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Produtores com lavouras irrigadas podem acionar seguro agrícola diante da estiagem

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A intensa estiagem que atinge o Rio Grande do Sul tem provocado impactos severos na produção agropecuária, levando diversos municípios a decretarem situação de emergência. Entre os setores mais afetados estão a pecuária e a agricultura, especialmente as lavouras de sequeiro e irrigadas, que sofrem com a escassez hídrica. Além dos desafios climáticos, o cenário se agrava com a valorização do dólar, que eleva os custos de produção e coloca os produtores em estado de alerta, demandando ações estratégicas para reduzir prejuízos e evitar endividamentos excessivos.

Diante desse contexto, o advogado Roberto Bastos Ghigino, da HBS Advogados, orienta que os produtores que contrataram seguro agrícola estejam atentos aos trâmites necessários para acionar a cobertura em caso de perdas expressivas. “Para formalizar a solicitação, é imprescindível a apresentação de um laudo técnico detalhado, elaborado por um profissional habilitado, que relacione os danos à produção com os efeitos da estiagem”, explica.

Ghigino ressalta que, mesmo para culturas irrigadas, cujo planejamento hídrico é um critério fundamental na contratação do seguro, a severidade da estiagem pode comprometer a disponibilidade de água ao longo do ciclo produtivo. “Ainda que a capacidade hídrica tenha sido comprovada no momento da contratação, variações atípicas de temperatura, aliadas à ausência prolongada de chuvas, podem justificar o acionamento da cobertura securitária”, destaca.

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Dessa forma, produtores que registraram perdas em lavouras irrigadas devem avaliar a viabilidade de acionar o seguro, desde que comprovem que os danos foram consequência direta da estiagem e não de falhas no planejamento hídrico. “A comprovação do nexo de causalidade entre a estiagem e as perdas produtivas, respaldada por documentação técnica adequada, é determinante para a aprovação da indenização”, enfatiza o advogado.

No caso das lavouras de sequeiro, a exigência de laudos técnicos para quantificação das perdas segue os mesmos critérios. A recomendação é que os produtores atuem de forma preventiva, mantendo registros detalhados e assegurando que toda a documentação esteja em conformidade com as exigências da apólice contratada, garantindo, assim, maior segurança na solicitação da indenização.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento

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O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).

A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.

Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.

A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

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O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.

As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.

Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.

Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.

Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.

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Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.

Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.

Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.

O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.

Fonte: Pensar Agro

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