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Proposta de tributação sobre LCIs, LCAs, CRIs e CRAs pode encarecer crédito e afetar agro e setor imobiliário

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Alta de juros e possível nova tributação preocupam o setor produtivo

O Brasil, já marcado por ter uma das maiores taxas de juros reais do mundo, pode enfrentar um novo desafio econômico. O governo estuda tributar instrumentos financeiros atualmente isentos, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

Impacto direto no agro e na construção civil

Henrique Galvani, CEO da Arara Seed, avalia que essa proposta penaliza justamente setores essenciais à economia nacional, como o agronegócio e o mercado imobiliário. Segundo ele, a medida pode encarecer o crédito, desestimular investimentos e dificultar a execução de projetos produtivos.

“Agora, como se não bastasse, o governo cogita tributar os rendimentos de instrumentos essenciais para o financiamento do agro e do mercado imobiliário. Isso, na prática, pune quem produz comida, gera moradia e movimenta a economia real”, afirma Galvani.

Instrumentos foram criados para suprir carência do crédito público

Em nota divulgada pela Arara Seed, Galvani lembra que esses títulos foram criados justamente para viabilizar o financiamento privado em setores fundamentais. Retirar a isenção tributária ameaça o sistema de crédito nacional, já pressionado pela limitação dos recursos públicos.

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Ele cita o Plano Safra 2024/25, que prevê R$ 400 bilhões para o setor agropecuário — montante bem abaixo da demanda, que ultrapassa R$ 1 trilhão, segundo o Boletim de Finanças Privadas do Agro, elaborado pelo Ministério da Agricultura.

Risco de aumento de custos e inflação

Para Galvani, a possível tributação desses instrumentos seria um retrocesso.

“Tributar indiscriminadamente esses instrumentos seria um tiro no pé: aumentaria o custo de produção, desestimularia o investimento privado e pressionaria ainda mais a inflação nos alimentos e na habitação”, destaca.

Mercado de capitais em expansão

O mercado de capitais tem ganhado relevância no financiamento da economia real. Em 2024, as emissões de títulos já ultrapassaram R$ 783 bilhões, com destaque para CRIs, CRAs, Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e o Fiagro, que acumula R$ 41,5 bilhões em patrimônio.

Para o CEO da Arara Seed, tributar esses instrumentos pode reduzir a oferta de crédito, encarecer os custos e, no fim da cadeia, atingir o consumidor, com preços mais altos de alimentos e imóveis.

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Defesa do mercado de capitais e de políticas de incentivo

Galvani defende que a isenção desses instrumentos não é um privilégio, mas sim uma política pública estratégica voltada à expansão da economia real.

“Defendemos a ampliação do acesso ao mercado de capitais, a valorização das soluções financeiras descentralizadas e a manutenção de políticas públicas que estimulem, e não desincentivem, o investimento em setores produtivos e sustentáveis”, finaliza.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Café recua nas bolsas internacionais, mas colheita lenta no Brasil sustenta preços no físico

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O mercado de café encerrou esta quarta-feira (29) em queda nas bolsas internacionais, refletindo um movimento técnico de ajuste e a pressão do cenário global. Apesar do recuo, o ritmo mais lento da colheita no Brasil tem reduzido o impacto negativo no mercado físico, sustentando os preços internos.

Bolsas internacionais registram queda

Na Bolsa de Nova York, os contratos do café arábica fecharam em baixa. O vencimento julho/26 recuou para 293,85 cents por libra-peso, com perda de 105 pontos. O contrato setembro/26 terminou em 284,05 cents/lb, também com queda de 105 pontos, enquanto o dezembro/26 encerrou a 276,05 cents/lb, com baixa de 95 pontos.

Em Londres, o café robusta acompanhou o movimento negativo. O contrato julho/26 fechou em US$ 3.446 por tonelada, com recuo de 35 pontos. O setembro/26 caiu para US$ 3.359 por tonelada, enquanto o novembro/26 terminou em US$ 3.288 por tonelada, com perdas de 33 e 31 pontos, respectivamente.

Expectativa de safra pressiona o mercado

O movimento de baixa está ligado, principalmente, ao ajuste de posições no mercado internacional diante da expectativa de aumento da oferta com a entrada da safra brasileira. Esse fator segue como principal vetor de pressão no curto prazo.

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A perspectiva de uma produção elevada, com possibilidade de recorde, continua no radar dos agentes e reforça o viés baixista estrutural.

Colheita lenta no Brasil muda dinâmica

No cenário interno, porém, o mercado apresenta sinais distintos. De acordo com o Cepea, a colheita de café arábica ainda avança de forma lenta na maior parte das regiões produtoras.

Os trabalhos estão mais adiantados apenas na Zona da Mata de Minas Gerais. Já regiões relevantes, como Sul de Minas e Cerrado Mineiro, ainda não iniciaram a colheita de forma consistente. Em estados como São Paulo e Paraná, o avanço também é limitado, com volumes reduzidos.

Esse atraso na entrada da nova safra reduz a pressão imediata de oferta, contribuindo para a sustentação dos preços no mercado físico.

Mercado físico segue travado e seletivo

No Brasil, o comportamento das negociações segue heterogêneo. O café arábica apresenta negócios pontuais, com produtores mais cautelosos diante da volatilidade e aguardando melhores oportunidades de venda.

Por outro lado, o café conilon mantém maior fluidez, impulsionado por demanda ativa e maior volume de negociações.

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Câmbio segue no radar do produtor

Outro fator relevante é o câmbio. A valorização do real frente ao dólar tende a reduzir a competitividade das exportações brasileiras, pressionando os preços internos. Em contrapartida, a alta da moeda norte-americana melhora a paridade de exportação e pode estimular a comercialização.

Mercado entra em fase de transição

O mercado de café vive um momento de transição. Enquanto as bolsas refletem o peso das expectativas de maior oferta, o atraso na colheita brasileira impede quedas mais acentuadas no curto prazo.

A combinação entre ritmo da safra, comportamento do câmbio e dinâmica da demanda será determinante para a formação dos preços nas próximas semanas. A volatilidade segue elevada, exigindo estratégia e atenção redobrada por parte dos produtores.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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