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Projeto de primeira usina de etanol de milho em TO começa a sair do papel

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A primeira usina de etanol de milho do Estado de Tocantins começará a sair do papel. Uma parceria entre a multinacional Czarnikow, a Agrojem e a ACP dará origem à Tocantins Bioenergia, um negócio com investimento inicial estimado em R$ 1,1 bilhão. O começo das obras está previsto para o segundo semestre de 2024, para que a usina inicie as operações na segunda metade de 2026.

Essa é a primeira aposta da Czarnikow como sócia de um ativo no Brasil — até então, a britânica só atuava como comercializadora. A empresa deve ter uma participação minoritária, de até 15%. A Agrojem deve encabeçar o projeto, com participação de 50%, e a ACP deve ter a fatia restante.

Em entrevista à reportagem, José Eduardo Motta, fundador e CEO da Agrojem, disse que a ideia de investir em etanol de milho em Tocantins veio de uma combinação de fatores, dentre eles sua experiência de 25 anos de empreendedorismo no Estado, quando atuava na indústria de fertilizantes.

“Em 2020, quando vendi as operações de fertilizantes para a EuroChem, comecei a trabalhar neste novo projeto”, lembrou o executivo. “Você já tem um desenvolvimento da indústria de etanol de milho no Centro-Oeste, principalmente em Mato Grosso, e vimos que o Tocantins já estava desenvolvido para isso, mas todo o milho hoje vai para a exportação”, acrescentou.

Outro fator fundamental para que a usina se tornasse viável, foi a garantia de oferta e demanda. De acordo com as projeções dos sócios, a Tocantins Bioenergia vai demandar cerca de 500 mil toneladas de milho por ano e, com isso, poderá produzir 220 milhões de litros de etanol e 152 mil toneladas de DDG (subproduto do processamento do milho) anuais.

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Também haverá, por ano, a produção de 10 mil toneladas de óleo vegetal, geração de energia de 74 GWh e emissão de créditos de descarbonização, os Cbios.

“Na Agrojem, temos 120 mil cabeças de gado na operação de confinamento, toda em Tocantins. Plantamos 38 mil hectares de grãos, sendo 10 mil de milho. Na maturidade do projeto da usina, cerca de 70% do milho serão fornecidos por nós e 30% serão comprados de produtores da região”, afirmou.

Segundo ele, se houver necessidade, a usina poderá adquirir milho de Mato Grosso, Pará ou Bahia para complementar a demanda para processamento.

No caso do DDG, a previsão é que 50% da produção proveniente da Tocantins Bioenergia seja destinada para a ração do gado da Agrojem, e os 50% restantes vendidos a pecuaristas locais.

“Um ponto importante dessa indústria é ter o etanol mais barato daquela região, ter o DDG mais barato da região para ser competitivo e substituir o etanol e DDG que vêm de fora do Estado. O excedente a gente pode exportar, seja para fora do Brasil ou para outros Estados”, afirmou.

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A segunda fase do negócio prevê que demanda por milho deve dobrar, alcançando 1 milhão de toneladas, que permitiriam a fabricação de 440 milhões de litros do biocombustível. A meta é chegar a esse desempenho até 2035.

Os recursos para a primeira etapa do projeto serão aportados pelas companhias sócias e também haverá captação de dinheiro no mercado, via emissão de dívida. Segundo os sócios, ainda não está definido quanto cada um aplicará no empreendimento. Uma vez que a usina esteja em plena execução, será desenhada a estrutura financeira necessária para dar a largada na segunda etapa do projeto.

Tiago Medeiros, diretor da Czarnikow no Brasil, disse que o projeto da usina atraiu a empresa porque os sócios já eram clientes da trading e havia uma sinergia entre elas. Além disso, a companhia poderá atuar na estruturação e comercialização do biocombustível. Segundo ele, a Czarnikow está sempre atenta a oportunidades como essa.

“A gente olha ativos que possam complementar a nossa competitividade de comercialização”, disse o executivo.

O Brasil tem atualmente 21 usinas de etanol de milho, localizadas em Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Alagoas, São Paulo e Paraná. Segundo a Unem, associação do setor, outras nove unidades têm projetos programados.

Fonte: Globo Rural

Fonte: Portal do Agronegócio

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Festival da Pamonha mantém grande público e impulsiona economia na comunidade Rio dos Peixes

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O penúltimo dia do 7º Festival da Pamonha da comunidade de Rio dos Peixes confirmou o impacto que o evento vem gerando na economia local e na valorização da cultura regional, reunindo milhares de visitantes e mantendo aquecida a cadeia produtiva do milho, principal base da festa. Com estimativa de até 5 mil pessoas por dia e o processamento de cerca de 40 toneladas ao longo da programação, o festival segue consolidado como uma vitrine para pequenos produtores e trabalhadores da região.

