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Recuperação de pastagens degradadas é destaque das políticas de sustentabilidade

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O ano de 2023 no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi notavelmente marcado pelo lançamento e execução de políticas voltadas à promoção da sustentabilidade. Agricultura de baixo carbono, crescimento do mercado de bioinsumos, promoção da conectividade nas pequenas propriedades rurais, crescimento do cacau, regularização ambiental e atenção às mudanças do clima foram apenas algumas das temáticas que permearam o trabalho da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo (SDI).

“É com muito orgulho que a SDI encerra o ano de 2023 como parte dessa grande transição tecnológica da agricultura convencional para uma agricultura sustentável, regenerativa e que cada vez preserva mais o meio ambiente”, destaca a secretária da SDI, Renata Miranda.

Conversão de pastagens

Uma das principais novidades do ano é o lançamento do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis. Com a nova política, o Brasil pode alçar, em uma década, o dobro da produtividade atual, sem avançar em áreas de floresta e incorporando ao sistema produtivo 40 milhões de hectares. A medida contribui para a redução da pressão sobre os ecossistemas naturais e para a adaptação e mitigação dos efeitos negativos das mudanças do clima.

Programas e planos
Programas

Lançamentos de programas também movimentaram o ano da Secretaria. O Programa Nordeste + Sustentável foi lançado com objetivo de promover o desenvolvimento sustentável dos agricultores e da agropecuária na Região Nordeste do Brasil e no norte do Espírito Santo e de Minas Gerais. A iniciativa prevê a melhoria dos sistemas produtivos, promovendo ações de ampliação de assistência técnica, acesso a novos mercados e tecnologias de redução das emissões de carbono e convivência com a seca.

Já o Amazônia + Sustentável tem o intuito de promover a integração e a convergência de ações públicas e privadas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, contribuindo assim para a produção de alimentos seguros e saudáveis; a melhoria da renda dos produtores rurais, assentados da reforma agrária e povos tradicionais; e para a criação de novas oportunidades de negócios com equilíbrio entre eficiência produtiva, benefício social e conservação ambiental.

Ainda na Amazônia, também foram implementados dois projetos internacionais: o Projeto de Cooperação Brasil-Alemanha – Projeto Global “Agricultura Sustentável para Ecossistemas Florestais (SAFE)” e Projeto de Cooperação Brasil-Alemanha – Projeto Bilateral “Transparência e Sustentabilidade nas Cadeias Produtivas na Amazônia”.

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O Plano Floresta + Sustentável foi lançado para a implementação de ações e estratégias que promovam o desenvolvimento florestal, estimulando suas cadeias produtivas e impulsionando a economia de base florestal em todo o território nacional. Busca-se gerar impactos positivos nos âmbitos social, econômico e ambiental, promovendo a convergência e integração dos programas, políticas e ações existentes no Mapa, suas instituições vinculadas e parceiros, com ênfase no desenvolvimento florestal.

Rural + Conectado
Conectividade

O Rural + Conectado chegou para ampliar a conectividade no campo para as regiões norte e nordeste. O programa visa a ampliação da infraestrutura para acesso à internet em povoados e vilarejos de baixa densidade demográfica que ainda não possuem esse serviço e disponibilização de conteúdos de alta qualidade para promover o desenvolvimento técnico das comunidades rurais. A iniciativa representa um avanço significativo na expansão da conectividade nas áreas rurais.

Inova Cacau 2030

Cadeia do cacau

O Plano Inova Cacau 2030 destaca-se por priorizar a promoção do uso sustentável dos recursos naturais nas regiões produtoras de cacau, adotando tecnologias eficientes de baixo impacto ambiental. Lançado em 2023 como um planejamento estratégico para a cadeia produtiva do cacau, o objetivo central é consolidar o Brasil como referência mundial na produção sustentável desse produto, com ênfase na conservação produtiva e na melhoria das condições de vida e trabalho em toda a cadeia de valor.

