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Produtores de Cachaça Celebram Acordo Mercosul-União Europeia, Mas Apontam Riscos na Reforma Tributária

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O Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), entidade que representa o setor da cachaça no Brasil, celebrou o anúncio do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, formalizado na última sexta-feira (6). O acordo traz importantes avanços para a cachaça, incluindo o reconhecimento e proteção da denominação “Cachaça” no bloco europeu, além de uma redução tarifária que ampliará a competitividade da bebida no mercado internacional. Com a ratificação do acordo, o destilado brasileiro será oficialmente protegido na União Europeia, garantindo seu reconhecimento como produto genuinamente nacional.

A cachaça já é reconhecida e protegida em países como Chile, Colômbia, Estados Unidos e México, e, com o novo acordo, essa proteção será expandida. O IBRAC tem trabalhado ativamente para garantir o reconhecimento da cachaça desde 2014, quando retomaram as negociações com o objetivo de fortalecer a imagem e os direitos do produto no mercado global.

Contradições Internas: Reforma Tributária e Seus Impactos no Setor

Apesar das boas notícias no âmbito internacional, o presidente do IBRAC, Carlos Lima, expressou preocupação com a atual proposta de reforma tributária em tramitação no Senado Federal. Para ele, o Brasil está indo na contramão da valorização da cachaça ao considerar um texto que pode comprometer toda a cadeia produtiva da bebida. A cachaça é a única bebida alcoólica nacional cujo insumo principal – a cana-de-açúcar – é 100% produzido no Brasil.

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Lima lamenta que, enquanto o produto é reconhecido e protegido internacionalmente, o país está prestes a aprovar uma reforma que pode prejudicar sua produção. O setor está, assim, apelando para que os Senadores revisem o Projeto de Lei Complementar 68/2014, aprovado pela Câmara dos Deputados, que, segundo ele, pode afetar negativamente a competitividade da cachaça.

A Crítica ao Sistema de Tributação Proposto

O ponto crítico da reforma está no parágrafo 4º do artigo 419 do projeto, que prevê que as alíquotas ad valorem do imposto seletivo sejam específicas por categoria e progressivas conforme o teor alcoólico das bebidas. A proposta favorece a cerveja, que representa 90% do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil, enquanto a cachaça, um produto com insumos totalmente nacionais, seria prejudicada.

O IBRAC defende que todas as bebidas alcoólicas sejam tratadas de maneira igual no sistema tributário e solicita o retorno ao texto original enviado pelo Poder Executivo, que garantiria um tratamento mais justo para a cachaça e outras bebidas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta

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A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.

O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.

Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.

Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.

O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.

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O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.

A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.

A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.

Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.

A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.

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Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.

A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.

As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.

Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.

Fonte: Pensar Agro

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