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Produtor da Região Metropolitana de Belo Horizonte surpreende e vence Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais 2023

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Pela primeira vez, um produtor da Região Metropolitana de Belo Horizonte foi o campeão estadual do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, realizado há 20 anos pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). O agricultor Mamédio Martins dos Santos, do município de Sabará, surpreendeu ao desbancar concorrentes de áreas com tradição no cultivo de cafés especiais das regiões produtoras do Sul de Minas, Matas de Minas e Cerrado Mineiro.

O anúncio dos vencedores da competição foi feito nesta segunda-feira (11/12) na sede da Emater-MG, em Belo Horizonte, com a presença dos produtores finalistas e representantes de instituições do setor agropecuário. O concurso da safra 2023 contou com 1.563 amostras inscritas, nas categorias Café Natural e Café Cereja Descascado/Despolpado. Para chegar aos vencedores, os jurados do concurso provaram cerca de 18 mil xícaras desde a primeira etapa da competição.

Mamédio dos Santos desistiu de trabalhar na mineração para plantar café, pois tinha mais experiência com a vida no campo. Hoje cultiva em 10 hectares no sítio Santa Rosa, local com altitude acima de mil metros. Ele conta que faz quase tudo com apenas um funcionário e a ajuda dos filhos.

“Quase ninguém sabe que em Sabará tem produção de café. Agora vão ficar sabendo. Com esse prêmio, meu café vai ficar reconhecido no Brasil todo. Para mim isso é muito importante. Eu me emocionei mesmo. Chorei com esse prêmio”, disse após a solenidade.

Cuidados na produção

A marca escolhida pelo produtor é Café Vila Real. A família é responsável por torrar e moer os grãos de forma artesanal para vender a produção em feiras, de porta em porta ou por encomenda. A técnica da Emater-MG em Sabará, Shelen de Souza, é responsável pela assistência ao produtor. Ela contou que muita coisa foi aperfeiçoada na lavoura nos últimos anos, incluindo o controle de broca e melhoria no sistema de colheita e pós-colheita.

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“A colheita é feita manualmente, de forma seletiva, aproveitando apenas os frutos maduros, que são separados dos grãos verdes. Para a secagem, é usado um terreiro suspenso, não é no chão. Ele também não usa agrotóxicos, dando prioridade a caldas alternativas”, explicou Shelen de Souza.

O café vencedor do concurso atingiu, na categoria Café Natural, 91,7 pontos numa escala que vai até 100, de acordo com a metodologia da Associação de Cafés Especiais (SCA, em inglês), entidade internacional de referência do setor.

“Foi uma surpresa agradabilíssima. A Emater-MG mais uma vez cumpre seu objetivo com o concurso estadual que é revelar novos talentos para o mundo. Ele conseguiu um café notável, pois trata o café como um alimento, com respeito pelos seus clientes. É o ser humano por trás daquele capricho. Tenho certeza que é por aí que passa esta vitória”, disse o coordenador técnico estadual de Culturas da Emater-MG, Sérgio Regina.

Vencedores regionais

Além do campeão estadual, também foram anunciados os vencedores regionais das Matas de Minas, Sul de Minas e Cerrado Mineiro, nas duas categorias do concurso. Todos tiveram notas a partir de 86 pontos, de acordo com as normas da SCA. O destaque foi o município de Espera Feliz, das Matas de Minas, com quatro produtores na lista dos melhores cafés do concurso. O técnico da Emater-MG do município, Antônio Teixeira Fernandes, foi agraciado pelo trabalho desenvolvido junto aos produtores.

Também foi homenageada a produtora rural que obteve a maior nota entre todas as mulheres da competição. A vencedora do Prêmio Mulher Destaque em Sustentabilidade foi Maria Abadia Borges Santos, de Ibiá, no Cerrado Mineiro. O café produzido por ela obteve 89,5 pontos no concurso. Com esta nota, ela também ficou em primeiro lugar entre todos os concorrentes da região, na categoria Café Natural.

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“Temos a missão diária de trabalhar para gerar renda, dignidade e qualidade de vida para o produtor mineiro. Quando andamos pelo estado, percebemos o poder transformador que a extensão rural e o café têm. As regiões produtoras de café têm o IDH superior que a média do estado”, afirmou o diretor-presidente da Emater-MG, Otávio Maia.

Venda garantida

O café campeão estadual e os primeiros e segundos lugares regionais já saem do concurso com a venda garantida para a rede supermercado Verdemar, de Belo Horizonte. Serão adquiridas cinco sacas de 60 kg de cada produtor, que farão parte de uma linha de cafés especiais, lançada anualmente pela rede para venda aos consumidores.

Os valores pagos pelo supermercado aos produtores são bem acima do mercado, e variam de R$ 3 mil e R$ 5 mil por saca.

O 20º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais é uma promoção do Governo de Minas Gerais, por meio da Emater-MG e Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas e a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Faepe). A competição tem patrocínio do Sicoob Crediminas e Codemge, além do apoio do supermercado Verdemar.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Emater-MG

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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