Entre outros resultados relacionados ao cacau em 2023, destacam-se a certificação do Brasil como exportador de cacau fino de aroma, fortalecendo a posição do país no mercado internacional. Adicionalmente, há também a celebração de acordos internacionais com países latino-americanos, que visa à cooperação em estudos e pesquisas sobre desenvolvimento sustentável, incluindo investigações sobre doenças do cacaueiro.

Um marco significativo foi a entrega, pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) de 10,5 milhões de sementes híbridas ao Estado do Pará e Roraima, quantidade suficiente para o plantio e/ou recomposição de cerca de 10 mil hectares de cacau, evidenciando o compromisso prático do plano com a expansão sustentável da produção cacaueira.

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Outros resultados
Selo Arte

SELO ARTE – No período compreendido entre janeiro e novembro de 2023, foram concedidos um total de 295 Selos Arte, sendo que 104 destes foram emitidos por órgãos de agropecuária municipais devidamente cadastrados, responsáveis pelas análises e emissões dos referidos selos. Dentre os produtos registrados, 72% correspondem a derivados do leite, enquanto 21% são produtos cárneos, 5% relacionam-se a produtos de abelhas, e 0,8% são provenientes da pesca.

BPA BRASIL – Em 2023, foram reconhecidos os seguintes programas no âmbito da Portaria nº 448/2022, que regulamenta a Portaria nº 337/2021 de reconhecimento de Programas voltados à adoção das Boas Práticas Agrícolas: “Programa Global Markets ABRAS”; “Selo Mip Experience”; e “Boas Práticas Agrícolas IBS”.

PRODUÇÃO INTEGRADA AGROPECUÁRIA – Foram capacitados mais de 1.500 produtores e trabalhadores rurais, nos cursos de produção integrada em 13 cadeias produtivas; Boas Práticas Agrícolas; e Gestão e Planejamento da Empresa Rural. O Selo Oficial “Brasil Certificado” tem 11 produtores certificados na cadeia do morango, um na de maçã, dois de vinícolas, e dois de oliveiras.

INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS E MARCAS COLETIVAS – Foram emitidos cinco Instrumentos Oficiais de Delimitação Geográfica, na espécie Indicação de Procedência: Café Arábica da Nova Alta Paulista; Mel do Vale do Paraíba; Café de Torrinha; Café Vale da Grama; Erva-Mate Região de Machadinho.

PROGRAMA MAIS LEITE SAUDÁVEL – Em 2023, 224 projetos foram aprovados com investimento direto na atividade leiteira na ordem de R$ 111.137.937,00 beneficiando diretamente 16.369 produtores. Além disso, publicou-se o Decreto nº 11.732/2023 – que altera o Decreto 8.533/2015 que institui o Programa Mais Leite Saudável. O novo Decreto visa a incentivar a aquisição e a produção de derivados lácteos a partir do leite in natura de origem nacional.

Fonte: MAPA

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Produção recorde de leite impulsiona digitalização e novas estratégias no setor de laticínios

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O setor de laticínios brasileiro atravessa um novo ciclo de expansão, impulsionado pelo avanço da produção de leite e pela crescente demanda por alimentos frescos. Dados do IBGE apontam que a aquisição de leite cru alcançou 27,51 bilhões de litros em 2025, volume recorde da série histórica e 8,5% superior ao registrado no ano anterior. Apenas no quarto trimestre, foram captados 7,36 bilhões de litros, alta anual de 8,6%.

O crescimento reforça o potencial competitivo da cadeia leiteira nacional, mas também amplia os desafios logísticos e operacionais do setor. Com um produto altamente perecível, a eficiência na distribuição se torna fator decisivo para evitar perdas, garantir qualidade e equilibrar produção e consumo.

Cadeia do leite enfrenta desafios com aumento da oferta

Ao contrário de outras categorias alimentícias, o leite exige uma operação logística extremamente sincronizada. Oscilações entre oferta e demanda podem gerar desperdícios significativos, seja pela falta de produtos em períodos de maior consumo ou pelo descarte causado pelo excesso de produção.

Além disso, o comportamento do consumidor brasileiro também vem mudando. A busca por produtos mais naturais, frescos e com origem conhecida impulsiona modelos de comercialização mais diretos.

