AGRONEGÓCIO

Recuperação internacional e dólar sustentam preços do trigo no Brasil

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A recente recuperação dos preços do trigo no mercado internacional, especialmente na Argentina, aliada ao dólar em torno de R$ 5,15, tem sustentado os valores do trigo no Brasil. Essa tendência foi apontada pelo analista e consultor da Safras & Mercado, Élcio Bento.

No Paraná, as indicações dos moinhos variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada (CIF), enquanto no Rio Grande do Sul, o preço gira em torno de R$ 1.300 por tonelada (FOB). A paridade de importação com o trigo argentino foi de R$ 1.370 por tonelada no mercado paranaense e de R$ 1.357 por tonelada no mercado gaúcho.

“Os produtores estão menos dispostos a negociar por preços mais baixos, cientes do longo período de entressafra”, explica Élcio Bento. No porto de Rio Grande/RS, a safra nova gaúcha está sendo cotada a R$ 1.110 por tonelada para entrega em novembro e pagamento em dezembro, e a R$ 1.140 para entrega em dezembro e pagamento em janeiro/25. Até agora, porém, não houve relatos de interesse de vendedores, segundo o analista.

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Na Argentina, as cotações spot (nominais) variam entre US$ 240 e US$ 252 por tonelada para o trigo com 12% de proteína. Para junho, em UP River (11,5% de proteína), a indicação de compra é de US$ 230 por tonelada e de venda a US$ 245 por tonelada. Em Necochea, também para junho, vendedores estão oferecendo a US$ 240 por tonelada.

Uma pesquisa de intenção de plantio realizada pela Safras & Mercado sugere um aumento de 4% na área de trigo no país, com um potencial de produção estimado em 17,3 milhões de toneladas, em comparação com 14,8 milhões de toneladas na safra anterior.

No cenário internacional, o Canadá deve produzir 33,667 milhões de toneladas de trigo em 2024/25. Segundo um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), na safra 2023/24, o país produziu 31,954 milhões de toneladas. As exportações canadenses são projetadas em 24,7 milhões de toneladas, contra 23,5 milhões no ano anterior. O consumo no Canadá é estimado em 9,29 milhões de toneladas, com estoques finais projetados em 3,527 milhões de toneladas para a temporada 2024/25.

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Esses dados apontam para uma recuperação consistente no mercado global do trigo, com o dólar e as condições internacionais contribuindo para a firmeza dos preços no Brasil. Produtores e compradores devem ficar atentos a essas tendências para melhor planejar suas estratégias de comercialização e produção.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.

A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.

Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.

No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.

A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.

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Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.

Isan Rezende, presidente do IA

A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.

Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.

“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.

Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.

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“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.

Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.

“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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