AGRONEGÓCIO
Projeto Campo Futuro em Santa Catarina: Levantamento de Custos de Produção Agropecuária em Xanxerê
Publicado em
13 de junho de 2024por
Da RedaçãoO primeiro painel do Projeto Campo Futuro 2024 em Santa Catarina teve início em Xanxerê nesta terça-feira (11), marcando o levantamento dos custos de produção agropecuária. Promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com o apoio do Sistema Faesc/Senar e dos Sindicatos Rurais, o projeto abrange seis cadeias produtivas em oito municípios do estado e se estenderá até agosto.
Análise Detalhada dos Custos de Produção
O objetivo principal é identificar os principais custos que afetam os resultados financeiros dos produtores, oferecendo insights sobre a gestão e indicadores essenciais para o monitoramento eficaz. Em Xanxerê, o painel foi conduzido de forma híbrida, tanto presencial quanto online, focando nos custos de produção de soja, milho (1ª safra), feijão e trigo.
O evento reuniu produtores rurais, especialistas da CNA e do Sistema Faesc/Senar, além de representantes dos Sindicatos Rurais e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA-Esalq/USP). A participação ativa desses agentes é crucial para obter dados precisos e atualizados sobre as realidades econômicas locais.
Impactos e Desafios Atuais
Enori Barbieri, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Xanxerê, destacou a importância do Campo Futuro para a agricultura, proporcionando planejamento e conhecimento da situação econômica atual. Através do projeto, os agricultores podem avaliar custos, conhecer preços futuros de venda e tomar decisões mais informadas para suas safras.
José Zeferino Pedrozo, presidente do Sistema Faesc/Senar, enfatizou que o projeto é essencial para gerar dados seguros sobre as culturas analisadas, permitindo maior controle sobre despesas e investimentos. Essas informações também são fundamentais para o desenvolvimento de políticas públicas que beneficiem o setor agropecuário.
Desafios Climáticos e Econômicos
Tiago Pereira, assessor técnico da CNA, apresentou dados alarmantes sobre a safra 2023/24, indicando reduções significativas na produtividade devido ao clima adverso, especialmente influenciado pelo fenômeno El Niño. A produtividade média para soja, milho e trigo registrou quedas de 24%, 18% e 28%, respectivamente, em comparação com a safra anterior.
Além dos desafios climáticos, os preços de comercialização também diminuíram, com quedas de 15% para a soja e 14% para o trigo. O milho, por exemplo, exigiu uma quantidade maior de sacas por hectare para cobrir os custos de produção, refletindo um ambiente desafiador para os produtores.
Próximos Passos
O Campo Futuro continuará realizando painéis de levantamento de custos em diversas atividades agropecuárias até julho, abrangendo 20 estados e 119 municípios em todo o Brasil. A CNA, com base nos dados coletados, atuará junto ao governo para propor medidas que evitem o aumento dos custos, melhorem as ferramentas de seguro agrícola e ampliem o acesso ao crédito para os produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
Published
6 horas agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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