Neste terceiro dia, o movimento nas barracas reforçou o papel do evento como fonte de renda para dezenas de famílias. A estrutura ampliada e mais organizada foi percebida tanto por comerciantes quanto pelo público. A divisão dos espaços, separando pamonhas, lanches e doces, facilitou a circulação e melhorou a experiência de quem visita.

O secretário municipal de Agricultura, Vicente Falcão, avaliou o momento como positivo e destacou que o festival vem superando as expectativas em público e consumo. Segundo ele, o evento já ultrapassa o caráter local e ganha relevância estadual e até nacional, atraindo visitantes de diferentes regiões. “Os participantes são 100% moradores e pequenos produtores da comunidade, o que reforça o impacto direto na geração de renda”, pontuou.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, Fellipe Correa, destacou o papel estratégico do festival para o fortalecimento da economia local. “Além de gerar renda e valorizar a tradição, o Festival da Pamonha reforça a dimensão territorial e turística de Cuiabá, que se estende pela Estrada da Chapada até o Portão do Inferno. Toda essa região, incluindo os balneários e a comunidade de Rio dos Peixes, integra um circuito importante para o turismo da capital. Nesse contexto, o festival se consolida como uma referência do turismo gastronômico cuiabano”, afirmou.

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Entre os expositores, a percepção também é de crescimento. O comerciante Rudnei dos Santos, que participa há quatro edições, classificou o dia como produtivo e destacou a organização como um dos diferenciais deste ano. Ele acredita que o fluxo ainda aumenta ao longo do dia e reforça que o festival é resultado de um trabalho coletivo. “A gente percebe que o público chega já sabendo onde encontrar o que quer, isso facilita muito”, afirmou. Experiente, ele também participa do concurso da melhor pamonha e atribui o sucesso ao cuidado com o preparo: “O segredo é fazer com amor”.

Para o público, a experiência vai além da gastronomia. O advogado Lucas Veloso, morador de Várzea Grande, retornou ao festival pela segunda vez e notou avanços na estrutura. “Eu já esperava algo bom, mas vi melhorias, principalmente na organização e na estrutura para comerciantes e visitantes. Isso incentiva a gente a voltar”, disse. Ele destacou ainda o interesse pelas apresentações culturais e a diversidade de sabores disponíveis.

A variedade, aliás, é um dos pontos mais comentados. De receitas tradicionais a versões mais criativas, como pamonha de pizza ou combinações com jiló e linguiça, o cardápio chama a atenção de quem chega. O professor Cláudio Vaz de Araújo, que conheceu o evento pela primeira vez durante uma viagem, elogiou tanto o sabor quanto a organização. “É fácil circular, escolher e experimentar. Dá vontade de voltar”, afirmou.

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Apesar da avaliação positiva, algumas observações surgem como sugestões para as próximas edições. A conectividade foi um dos pontos citados por visitantes e comerciantes. A dificuldade de acesso à internet no local impacta principalmente pagamentos via Pix e a divulgação em tempo real nas redes sociais. O próprio secretário reconheceu a limitação, explicando que a alta demanda, com mais de 700 acessos simultâneos, sobrecarregou o sistema disponível. A prefeitura, segundo ele, já estuda melhorias para o próximo ano.

Outras sugestões envolvem aspectos pontuais da experiência gastronômica, como a manutenção da temperatura e frescor das pamonhas em determinados momentos de maior fluxo, sem comprometer a avaliação geral, que segue positiva.

Além da alimentação, o festival também conta com suporte na área da saúde. Equipes da Unidade de Saúde de Rio dos Peixes oferecem vacinação, atendimento odontológico, aferição de pressão arterial e testes de glicemia, sob coordenação da gerente Magda Oliveira. Paralelamente, socorristas e profissionais de enfermagem, coordenados pelo bombeiro civil Anderjan Santana, atuam com atendimentos emergenciais e serviços básicos, garantindo mais segurança ao público.

A programação segue até esta terça-feira (21), feriado de Tiradentes, quando será anunciado o resultado do Concurso da Melhor Pamonha. A expectativa é de que o último dia mantenha o alto fluxo de visitantes, encerrando mais uma edição marcada pela integração entre cultura, produção local e geração de renda.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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