Pesquisa “Do prato ao copo”, realizada pela MindMiners, mostra que 33% dos brasileiros afirmam consumir mais alimentos naturais ou in natura, enquanto 53% alternam entre produtos naturais e industrializados. Entre as bebidas não alcoólicas, 38% priorizam opções consideradas mais naturais.

Nesse cenário, a tradicional entrega de leite em domicílio volta a ganhar espaço, agora impulsionada pela tecnologia.

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Modelo de entrega domiciliar ganha nova força com digitalização

Durante décadas, o sistema de entrega de leite na porta de casa operou com base em rotas fixas, pedidos recorrentes e relacionamento direto entre distribuidores e consumidores. Embora eficiente, o modelo tinha limitações operacionais e baixa integração de dados.

Com a digitalização da cadeia, empresas do setor começam a transformar essa dinâmica, integrando pedidos, pagamentos, logística e gestão em plataformas unificadas.

Segundo a CEO da Food2C, Einat Eisler Carasso, o avanço tecnológico permite modernizar um formato tradicional sem alterar sua essência.

“A digitalização traz previsibilidade, organização e controle para uma operação que historicamente dependia de processos manuais. Em uma cadeia como a de lácteos, na qual perecibilidade e margem caminham juntas, reduzir ineficiências é fundamental”, afirma.

Compra recorrente melhora previsibilidade e reduz desperdícios

Entre os principais avanços proporcionados pela digitalização está a adoção de modelos de compra recorrente e assinaturas. Com entregas programadas, as empresas conseguem prever melhor a demanda e ajustar a produção com mais precisão.

A estratégia reduz desperdícios, melhora o abastecimento e fortalece a fidelização dos consumidores.

“A recorrência muda completamente a operação. Quando existe previsibilidade de consumo, toda a cadeia consegue atuar com mais eficiência, desde a produção até a entrega final. Isso também melhora a experiência do consumidor, que recebe produtos mais frescos e com regularidade”, destaca Einat.

Além da previsibilidade, o modelo aumenta a segurança de abastecimento para o consumidor, reduzindo o risco de falta de produtos no dia a dia.

Digitalização transforma operação de empresas tradicionais

O movimento já começa a ganhar força entre empresas consolidadas do setor. A Fazenda Bela Vista, que atua há mais de 30 anos com entrega domiciliar de leite e produtos frescos, modernizou recentemente sua operação ao substituir processos descentralizados por uma plataforma integrada.

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Com a mudança, pedidos, pagamentos e informações passaram a ser gerenciados em um único ambiente digital, conectando distribuidores, consumidores e indústria.

Segundo o diretor comercial da empresa, Paulo Passarini, a digitalização elevou o nível de eficiência operacional sem comprometer a proximidade com o cliente.

“A entrega domiciliar sempre fez parte da nossa história, mas a tecnologia trouxe mais organização, controle e capacidade de planejamento. Hoje conseguimos operar com mais eficiência e oferecer uma experiência mais consistente ao consumidor”, explica.

Dados e tecnologia fortalecem eficiência na cadeia de lácteos

Outro benefício da transformação digital está no acesso a informações mais precisas sobre hábitos de consumo, comportamento dos clientes e demanda regionalizada.

Com dados centralizados, as empresas conseguem ajustar ofertas, otimizar estoques e estruturar rotas de entrega de forma mais inteligente, reduzindo custos logísticos e desperdícios ao longo da cadeia.

Para especialistas do setor, a tecnologia tende a se consolidar como um dos principais vetores de competitividade da cadeia leiteira brasileira nos próximos anos.

Com a produção em crescimento e o consumo cada vez mais conectado à conveniência e à qualidade, modelos digitais devem ganhar relevância tanto na indústria quanto na distribuição.

“Existe uma grande oportunidade de modernizar a distribuição de alimentos no Brasil sem romper com modelos já consolidados. A tecnologia atua justamente como ponte entre produção, logística e consumidor final”, conclui Einat.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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