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Rebanhos devem manter ganho de peso pós-desmama para puberdade e abate precoces

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Dentro do sistema pecuário, o outono é uma época do ano de extrema importância, pois é quando se realiza a desmama definitiva dos terneiros, na maioria dos sistemas de produção. Apesar da diferença entre técnicas, em geral, esta separação entre cria e mãe ocorre quando os terneiros têm entre os seis e os oito meses de idade, dependendo do mês de nascimento. Como a produtividade do bovino está diretamente ligada aos fatores genéticos, ambientais e ao manejo oferecido, é preciso tomar alguns cuidados elementares para que os terneiros não percam capacidade de ganho de peso depois de se tornarem autônomos em sua alimentação, avançando à puberdade ou ao peso de abate, conforme o objetivo de produção.

O médico veterinário e diretor da Conexão Delta G, Octaviano Pereira Neto, lembra que, quando a desmama se aproxima, a contribuição da dieta láctea, oferecida pela mãe, já representa apenas 20% a 30% do total da alimentação de sua cria. O restante é oriundo de outras fontes de dietas, seja de pastejo ou mesmo de alguma forma de suplementação. Ele também destaca que a época de desmama pode iniciar entre os meses de março e maio, dependendo da data de nascimento e do sistema de criação desejado. “O principal objetivo é fazer com que a vaca, ao entrar no período inverno, tenha plena condição de alcançar ganhos de peso que favoreçam o desenvolvimento fetal e acúmulo de reservas corporais para o próximo parto, na primavera que se segue”, comenta Pereira.

O veterinário ensina que a desmama geralmente é feita dentro do curral, onde se separa mãe e filho, com a cria sendo presa por um período de dez a 15 dias. Existe uma gama de técnicas, as quais permitem a proximidade da mãe e filho recém desmamado, ou seja, desmama lado a lado, ou o total afastamento de ambos, para que se rompa o vínculo maternal de uma vez. Neste período pós desmama, o terneiro tem acesso à alimentação, seja feno ou ração, para que se adapte rapidamente a esta nova etapa da vida. “É importante observar que quando estes terneiros chegam a este período de desmama, eles devem ter pelo menos 150 quilos ou mais. Durante a amamentação, a habilidade materna, as condições ambientais, com oferta de forragem e chuvas, e o status sanitário do terneiros, afetam diretamente o peso que esses terão à época da desmama. Cada produtor deve eleger os sistemas de desmama mais alinhado com seu sistema de produção, os quais variam quanto ao nível de investimento, especialmente em termos de aporte nutricional. O uso do creep feeding, que é o sistema de alimentação que privilegia o terneiro durante a lactação, contribui no incremento de peso dos terneiros, uma aceleração no desenvolvimento dos compartimentos ruminais e favorece na adaptação à desmama, uma vez que os terneiros aprendem a comer e mais rapidamente se alimentam pós desmama”, alerta o veterinário.

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O especialista lembra que para chegar à fase de desmama de forma adequada, é preciso uma série de cuidados que devem iniciar no período anterior ao parto da vaca. Depois, ao nascer, é preciso ter condições sanitárias para que este terneiro tenha integridade intestinal e capacidade de absorção de nutrientes efetiva para o ganho de peso almejado. Um verão seco, dificuldades nutricionais ou até problemas sanitários, como infecção bacteriana, processo de diarreia neonatal ou surtos de coccidiose, podem levar à uma capacidade de ganho afetada na fase de cria, refletindo-se inclusive no período de recria.

Octaviano Pereira lembra que, em se tratando de rebanhos comerciais, a desmama muitas vezes já é o período em que é feita a venda dos terneiros, em sistemas especializados em cria bovina. “Quem trabalha com ciclo completo, ou no caso da Conexão, onde a gente tem um programa de melhoramento genético muito consistente, os animais são mantidos em grupos de manejo, que ofereçam as mesmas condições nutricionais e de ambiente, sendo avaliados desde o nascimento, passando pela desmama, indo até o sobreano, visando à seleção de indivíduos superiores, que serão as futuras matrizes e reprodutores, para nossos rebanhos e de nossos clientes”, explica. As avaliações feitas no nascimento, na desmama e no sobreano, buscam identificar os animais de maior mérito genético, que expressem os parâmetros desejados para maior produtividade dos rebanhos bovinos.

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Mudanças climáticas, como as que se projetam, com o fim do período do El Niño e a entrada do fenômeno La Niña, Octaviano Pereira ressalta que é preciso levar em consideração que há uma expectativa de que este inverno seja mais seco. “Temos que pensar muito bem nas condições que vamos oferecer para estes terneiros pós-desmama, principalmente com relação às pastagens ou campos nativos melhorados. Animais mais adaptados e que tenham condições de enfrentar os desafios nutricionais e sanitários, como por exemplo o carrapato, são alguns dos critérios de seleção que vêm ao encontro do trabalho da Conexão. Produzimos genética para produção, e o desmame é o início de uma jornada estratégica para a produção de carne e desencadeamento da puberdade, fases fundamentais de sistemas de produção sustentáveis”, alerta o técnico.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Conexão Delta G

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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