ser possível a partir de 2005. Antes, a Lei das Concordatas, lei 7.274/1984, era um mecanismo de insolvência inviável e defasado, tratava-se de um processo difícil e demorado. Em 2005, pela lei 11.101, surgiu o mecanismo de recuperação judicial, o qual trouxe forma de soerguimento de forma mais clara e organizada, estabelecendo critérios.

Fonte: Assessoria de imprensa do Martinelli Advogados

Fonte: Portal do Agronegócio

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Milho no RS entra na reta final da colheita com produtividade acima de 7,4 t/ha

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Mercado Externo

O cenário internacional para o milho segue marcado por volatilidade, com atenção às safras da América do Sul e ao ritmo das exportações dos Estados Unidos. A evolução da colheita no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, contribui para a oferta global, ainda que em menor escala frente ao Centro-Oeste. A regularidade climática recente no Estado ajuda a sustentar expectativas positivas de produtividade, fator que pode influenciar o equilíbrio global de oferta.

Mercado Interno

A colheita do milho no Rio Grande do Sul se aproxima da conclusão, atingindo 90% dos 803.019 hectares cultivados na safra 2025/26, conforme a Emater/RS-Ascar. O avanço foi mais lento na última semana devido às chuvas, principalmente na Metade Sul, que elevaram a umidade dos grãos e dificultaram a operação de máquinas.

As áreas restantes correspondem a lavouras implantadas fora da janela ideal, ainda em fases reprodutivas ou de enchimento de grãos. As precipitações recorrentes desde março favoreceram o desenvolvimento dessas áreas, consolidando o potencial produtivo.

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No milho destinado à silagem, a colheita também está praticamente concluída, alcançando 87% da área. No entanto, a umidade elevada tem prejudicado o processo de ensilagem, podendo impactar a qualidade da fermentação.

Preços

Os preços do milho no mercado interno tendem a refletir o avanço da colheita e a qualidade do produto. A elevada umidade dos grãos em algumas regiões pode gerar descontos na comercialização, além de aumentar os custos com secagem. Por outro lado, a produtividade consistente no Estado ajuda a equilibrar a oferta regional.

Indicadores
  • Área cultivada (milho grão): 803.019 hectares
  • Área colhida: 90%
  • Produtividade média: 7.424 kg/ha
Produção estimada: 5,96 milhões de toneladas
  • Milho silagem:
    • Área: 345.299 hectares
    • Colheita: 87%
    • Produtividade média: 37.840 kg/ha
  • Soja (RS):
    • Área cultivada: 6,62 milhões de hectares
    • Colheita: 68%
    • Produtividade média: 2.871 kg/ha
  • Feijão 1ª safra:
    • Área: 23.029 hectares
    • Produtividade média: 1.781 kg/ha
  • Feijão 2ª safra:
    • Área: 11.690 hectares
    • Produtividade média: 1.401 kg/ha
  • Arroz irrigado:
    • Área: 891.908 hectares
    • Colheita: 88%
    • Produtividade média: 8.744 kg/ha
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Análise

A reta final da colheita do milho no Rio Grande do Sul confirma uma safra tecnicamente positiva, sustentada por produtividade acima da média histórica. No entanto, o excesso de chuvas no período final impõe desafios logísticos e pode afetar a qualidade dos grãos, exigindo maior gestão pós-colheita.

O cenário climático também impacta outras culturas relevantes no Estado. A soja avança de forma mais lenta, com grande variabilidade produtiva devido ao regime irregular de chuvas ao longo do ciclo. Já o arroz mantém bom desempenho, enquanto o feijão evidencia forte dependência de irrigação para alcançar melhores rendimentos.

No curto prazo, o produtor gaúcho segue atento às condições climáticas para concluir a colheita e preservar a qualidade da produção, fator determinante para a rentabilidade em um ambiente de margens mais apertadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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