AGRONEGÓCIO
Produção de Café no Brasil para 2024/25 é Revisada para Baixo por Safras & Mercado
Publicado em
22 de julho de 2024por
Da RedaçãoSafras & Mercado divulgou na quinta-feira, 18, uma revisão para a safra brasileira de café 2024/25. Conforme esperado, houve uma redução significativa na previsão de produção. A safra total de café (arábica e conilon/canéfora) foi ajustada para 66,04 milhões de sacas, cerca de 4,3 milhões de sacas abaixo da estimativa preliminar de 70,37 milhões de sacas, e alinhada à col
A produção de arábica está projetada em 45,3 milhões de sacas, representando um leve aumento de 2,6% em relação à safra anterior (44,18 milhões de sacas). No entanto, esta é uma revisão de 3,6% para menos em comparação à estimativa preliminar de 47,05 milhões de sacas.
A produção de canéfora, por outro lado, está indicada em 20,70 milhões de sacas, uma queda de 3,3% em comparação à safra anterior (21,4 milhões de sacas). A estimativa anterior para a safra 2024/25 era de 23,32 milhões de sacas, o que representa uma revisão de 11% para baixo.
Gil Barabach, consultor de Safras & Mercado, comentou que “já havíamos observado problemas na colheita de café, sinalizando uma possível redução no tamanho da safra 2024/25 do Brasil. A produção de canéfora (conilon e robusta) foi a mais impactada, com perdas significativas em relação à estimativa preliminar.” Ele destacou que temperaturas elevadas e seca no final do ano passado comprometeram a produtividade das lavouras, especialmente no Espírito Santo.
“A produção de conilon no Espírito Santo foi particularmente afetada. A expectativa inicial era de repetir a safra de 2022/23, mas o desenvolvimento irregular das lavouras resultou em uma safra menor e de qualidade inferior,” analisou Barabach. Ele alertou que, embora a colheita esteja na reta final, o quadro produtivo ainda pode sofrer novas correções negativas.
Enquanto as perdas na produção de canéfora foram evidentes desde o início da safra, as perdas na produção de arábica se tornaram mais claras nas últimas semanas, com a aceleração dos trabalhos de colheita. “No Sul de Minas, principal região produtora, as altas temperaturas prejudicaram a produtividade, resultando em grãos menores,” comentou Barabach.
A expectativa inicial para o Sul de Minas era de 19 milhões de sacas, mas a projeção atual é de apenas 17,40 milhões de sacas, abaixo das 17,50 milhões de sacas colhidas no ano passado. Outro problema relatado foi a dificuldade em produzir café cereja devido ao curto período de colheita causado pela maturação acelerada.
Oferta e Demanda
Safras & Mercado estima que os estoques finais de café da temporada 2024/25 do Brasil serão de 3,2 milhões de sacas de 60 quilos, uma queda de 4,7% em relação aos estoques finais de 3,4 milhões de sacas da temporada 2023/24.
As exportações na temporada 2024/25 devem alcançar 44,2 milhões de sacas, uma redução de 6,7% em comparação à temporada anterior (47,4 milhões de sacas). Barabach explicou que a diminuição da safra brasileira e os estoques reduzidos ao final da temporada 2023/24, devido às exportações recordes, resultaram em uma oferta menor para a nova temporada. “A escassez global de robusta, devido a safras menores no Vietnã e problemas logísticos entre Ásia e Europa, impulsionou a demanda pelo café brasileiro, esvaziando os armazéns e reduzindo os estoques para pouco mais de 3 milhões de sacas, metade do volume existente no início da temporada,” comentou Barabach.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil soma 700 novos mercados e R$ 20 bilhões em negócios mesmo sob pressão de tarifas
Published
13 minutos agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
As novas autorizações para vender produtos do agro brasileiro no exterior já geraram mais de R$ 20 bilhões em negócios desde janeiro de 2023, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O balanço, anunciado nesta terça-feira (13.10), acompanha a marca de 700 aberturas de mercado. Para produtores e empresas, o avanço amplia as opções de compradores num momento em que tarifas e outras restrições encarecem as vendas internacionais.
O número exige uma distinção: são 700 autorizações para produtos em diferentes destinos, e não 700 países. Um mesmo país pode liberar a compra de carnes, frutas e sementes, por exemplo, e aparecer várias vezes na conta. Cada aprovação permite disputar um mercado, mas ainda é preciso encontrar comprador e acertar preço, frete e condições de entrega.
Os R$ 20 bilhões mostram que parte dessas oportunidades já virou negócio. O valor, porém, não permite calcular quanto as aberturas acrescentaram às exportações totais do Brasil. Uma venda a um novo destino pode representar produção adicional ou substituir um embarque antes enviado a outro comprador. O balanço também reúne negócios de quase quatro anos; não é o resultado apenas de 2026.
Entre as liberações recentes está a venda de pescado brasileiro aos Emirados Árabes Unidos, tanto de captura quanto de criação. Também foram autorizados o mamão fresco para o Kuwait e o milho em grãos para a Síria. São oportunidades para cadeias diferentes, cujo retorno dependerá do tamanho das encomendas e do custo de atender cada comprador.
A busca por alternativas ganha peso porque um aumento de tarifa pode interromper pedidos mesmo quando há produto disponível. Entre os efeitos estão o adiamento de compras, a renegociação de contratos e a redução do ganho das empresas. Para quem produz, o risco é ter mercadoria pronta e encontrar condições de venda piores do que as previstas.
Ter mais compradores ajuda a reduzir esse risco e dá alternativas quando um destino restringe as compras. A concentração ainda é relevante: em 2025, a China respondeu por 32,7% das exportações do agronegócio brasileiro, quase um terço do total, segundo o Mapa.
Produtos do agro com muitos compradores internacionais tendem a encontrar alternativas com mais facilidade do que mercadorias feitas para clientes específicos. Ainda assim, trocar de destino não assegura a manutenção do preço. Um novo comprador pode pagar menos, exigir outro padrão de produto ou estar mais longe, aumentando a conta do transporte.
Embora a tarifa seja cobrada no país importador, o exportador brasileiro também pode pagar parte dessa conta. Se houver fornecedores concorrentes, o comprador pode exigir um desconto para manter o pedido. O negócio continua, mas sobra menos dinheiro para a cadeia que produziu e entregou a mercadoria.
Por isso, o efeito sobre o campo precisa ser medido também pelo preço recebido e pelos custos, além do volume exportado. Vender mais toneladas não garante maior renda: frete caro, descontos e despesas de produção podem consumir o ganho. Os R$ 20 bilhões anunciados são negócios realizados, não lucro dos produtores.
Há despesas antes mesmo do primeiro embarque. Certificações, comprovação da origem, adaptação de embalagens e transporte precisam entrar na conta. No pescado e nas frutas, por exemplo, a conservação durante a viagem pesa na viabilidade da venda. A autorização sanitária elimina uma barreira, mas não resolve toda a operação.
Produtores, cooperativas e agroindústrias também precisam manter registros que comprovem de onde vem o produto e como foi produzido. Essas informações podem ser condição para entrar e continuar no mercado. Organizar a documentação antes de negociar ajuda a evitar que uma oportunidade seja perdida por falta de comprovação.
Para 2027, a ampliação dos destinos oferece alternativas diante de novas restrições comerciais. O resultado para o produtor dependerá de transformar essas permissões em pedidos regulares, com preços que cubram os custos. A próxima medida do avanço será quanto cada mercado compra — e quanto dessa venda chega à renda de quem produz.
Fonte: Pensar Agro
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