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Radar Agro: Desafios e perspectivas do mercado de créditos de descarbonização

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O Radar Agro, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, apresenta um panorama atualizado sobre o mercado de créditos de descarbonização no Brasil. O Monitoramento RenovaBio, parte integrante do relatório, revela que muitas distribuidoras não cumpriram suas metas individuais em 2023. O documento atualiza as estatísticas referentes aos Créditos de Descarbonização (CBios) e oferece um balanço de oferta e demanda até maio de 2024.

Inclusão de Créditos Não-Entregues na Meta de 2024

Em 29 de maio, o Governo Federal oficializou a inclusão do volume total de créditos não-entregues de 2023 na meta de descarbonização de 2024. Com isso, a meta anual aumentou de 38,8 milhões para 46,4 milhões de CBios. Apesar de esse aumento de 20% parecer positivo para o mercado de carbono, a tendência de queda nos preços persiste. Isso porque o incremento de 7,6 milhões de CBios na meta de 2024 já era conhecido desde abril, quando a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou sobre as obrigações não cumpridas.

Multas e Inadimplência

Até o momento, a ANP aplicou multas às empresas que não cumpriram as metas de 2019-2021. No entanto, as penalidades, em média R$ 57 por CBio, são inferiores ao valor de mercado, incentivando a inadimplência. Embora o pagamento da multa não isente a distribuidora de entregar os CBios, a possibilidade de recursos e liminares tem dificultado a efetividade das punições. Não há sinais de aplicação de penalidades mais severas, como a revogação de autorizações, o que tem gerado pessimismo entre os participantes do mercado.

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Impacto na Confiança do Mercado

A crescente inadimplência no programa de descarbonização levanta dúvidas sobre seu sucesso a longo prazo. Apenas as distribuidoras comprometidas com a sustentabilidade e a imagem pública permanecem assíduas ao programa. A judicialização das regras e a demora nas punições contribuem para a incerteza e podem levar a preços menores no mercado de créditos de descarbonização.

Preços e Volume de Negócios

Em 31 de maio, o preço médio das negociações de CBios foi R$ 81,89, uma queda de 20% em relação à média de 2024. O volume negociado em maio foi de 5,7 milhões de créditos, um aumento de 8% em relação a abril, mas ainda 48% abaixo do mesmo mês no ano anterior.

Emissão de CBios

Segundo dados da B3, a emissão de CBios em maio aumentou 11,6% em comparação com o mesmo mês de 2023, totalizando 3,42 milhões de títulos. No acumulado do ano até 31 de maio, foram emitidos 17,3 milhões de CBios, um aumento de 25,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Balanço de Oferta e Demanda

Durante o período da meta anual de 2024 do programa RenovaBio, os estoques de créditos cresceram de 18,1 milhões de CBios em 1º de abril para 20,6 milhões de CBios em 31 de maio. As distribuidoras já aposentaram 4,2 milhões de CBios e possuem 8,8 milhões em estoque, somando um total de 13 milhões de CBios adquiridos para a meta de 2024, que é de 46,4 milhões de CBios.

Alterações nos Prazos

O decreto 11.141/22, publicado em julho de 2022, alterou os prazos para comprovação das metas de aposentadoria de CBios. Em abril de 2023, o Ministério de Minas e Energia restabeleceu 31 de dezembro como a data limite para cumprimento das metas anuais, em vez de 31 de março do ano subsequente.

Para mais detalhes, acesse o relatório completo do Radar Agro, disponibilizado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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