AGRONEGÓCIO
Qualidade da carne suína começa com seleção genética dos animais
Publicado em
27 de fevereiro de 2024por
Da RedaçãoQuando um alimento chega a nossa mesa, muitas vezes em razão da correria do dia a dia, não paramos para analisar todo o processo pelo o qual ele percorreu desde a sua origem. No caso da proteína suína, essa cadeia não deixa de ter suas complexidades, uma vez que a alta qualidade da carne está relacionada a uma série de fatores. O ponto de partida é uma boa genética dos animais, ou seja, características como maciez e sabor da carne são influenciadas pela eficiência dessa seleção aliadas, é claro, a uma dieta balanceada dos suínos.
Existem algumas características que estão diretamente ligadas à qualidade de carne, como por exemplo, a gordura intramuscular (marmoreio). Essa, quando é muito baixa, deixa a proteína mais seca e menos saborosa. Sendo assim, o programa genético suíço que é referência mundial, estima que a gordura intramuscular na carne suína em relação a sabor é a ideal quando está entre 2,0% a 2,5%.
De acordo com Beate von Staa, proprietária da Topgen, marca brasileira, especializada em genética suína com mais de 30 anos de experiência, em algumas situações como em degustações às cegas (onde os consumidores não veem a carne), gordura intramuscular acima de 3% geralmente é preferida. No entanto, com esses teores elevados, a gordura é claramente visível na carne o que pode retrair a preferência do consumidor.
Atualmente, no processo de seleção dos animais com foco em qualidade da carne e quantidade ideal de gordura intramuscular, há raças e linhagens escolhidas especificamente para esses aspectos. Falando das raças mais conhecidas no Brasil, pode-se destacar o Duroc como característica de boa gordura intramuscular e o Pietrain para pouca gordura.
Segundo Beate, no programa genético da Suíça são realizados testes com amostras provenientes de progênies de cruzamentos com machos terminadores de três raças diferentes e sempre cruzados com matriz F1 (Landrasse x Largwhite). “Os resultados mostram animais de pai Duroc com 2,4% de gordura intramuscular, filhos do Premo (linha macho Largewhite desenvolvido na Suíça) com 2,1% e do Pietrain com menos de 2%”, detalha a especialista.
Importância das fêmeas na seleção
Quando falamos de qualidade de carne, tendemos a pensar apenas no macho terminador (aquele que é usado para gerar os animais de abate.) No entanto, boa parte da informação genética provém das fêmeas. No programa genético suíço, a qualidade da carne suína é algo muito relevante inclusive no melhoramento das linhagens maternas. “Para as matrizes suíças, os resultados para gordura intramuscular são 2,48% para Largewhite e 1,77% para Landrasse”, apontou Beate.
O programa de melhoramento genético usado pela Topgen, segue os mesmos os padrões suíços de seleção. A qualidade almejada é representada por vários indicadores, entre eles a do marmoreio, que conforme já foi ressaltado, é o principal responsável pelo sabor e suculência. “Em nosso programa, o indicador de gordura intramuscular não pode ser menor que 2%. A qualidade (tipo) da gordura também avaliada é um diferencial”, pontua a especialista.
Na seleção genética, além da qualidade da carne (ou experiência do consumidor), busca-se também a eficiência e a uniformidade. “Queremos, com as nossas linhagens maternas batizadas por “Afrodite®” e “Vênus®”, a eficiência produtiva e reprodutiva para o produtor, a uniformidade e padronização para o frigorífico e, por fim, uma ótima experiência ao consumidor”, finalizou.
Fonte: Ruralpress
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
Published
5 horas agoon
7 de setembro de 2026By
Da Redação
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro
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